<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420</id><updated>2012-02-18T15:29:46.844Z</updated><title type='text'>na ilha de bruma</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>214</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-7649999308260993475</id><published>2011-12-19T16:48:00.005Z</published><updated>2011-12-19T16:55:59.577Z</updated><title type='text'>FELIZ NATAL</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-dLFrEP2imEE/Tu9rfsfUpaI/AAAAAAAAAtQ/mO4J5pu7T28/s1600/presepio.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5687883046654879138" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-dLFrEP2imEE/Tu9rfsfUpaI/AAAAAAAAAtQ/mO4J5pu7T28/s400/presepio.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;Gasto grande parte das minhas energias a procurar conteúdo para o vazio. Preciso de um rio que me leve para longe; de um tesouro que negoceie a minha salvação. Espero um milagre. Milagre que me livre da vida medíocre, dos sonhos medíocres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E depois, ao fim do dia, tão esgotado que o corpo é mais pesado que o chumbo, encosto-me ao móvel onde um presépio se equilibra, contendo figuras rudimentares. E fito aquele cenário de uma sublime ingenuidade e ternura. Seres humanos e animais em pose de serenidade. Sem qualquer pressa. Ali nada é medíocre, tudo respira plenitude. As razões, as motivações e objectivos. Nada se acotovela em busca do artificial e do acessório. Nada transpira matéria. Mas há afectos, sorrisos, comunhão, paz e humanismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O valor da profecia depende sempre da validação do tempo presente. Se a sua mensagem continua a responder às inquietações do tempo e a defender intransigentemente a dignidade humana, então poderemos estar seguros da sua mais-valia profética. Aquele presépio responde, ainda hoje, aos anseios humanos. Dois mil anos depois. No fundo, existe lá tudo o que se procura e tanta falta faz. Para o confirmar basta o silêncio recuperador ao fim do dia e um olhar de esperança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabo por reconhecer que tudo o que é exterior àquele minúsculo lugar do Universo nenhuma falta me fará se tiver tudo o que lá existe.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-7649999308260993475?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/7649999308260993475/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=7649999308260993475' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/7649999308260993475'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/7649999308260993475'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2011/12/feliz-natal.html' title='FELIZ NATAL'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-dLFrEP2imEE/Tu9rfsfUpaI/AAAAAAAAAtQ/mO4J5pu7T28/s72-c/presepio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-1597826354093987841</id><published>2011-11-10T18:23:00.002Z</published><updated>2011-11-10T18:27:11.662Z</updated><title type='text'>Bendita crise!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-jQpIV_JTqrs/TrwXP8K2YZI/AAAAAAAAAtE/GX3li2y1jqw/s1600/outono.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 379px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5673435193197093266" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-jQpIV_JTqrs/TrwXP8K2YZI/AAAAAAAAAtE/GX3li2y1jqw/s400/outono.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;Soa perto de mim o teu murmúrio. Recusamos falar, tacitamente, porque um verdadeiro diálogo faz lembrar um saca rolhas que avoluma o vazio. É melhor viver sem questionar muito a vida, as cedências, as pequenas traições que levamos à frente como uma vassoura que empurra o lixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E depois a crise mais do que economia é silêncio e mágoa perante um futuro tão tristonho para os filhos que, inocentemente, continuam a querer amadurecer. Nós que julgávamos que teríamos direito a uma velhice tão calma como o sol de fim de tarde de Verão, percebemos agora que os tempos que se avizinham surpreendem pela sua imprevisibilidade e campo de sepultura de todos os sonhos. Para onde ir quando o mundo inteiro comunga das debilidades? Para onde nos viramos agora quando um abismo nasce em redor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando chegas a casa descalças os sapatos com a mão apoiada na cómoda e a tua face exibe a tristeza da conjuntura, a tristeza das notícias que comungamos como se de uma seita religiosa se tratasse. Sentamo-nos à mesa e o som dos talheres ocupa o silêncio. Como foi o dia? Perguntei, por fim. Olhaste de forma breve para mim, sem tempo para fixares os meus olhos, e apenas sacudiste os ombros numa posição de derrota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu senti-me culpado, não sei bem de quê, e comecei a contar a história do meu amigo Borges que ao fim de tantos anos está na eminência de regressar ao desemprego, um lugar já familiar para ele. A empresa de venda de peças de automóveis não pode competir com outros que usam material de contrabando e passam os dias a olhar para a porta da entrada a rezar para que alguém surja, lhes faça perguntas e mostre interesse nalgum objecto. Uma loja tão arrumada e limpa como se vivesse lá gente e utilizasse aquelas peças para qualquer coisa de útil. Já viste?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tu franziste a face como fazes quando a melancolia te exige um sinal, um sinal gráfico que já não necessite de ser explicitado por palavras. Concordo que as palavras estão gastas, apenas são necessárias para que o jantar não seja apenas apunhalado pelo ruído dos talheres. Um som tão metálico que fere os ouvidos, que castiga o silêncio como uma sombra negra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E depois arrumamos a cozinha, dividindo tarefas ao meio para terminarmos ao mesmo tempo e sentamo-nos perto um do outro a ver televisão. Não dizemos mais nada porque cada vez mais é difícil falar sem nos repetirmos ou depararmos algo digno de nota. A vida é que exige recapitulações e justificações. Temos que argumentar pela sua validade, bondade, apresentar-lhe projectos aliciantes como um estudante responsável. E sempre o fizemos. Agora já nos faltam argumentos, como se fosse um erro continuarmos a querer gostar da vida, e a gostar de nós através dela. As notícias são péssimas para quem quer ser optimista. As novidades lá de fora não ajudam nada quem está dentro. Somam-se fendas, dívidas incobráveis, sacrifícios atrás de sacrifícios para quem tem alguma coisa. Somam-se futuros sem vergonha, futuros que não se desejam a ninguém, nem aos piores inimigos&lt;br /&gt;E tantos dias passaram assim que lhes vamos perdendo a conta, como os velhos que perdem a memória ainda antes de terem razões físicas para isso. Quebras o som monocórdico da televisão e apenas dizes de forma aborrecida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Isto não pode continuar, Luís!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pois não, respondo logo, mesmo sem saber o contexto. Seja isso o que for, sei que não podemos continuar assim. Mas espero que clarifiques, espero ansiosamente que não fique no ar a declaração, pairando sobre nós a sombra da indefinição. Apenas cinco palavras que sintetizam tudo, tudo aquilo que nos faz regressar a casa todos os dias. E após a tua declaração de princípio e o silêncio a seguir, o som da televisão parece que se elevou ao nível do ruído dos talheres ao jantar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sabes que temos que mudar de vida, não sabes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sei. Respondi logo para que não restassem dúvidas perante o meu acerto, a minha clarividência. Mesmo não sabendo ao certo o que ela queria nomear, eu tinha a certeza que fosse o que fosse a mudança era uma exigência. Não sabia qual. O casamento? A falta de dinheiro? A falta de entusiasmo? Pois é, não há salvação para nós, pois não? As contas avolumam-se e os saldos negativos na conta bancária tornaram-se a norma. Terei de encontrar um segundo emprego. O Carlos falou-me numas horas como portageiro da Brisa, ou poderei fazer uns biscates no IKEA. Pagam mal, mas sempre será uma pequena ajuda para nos equilibrarmos. Ah, também prometo diminuir as horas de futebol ao fim de semana. Tens razão, isto já nem é casamento nem é nada! Uma espécie de limbo onde vagueamos sem rumo. Mas não somos já demasiado velhos e pesados para encontrar um novo rumo? Sei lá eu, mulher, o que queres dizer …&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tens toda a razão, isto não pode continuar assim!…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Repeti com firmeza, também eu estava resolvido. Mas para quê? Poderia ser tudo, mas tudo é nada. O melhor é não especificar! E ela fitou-me longamente, olhou-me com pena, como se tivesse colocado em parênteses tudo ao olhar para esta sombra que paira perto dela como uma punição. Reconheço-lhe esse sentimento no olhar e revejo nele a minha falta de jeito para viver neste mundo dos fortes, da competição, da guerra, da afirmação de si mesmo. Também não me interesso por arte, detesto espectáculos de dança clássica e odeio ler! É isso, deve ser isso. Sou um falhado no campo da estética e da filosofia! Resta-me a esperança que ainda não seja hoje que vá colocar tudo em pratos limpos. Hesita tendo em conta a crise que habita o mundo. A crise que nos engole. Porque ninguém está imune a ela. Todos irão precisar de um ombro amigo para recostar a cabeça, mais cedo ou mais tarde. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;Bendita crise.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-1597826354093987841?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/1597826354093987841/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=1597826354093987841' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/1597826354093987841'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/1597826354093987841'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2011/11/bendita-crise.html' title='Bendita crise!'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-jQpIV_JTqrs/TrwXP8K2YZI/AAAAAAAAAtE/GX3li2y1jqw/s72-c/outono.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-8449569946166073258</id><published>2011-10-11T15:46:00.005+01:00</published><updated>2011-10-12T14:36:49.130+01:00</updated><title type='text'>A Escadaria de Pedra</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-ilUrIISF1nI/TpRXLxxUtjI/AAAAAAAAAsw/jlmBzDOEu8o/s1600/FLY-0398e.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 228px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5662246491361949234" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-ilUrIISF1nI/TpRXLxxUtjI/AAAAAAAAAsw/jlmBzDOEu8o/s400/FLY-0398e.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;Ia caminhando sem rumo, estrada fora. As cores alaranjadas do Outono, envoltas num cheiro ácido pela falta da chuva e um sentimento próximo da angústia obrigavam-no a continuar. Não se lembrava de tantas coisas importantes que gostaria de recordar e, em vez delas, restava-lhe um monte de porcarias que o atormentavam. Mas o passado é um território selvagem que não se deixa domar e o grande trunfo da infelicidade é não se dispor de interruptores para cortar com ele, pensou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando atingiu alguma maturidade deu-se conta que a importância dada a determinados acontecimentos, decisões, omissões, nada justificava pelo pouco impacto que tiveram na sua vida. Claro, fizeram mossa em determinadas alturas, mas não foram nem condicionantes nem impedimentos de nada de importante no futuro. Na grande maioria das vezes enrolar-se de forma neurótica com falhanços foi por não conseguir ser feliz no presente, seja no de hoje ou um presente qualquer do passado. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;E ao lidar de outra forma com esses acontecimentos – deixando-os cair no lixo da memória – foram perdendo a sua força e capacidade de questionar ou importunar. Lida-se com o passado como se lida com os músculos: quanto mais se exercitam mais competentes ficam, pelo contrário, mirrarão até ao seu desaparecimento caso sejam abandonados à sua sorte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parou de rompante. E se a conclusão da cena da escadaria do Politécnico há vinte e seis anos atrás tivesse sido diferente? Nessa altura, ela olhou-o com surpresa, - estava longe de casa, sem prévio aviso - afastou-se levemente da colega que caminhava ao seu lado, e em tom de confidência diz-lhe numa timidez disfarçada de abatimento que ele tinha chegado tarde (um dia, um mês, umas férias de Verão?). “Chegar tarde” sem mais rodeios, ela certificava a razão da sua própria presença e o ar desolado e o silêncio dele garantiam o acerto dela. Apesar dos anos que passaram perto um do outro, cruzados em festas, em círculos festivos, olhares cúmplices, partilha de confidências e nunca tinham falado de amor. Esses anos estavam implícitos naquela pequena conversa. Nesse dia, não teve coragem para esclarecer, ela também não lhe pediu para ficar mais tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um mês e meio antes desse acontecimento, tinham-se reencontrado em casa dela após um interregno de cinco anos. Tinha ido estudar para Coimbra, ela ficara por ser mais nova. Depois mudanças familiares impediram reencontros e voltaram a ver-se numa tarde cheia de partilha de recordações e boa disposição. Ela estava muito mais bonita do que ele se lembrava, um sorriso acolhedor e no final, no meio de tanta gente, em simples despedidas garantiu-lhe que gostaria de a ver em breve. São adultos e não os adolescentes que foram. Também gostaria muito, respondeu ela. Ela ia partir de férias em Setembro com os pais e quando chegou após semanas, algo mudara de tal forma na sua vida que lhe responde convictamente: chegaste tarde! Sem qualquer censura, apenas a constatação de que a vida ordenara a alteração de cenários. Antes, nada lhe prometera, mas ele julgara que aquelas quatro semanas nada trariam de novo, pois cinco anos também nada tinham mudado…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não foi. Então teria sido mais feliz do que foi caso a conclusão tivesse sido diferente? Naquela manhã sombria, quando o frio cortante transformava a respiração em pequeno nevoeiro que se dissipava de imediato, numa única frase, ela pôs fim a uma ilusão de amor que vinha da adolescência. Anos à espera – uma espera sem pressa, sem vínculos - e recebera uma resposta de que chegara tarde demais…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, vinte e seis anos depois, regressa à escadaria. Está ali a olhar fixamente quem desce. Jovens e mais jovens em grupos, um alarido próprio de um intervalo de aulas. Ela vem junto de uma colega como se uma operação estética lhe recuperasse face e o corpo. Ele confronta-a com aquilo que sabe dela e com aquilo que restou dele e percebe que a vida nunca é um simples corolário. A vida é sempre o que tem que ser. Cada oportunidade, cada projecto é algo de novo e não uma consequência de um fracasso ou de um êxito anterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caso contrário haveria só uma oportunidade para se ser feliz e não é assim. Qualquer resposta à vida é sempre o aprofundamento de quem nós somos e não o resultado de qualquer dissabor. Mesmo que em termos de calendário assumamos uma opção porque navegávamos ao sabor do vento, sem poiso para dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse caso já não tem qualquer sentido ficar ali ao fundo da escadaria à espera de um novo intervalo. Imaginar quão diferentes seriam os seus passos, as suas opções, as suas posses. Isso não tem qualquer sentido. Ninguém poderia viver caso isso fosse inevitável. O que o atrasou apenas pode significar que nunca poderia ter outra resposta diferente daquela que recebeu ao fundo da escadaria de pedra. Seriam impedimentos, nessa altura ou a seguir, ou meses depois…&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-8449569946166073258?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/8449569946166073258/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=8449569946166073258' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/8449569946166073258'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/8449569946166073258'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2011/10/escadaria-de-pedra.html' title='A Escadaria de Pedra'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-ilUrIISF1nI/TpRXLxxUtjI/AAAAAAAAAsw/jlmBzDOEu8o/s72-c/FLY-0398e.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-2505253283537804925</id><published>2011-09-27T17:31:00.012+01:00</published><updated>2011-09-28T15:06:18.325+01:00</updated><title type='text'>O toque do telemóvel</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-yVM3o2EBz_E/ToH7gdtR7FI/AAAAAAAAAso/0zASaJQng2w/s1600/a%2Bmenina%2Bperdida.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 224px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5657079142102985810" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-yVM3o2EBz_E/ToH7gdtR7FI/AAAAAAAAAso/0zASaJQng2w/s400/a%2Bmenina%2Bperdida.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;Era uma noite escura com um céu baixo, sufocante. Uma chuva miúda, persistente. Arrumou o carro após voltas e mais voltas infrutíferas, depois colocou o casaco sobre a cabeça e saiu a correr até ao toldo vermelho iluminado. Sacudiu a água acumulada no casaco e nas calças com a mão aberta, depois espreitou pela janela, mas ela ainda não tinha chegado. Decidiu esperar no exterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava ali sem qualquer estratégia, sem qualquer preparação, nem discursos ensaiados, nem desculpas, nem sequer objectivos a cumprir. Tinha-a convidado por impulso, após um dia complicado no escritório durante o qual o stress entranhara-se na pele e transfigurara-se nos gestos e no tom de voz.&lt;br /&gt;- Queres ir beber um copo a seguir?&lt;br /&gt;Ela olhou para ele, e após um momento indecifrável, franziu os lábios e um movimento leve da cabeça em direcção ao tecto e em seguida um gesto de assentimento. Nada sabia dela para lá da sua afabilidade, ela tinha visto vezes sem conta a fotografia das filhas dele em cima da secretária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora teria de aceitar as consequências do convite, fossem elas quais fossem. Um vulto enrolado debaixo do guarda-chuva aproximava-se em passos lentos. Já debaixo do toldo levantou o chapéu e fez-lhe um sinal amistoso acompanhado de um sorriso tímido. Entraram e soube-lhe bem o ar quente e a música suave que envolviam o espaço. Sentaram-se a um canto, numa sala ainda vazia, de imediato o empregado aproximou-se. Pediram cerveja, depois veio a conversa de circunstância, o tempo horrível, o dia caótico no emprego, a estupidez de tantas horas a trabalhar, tudo para que o constrangimento não se apoderasse de algum deles. Mas após um golo de cerveja mais prolongado, fitou-o por instantes e voltou os olhos para o copo, depois murmurou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha, se é uma questão de cama, a sério, não te preocupes! Vai directo ao assunto. Poderás pensar o que quiseres, eu não te vou perguntar nada, nem pedir explicações ou justificações. Eu alinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fitou-a estupefacto e, sem nada dizer, levantou-se e no balcão pagou a conta, regressou à mesa, pegou-lhe na mão e puxou-a de forma decidida mas meiga. Ela levantou-se sem tentar responder, sem recuar, sem colocar resistência no gesto. Em silêncio, atravessaram a chuva, debaixo do mesmo abrigo, ele com a mão por cima do ombro dela, um gesto no mínimo estranho porque ao longo dos meses que se cruzaram no escritório nenhum contacto físico existira entre eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O automóvel dela ficou no parque, agora apenas a voz dela, uma voz metálica que fazia lembrar as instruções do GPS a identificar o caminho, à direita, no semáforo volta à esquerda, depois o silêncio quando não havia alternativas ao percurso. A cidade ia ficando para trás à custa de empurrões sucessivos, causados por cores garridas ou por pequenas filas que quebravam o ritmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ordem de estacionar logo que houvesse lugar colocou ponto final à indefinição. Enroscaram-se de novo debaixo do guarda-chuva, ela agora também com o braço por trás das costas dele, e seguiram silenciosos mesmo no elevador que demorou uma eternidade a chegar ao quarto andar. Depois ao abrir a porta, um gato branco, enorme, veio cumprimentá-la, ela agachou-se e pegou nele com tanto cuidado como se tivesse medo de o partir, fez-lhe festas e aproximou-o da face. Depois colocou-o de novo no chão e fez-lhe mais festas profundas ao longo do corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De rompante, deixou a passividade, pegou-lhe com firmeza nos ombros e começou a beijá-la na boca até que ambos em simultâneo e como ao desafio tiravam a roupa e abandonavam-na no corredor, como despojos de guerra abandonados na retirada. Muito tempo depois, ao lembrar-se de um corredor parcialmente coberto por roupas em desalinho, teve a convicção de que os despojos eram eles mesmos que iam desprezando, sem culpas, colocando a vida a zeros como num regresso à infância. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;Os sons de ambos confundiam-se com o som da chuva que agora caía com mais violência e se deitava contra os estores como num assalto a muralhas. Agarravam-se um ao outro para se esquecerem, cada um por si, à procura da derrota deles mesmos, da vida, da morte, numa raiva surda contra a mesquinhez da própria vida, que dá mas pouco, que fere e retira, que alimenta mas exige sempre ponderação nos desperdícios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, muito depois, os corpos ganharam de novo a passividade e o escuro apenas decifrado pelo luminosidade acanhada que vinha da rua. Ela começou a falar de forma monocórdica, prosseguiu durante horas com os olhos fixos num ponto do quarto que não era óbvio. Contou histórias de si, cruéis, sórdidas, com tanta maldade como apenas os filmes ou os livros revelam. Como se quisesse lavar-se de si mesma, das capitulações, das falhas de amor-próprio, das inúmeras esperas sem consequência, das traições a tudo o que julgara sagrado. E ele ouviu concentrado no silêncio que envolvia a voz e na chuva que lá fora se despenhava na terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois ela interrompeu o discurso, tão bruscamente como tinha começado. Voltou-se para a parede e de imediato adormeceu com aquele respirar calmo de um sono profundo. Ele ainda aguardou uns minutos, sentiu-se vazio de quaisquer sentimentos, levantou-se, vestiu-se sem ruído, tapou-a com o cobertor e saiu pé ante pé para a rua. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A chuva parara mas imensos regatos atravessavam o asfalto com uma pressa danada e caiam nas quelhas laterais fazendo um som rouco. Caminhava sem rumo na rua deserta. A manhã começava a despontar pela tonalidade cinzenta que se intrometia na noite. Só agora se lembrava que tinha desligado o telemóvel debaixo do toldo vermelho, pouco antes de ela chegar. Fê-lo sem qualquer razão, mas agora percebia que fora uma forma de cortar a ligação à sua vida, com aquela vida que fora sempre dele, que lhe ocupava o pensamento desde sempre. Precisou de esquecer a autobiografia que andava a escrever desde há muito. Precisava de fazer uma ficção dele mesmo, de um outro qualquer que nem parecido era com ele. E assim foi, uma noite que não fazia nem nunca faria parte de si, que não sentia sua, mas de alguém próximo que entrara em paralelo consigo mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora errante pela rua luzidia, sem ver vivalma, não tinha qualquer certeza se regressava a si ou continuava na ficção em que se tornara. Ainda sem luz nas janelas, uma cidade sem ruído, tão distante da cidade diária, caótica, fervilhante de todos os dias. Nada havia ali que o ligasse ao seu mundo. Nada que lhe pudesse dar uma porta de saída. Talvez se conseguisse entrar no escritório, se à entrada encontrasse o Borges lhe desse a pancada diária nas costas e se encontrasse a sua secretária com as fotos das filhas, talvez reencontrasse o seu próprio mundo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;E o telemóvel tocou.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-2505253283537804925?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/2505253283537804925/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=2505253283537804925' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/2505253283537804925'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/2505253283537804925'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2011/09/blog-post.html' title='O toque do telemóvel'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-yVM3o2EBz_E/ToH7gdtR7FI/AAAAAAAAAso/0zASaJQng2w/s72-c/a%2Bmenina%2Bperdida.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-3461674821361055982</id><published>2011-09-07T17:23:00.009+01:00</published><updated>2011-09-28T15:08:19.185+01:00</updated><title type='text'>A menina da chuva</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 228px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5649654301788286194" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-7XjBMjpvQyw/Tmeap4HZLPI/AAAAAAAAAsg/3n5OJ61pEaU/s400/a%2Bmenina%2Bda%2Bchuva.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;I&lt;br /&gt;Sinto a tristeza em meu redor. Posso mexer-lhe, como a um candeeiro pendente do tecto. Tem um cheiro característico, um sabor ácido e um tom agudo que me acorda a meio da noite e me distrai nas suas imensas solicitações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes, camuflada como um guerrilheiro astuto, desaparece. Chego a acreditar que se foi embora de vez para outras paragens e fico aliviado pela ausência de um companheiro tão enfadonho. Dias, meses, anos depois regressa, salta-me para as costas e levo-o comigo como um fardo. O seu peso cansa-me e, por alguns momentos, sento-me a descansar de olho no céu gigante e tenho ganas de me perder nele, como em sonhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até posso ser feliz em instantes, onde a alegria e a beleza se juntam, noivos de si mesmos. Mas quando fico sozinha a olhar o mar, ou as nuvens claras que correm no céu como gaiatos, então a tristeza regressa e senta-se a meu lado, a olhar-me fixamente como a inocência. Então reconheço que faz parte de mim como outra peça qualquer minha, como a minha própria história, a língua com que falo e penso, a família.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;Não é triste ser triste. Faz parte da natureza, como não poder voar, ou ter corpo, ou não conseguir dizer a verdade a alguém sem que nos veja os olhos ou a boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;Somos feitos de tristezas. São elas que nos edificam, tal como os alicerces tornam sólidas as construções. Sem o sofrimento, a decepção, desilusão, abandono, traição, não sentiríamos densidade no ser, deste ser histórico que se vai densificando, tornando espesso, obscuro, trágico, marcado, que tem algo para dizer, para ultrapassar. Crítico, problemático, inquiridor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a vida a correr sempre de feição, ficaríamos simplórios, patetas alegres. Superficiais, limitados nos afectos, barrados nas potencialidades que a vida só põe ao dispor dos sofredores, daqueles que fizeram a recruta no dissabor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tornamo-nos tristes, mas mais sábios. Sábios tristes. Não há sabedoria sem a desilusão. E a decepção impede-nos a felicidade, aquele estado perpétuo em que tudo está ordenado, equilibrado, sem anomalias, horizontes sem mácula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III&lt;br /&gt;Deambulava pela casa sem norte. Sentava-se, levantava-se, ligava a televisão e desligava-a de imediato, pegava num livro e ainda não tinha terminado a leitura do parágrafo fechava-o com agitação. Deitava-se na cama e enrolava-se no lençol, mas o sono estava tão longe como ela própria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levantou-se de rompante e saiu para a rua enlameada e não regressou a casa procurar o chapéu-de-chuva para fazer frente à surpresa da chuva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema da tristeza, pensava ela, é ser uma pele, não uma roupa. A roupa despe-se, troca-se, a tristeza não, permanece mesmo com as lavagens. Mas ela sabia – ao contrário de testemunhos de conhecidos – sabia bem a origem daquela segunda pele. Razões tão banais quanto ridículas. Banais porque ninguém seria capaz de admitir em público que era triste por uma questão aparentemente fácil de alterar. Como se fosse triste por querer sê-lo e não uma inevitabilidade como quase todos admitem. Então aí vai. Ela com quase trinta e cinco anos sentia-se triste porque nunca conseguira tomar qualquer decisão na sua vida sem ter o aval, discreto ou formal, de quem gostava. Poderia saber o que queria e todos julgarem a melhor opção, mas tinham que dizê-lo, tinham que clarificar esse gesto. Não poderiam dizer “faz o que julgares melhor!”, não! tinham que dizer “acho que tens toda a razão, sem dúvida é o melhor caminho!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como é possível que sendo ela uma pessoa tão prática, tão sensata, com um comportamento tão asseado ao longo da sua vida ainda hoje precisava de uma palavra de conforto dos que lhe eram mais próximos? Estranho não é?! Mas ninguém com juízo completo poderia estar em desacordo com ela, sendo ela um exemplo tão perfeito de alguém com juízo e prudente. A interrogação sobre o que pensavam era um acto de pura gestão de um ego que sempre sabia o que devia fazer porque sempre fizera o que os outros esperavam que fizesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ela descendo a rua com a chuva cada vez mais violenta sobre si, ensopada até aos ossos, e cada vez mais gostando daquela sensação de pecado porque não procurava um abrigo, porque não se escondia dos olhos estupefactos dos outros no interior dos automóveis, mas entrando na chuva como num antro de bandidos que ela enfrentava com unhas e dentes que percebeu que a sua tristeza não era mais do que o resultado de uma vida ao ritmo dos outros, daquilo que eles esperavam, daquilo que ela fazia e que os fazia felizes. Mesmo no relacionamento com quem amava: os seus tempos, as suas coisas, os sorrisos, os carinhos, o sexo. Desde pequena que sempre fizera o que os outros esperavam que fizesse, mesmo que esse resultado não fosse mais daquilo que ela sempre quisera fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estranho, mas honestamente verdadeiro. Devia haver uma razão qualquer psicológica, psiquiátrica, psicofisiológica, psicomórfica ou outras razões iniciadas em “psico” que ela não conseguia agora identificar. E riu-se com essa procura sem nexo por palavras iniciadas nestas cinco letras que davam tanto trabalho a profissionais da área. Com o passo acelerado, os sapatos a boiar na água das poças, os olhos no céu escuro, escorrendo água pelos cabelos castanhos encaracolados e um sorriso no rosto que começava a clarear-lhe a face. &lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-3461674821361055982?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/3461674821361055982/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=3461674821361055982' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/3461674821361055982'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/3461674821361055982'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2011/09/menina-da-chuva.html' title='A menina da chuva'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-7XjBMjpvQyw/Tmeap4HZLPI/AAAAAAAAAsg/3n5OJ61pEaU/s72-c/a%2Bmenina%2Bda%2Bchuva.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-4098965620294994870</id><published>2011-07-27T10:02:00.005+01:00</published><updated>2011-07-27T10:07:08.226+01:00</updated><title type='text'>Corredores sombrios</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-r2D4yzOBlY0/Ti_Uj7KoXqI/AAAAAAAAAsY/z-Cv8dKsPgE/s1600/corredor.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 398px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5633955372506570402" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-r2D4yzOBlY0/Ti_Uj7KoXqI/AAAAAAAAAsY/z-Cv8dKsPgE/s400/corredor.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Sempre a sensação de estranheza perante o lugar que se ocupa. Nada chega a ser familiar porque há sempre a consciência de não ser daqui. Não ser de lado nenhum. Mesmo que tente não consigo delinear o processo causal que me guiou. Não me lembro do itinerário e se quisesse fazer o caminho inverso seria impraticável. Como perceber que pertenço a este chão de pedra reluzente, velha e escura onde vagueio? Nesta solidão consentida, onde apenas se sentem os passos ruidosos e os pensamentos emparedados e monocórdicos. E o tempo, os minutos que se arrastam tarde dentro, como as sombras escuras da praça. Sombras que parecem figurantes de filmes mudos, ora divergem ora se cruzam sem se olharem, como se seguissem normas severas de um ordenador escondido sob os arcos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Não há premonições na vida, as coisas acontecem. A vida não é feita de horizontes fixos. A vida é espessa, densa, construída por paisagens indecifráveis e selvagens. Recupera-se a vida na luta diária pela afirmação, pela recusa em ceder ao mais fácil, fuga ao gasto, à repetição sensaborona, ao hábito, ao desgaste permanente. Só assim se restaura a beleza que se vulgariza na repetência da sua aparição. Como se pintássemos a vida de cores vivas e garridas cada vez que ocupássemos um novo posto. Um posto de vigia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;E depois volteio-me e nada é familiar. Fui arrancado de um colo e sinto-me num colégio interno. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-4098965620294994870?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/4098965620294994870/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=4098965620294994870' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/4098965620294994870'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/4098965620294994870'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2011/07/corredores-sombrios.html' title='Corredores sombrios'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-r2D4yzOBlY0/Ti_Uj7KoXqI/AAAAAAAAAsY/z-Cv8dKsPgE/s72-c/corredor.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-7047542862495615253</id><published>2011-07-04T11:59:00.002+01:00</published><updated>2011-07-04T12:02:30.466+01:00</updated><title type='text'>O Cão Coxo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-nQa85slApk4/ThGdpMiVkII/AAAAAAAAAsQ/BQVwI5PGnWY/s1600/c%25C3%25A3o.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5625450740627902594" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-nQa85slApk4/ThGdpMiVkII/AAAAAAAAAsQ/BQVwI5PGnWY/s400/c%25C3%25A3o.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Talvez conheçam a experiência científica com um cavalo ainda jovem que ao pousar a pata direita no solo apanhava um choque. Pouco tempo depois a apanhar choques ficou definitivamente manco, não porque tivesse qualquer problema mas devido ao pavor. Esse reflexo mantido vida fora deve ter sido terrível, mas eu conheço outro caso ainda mais grave. Imaginem um cão, que deixado temporariamente só em casa se lembra de ladrar só para criticar semelhante desfaçatez. Como a família chegou após ele ladrar - já que ele ladra sempre que não está a família - uma, duas, três vezes, então meteu-se-lhe na cabeça - bem pequena por sinal - que se não ladrar ficará abandonado para sempre. O pobre bicho condenado a um terrível tique: a solidão obriga-o a ladrar, caso contrário, pensa ele, ficará para sempre perdido num apartamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse cão é meu vizinho e é o único ser vivo que odeio. Ele é tão pequeno que cabe numa mão, de olhar fulminante, um pelo cinzento claro, mas é de uma maldade infinita. É capaz de estar sete horas seguidas a farfalhar, em tons diferenciados conforme o grau de altercação que insere nas suas conversas. É um cão, mas não é um cão qualquer. É um demónio que assombra as tardes, envenena o ar silencioso e me retira do sério. Sento-me no sofá, tento curar o tempo com a almofada tapando os ouvidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dona do tratante é uma senhora calma que fala como medindo as palavras e com um sorriso eterno a iluminar-lhe a face. Transmite um mundo interior tão sereno que depois de falar com ela fico cheio de remorsos porque passo a acreditar que os meus problemas são apenas resultado de pecados próprios. Não sei se o facto se deve à profissão na fé das filosofias orientais ou de personalidade, mas é daquelas pessoas que impede qualquer zanga porque a zanga esbate-se na sua calma visceral. Dessa pertença a crenças orientais resultam, com alguma frequência, vozes em uníssono, umas vezes como aquele som agreste de um navio que sai do porto, outras vezes um som em crescendo como um vento que entra pela frincha da porta. Mantras recortados por uivos do cão deixado no corredor para não conspurcar cerimónias espirituais e profundas! Para quem ouve é a presença mista de espíritos bons e malévolos…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há momentos que tenho pena dele. O seu ladrar contínuo remete para maus tratos, como se os donos o devessem levar para todos os seus afazeres ou revezando-se para nunca o deixar sozinho, cumprindo assim as suas obrigações filantrópicas. Depois lembro-me outra vez do cavalo que ficou manco para toda a vida. Não me levem a mal, mas preferia um cão coxo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-7047542862495615253?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/7047542862495615253/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=7047542862495615253' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/7047542862495615253'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/7047542862495615253'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2011/07/o-cao-coxo.html' title='O Cão Coxo'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-nQa85slApk4/ThGdpMiVkII/AAAAAAAAAsQ/BQVwI5PGnWY/s72-c/c%25C3%25A3o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-8644736067213941905</id><published>2011-06-24T18:58:00.004+01:00</published><updated>2011-06-27T17:43:57.189+01:00</updated><title type='text'>Anos Oitenta</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-ICEDLECKfzE/TgTRDGzjkZI/AAAAAAAAAsI/xEDdTfQfBXw/s1600/anos80"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 341px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5621848086161887634" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-ICEDLECKfzE/TgTRDGzjkZI/AAAAAAAAAsI/xEDdTfQfBXw/s400/anos80" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;- E o que fazer com o tempo para que não se desfaça entre os dedos? – Perguntou-lhe ela mas sem o fitar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não sei, talvez fazer algo de que nos orgulhemos, a nível pessoal, profissional…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha, como a sociedade está, tenho as minhas dúvidas. Hoje é tudo demasiado desinteressante. Profissionalmente, falta paixão, falta poesia. Já ninguém fala de realização profissional, fala-se de ordenado ao fim do mês! Depois os amigos estão pouco disponíveis, intrincados nas crises e na falta de dinheiro. Até os filmes são mais chatos! Não percebo o que se passa…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ou isso ou estamos a ficar velhos! – e riu-se com aquele ruído tão característico dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nisso também penso e a idade vai deixando marcas cada vez mais profundas – Colocou a mão na testa como se culpabilizando. – Mas não compares esta gente nova com os da nossa Geração de Oitenta. Tinham muito que aprender connosco, a curiosidade, o vigor, a vontade de emancipação, o sonho, a luta pela autonomia face aos pais, aos bancos, ao Estado…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não sei se concorde contigo! – Após um breve silêncio, enquanto abanava a cabeça e fazia o tique característico com os lábios. – Não acho que fossemos mais felizes do que esta gente toda que anda à procura de um caminho. Também andávamos à deriva, na demanda de bom sexo, da alma gémea, das viagens a Amesterdão, Londres e Paris, de bons livros… No fundo, cada geração repete sempre os erros, os percursos, os ideais das anteriores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Concordo apenas em parte. Lembra-te que em oitenta isto tinha acabado de dar uma volta com o 25 de Abril e havia muita poesia no ar, muito terreno para desbravar, leituras e filmes novos que nunca mais acabavam. E já agora, encontraste tudo o que procuravas? – Com um sorriso malandro e um olhar vivo, meio assustado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quase tudo, mas nem tudo ao mesmo tempo! – Ela riu-se com vontade. - E hoje vejo-me sozinha e tenho saudades dessa busca, na maioria das vezes inglória. Sabes, perdi a vontade de procurar e tenho a certeza de que nada de bom me vem cair no colo. Desisti. Sei que é um erro, mas admito-o e resigno-me às consequências. – Fez um sorriso triste, como se estivesse a olhar o filme da sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas és tão nova e tão bonita! – Disse ele com convicção. – É uma fase, qualquer dia estás pronta para outra!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não acredito. Como te disse, decepcionei-me com os amigos, com o sexo, com os livros, com os amores. Agora sinto-me bem sozinha. Claro que nalgumas horas e nalguns dias sinto nostalgia e queria ir embora daqui para fora, sem destino. Mas na maioria do tempo sinto-me cómoda e resignada à minha condição de individualista impedernida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Incrível! Para mim a solidão nunca foi uma solução, foi sempre uma espera. Talvez seja a minha maior vulnerabilidade, a mais absoluta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pois é, mas hoje tu tens um casamento calmo. Ainda te invejo por isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sabes que não é simples manter um casamento, como nada é simples na vida. Às vezes julgo que as forças que o mantêm firme são idênticas às forças que o repelem. Há uma simetria entre aquilo que o fortalece e o que o ameaça. Não sei como te dizer isto…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Julgo que percebo. Mas mesmo assim tens sorte. A solidão numa idade como a minha nunca é uma escolha, mas o resultado de inúmeros factores, personalidade, biografia, colapsos, moléstias. É um sinal de que algo de errado se passou. Comigo aconteceu. E digo-te que foi terrível quando descobri que era uma inevitabilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas com a pessoa certa, seja lá o que isso for, não achas que tudo seria diferente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não há pessoas certas se tu não estás suficientemente resolvido. Qualquer um levantará poeiras e serão inevitáveis os conflitos, as mágoas, os bocejos…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Falas como se fosses diferente dos outros e não possas aguentar uma relação. Não te esqueças que nos conhecemos há séculos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Talvez a diferença com os outros esteja na minha incapacidade de prescindir do que é meu. Sou muito possessiva em relação ao meu espaço, às minhas coisas, aos meus silêncios. Dizem-me para fazer uma psicoterapia, mas não acredito muito nessas mezinhas! Apenas acredito que a solidão é o resultado de mim mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas volto a dizer-te que te conheço há muito tempo e não aceito essa tua conclusão. És simpática, tolerante e solidária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Agradeço a tua estranheza! Mas viver com alguém não significa apenas conseguir relacionar-se com os outros do ponto de vista social. Ao partilhares a intimidade, não partilhas apenas afectos, mas também olheiras, cheiros, manias, excentricidades, preconceitos. A vida em comum exige uma infinita maleabilidade, tolerância, fazer de conta que não se percebe, paciência infinita e generosidade. Qualidades que tenho em grau ínfimo, sou sincera. Diariamente e de forma obsessiva olhava os defeitos do outro como facadas à minha pessoa, como algo de pessoal. Como se algum ódio escondido o fizesse tratar-me mal e atingir-me nos meus pontos fracos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não percebo. Dá-me apenas um exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sabes como sou obsessiva com a ecologia, a defesa dos ecossistemas e coisas do género! Agora imagina a cena. Quem vive comigo não separa os lixos, bebe uma cerveja e coloca no saco do lixo normal, após ler o semanário inunda o cesto… Primeiro faço uma admoestação, depois comento ironicamente, depois grito, até que um ódio sem limite me invade quando dou com outra garrafa de cerveja no saco onde estão as cascas de fruta. Achas isto normal, achas?&lt;br /&gt;Mas dou-te outro exemplo ainda mais parvo. Ganhei o hábito de me descalçar quando entro em casa e calço chinelos. Japonesices!!! As pessoas na sua maioria não estão para isso, tento demovê-los, depois como não resulta insulto-os e por fim ponho-os fora de casa. Claro que a casa é minha e desculpo-me que já não tenho idade para ter paciência para os outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas com negociações é sempre possível chegar a um acordo…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desculpa! – interrompeu-o com firmeza. – Há questões básicas que não dão direito a negociação. Sei lá, a higiene pessoal, respeito pela vida e pelo corpo, civilidade, consideração pelos outros. Percebeste porque não dá certo?!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, segundo o teu ponto de vista. Mas eu não sou tão severo. Teremos de fechar os olhos, ser pacientes, negociar tarefas, definir prioridades e estabelecer limites às paranóias de cada um. Imagina as cócegas no sistema nervoso que as tuas neuras provocaram naqueles que partilharam o teu espaço?! – E riu-se com vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas alguns, como dizes, aguentam sem queixas os humores, as crises, as artroses, os maus odores, os desleixos dos outros. Aguentam a agonia lenta das relações com comprimidos e chás de galinha! – Era ela agora que dava gargalhadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Também não exageres. Porque é que julgas que o casamento tradicional está em crise? Mas tu apenas julgas ter a explicação cabal para os teus fracassos. Eu julgo que é um bom ponto de partida para uma boa relação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela abanava a cabeça vagarosamente, mas já não respondeu. Colocou os joelhos junto ao queixo e virou-se para o mar de olhos fechados. Poucos minutos depois, ele apertou-lhe o braço, pediu desculpa por ter de se ausentar e percorreu a praia deserta com os sapatos numa mão e em passadas miúdas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-8644736067213941905?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/8644736067213941905/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=8644736067213941905' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/8644736067213941905'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/8644736067213941905'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2011/06/anos-oitenta.html' title='Anos Oitenta'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-ICEDLECKfzE/TgTRDGzjkZI/AAAAAAAAAsI/xEDdTfQfBXw/s72-c/anos80' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-8070555897703466191</id><published>2011-06-16T10:39:00.004+01:00</published><updated>2011-06-16T20:36:04.473+01:00</updated><title type='text'>Resposta adiada</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-SPam0ioD0js/TfnSCojHT_I/AAAAAAAAAsA/jegAS5LHe4Q/s1600/namoro.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 258px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5618752952807673842" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-SPam0ioD0js/TfnSCojHT_I/AAAAAAAAAsA/jegAS5LHe4Q/s400/namoro.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;- Mas aceitas ou não a proposta? É pegar ou largar. – Disse-lhe semeando o sorriso mais claro que conseguiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E dás-me em troca o quê? – O gesto com as palmas das mãos viradas para o céu tanto poderia significar dúvida como abertura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A vida. Nada mais tenho de valor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Isso é muito pouco! – ela esboçou um uma gargalhada breve e mordeu o lábio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas o que querias, dinheiro, viagens?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nada disso, meu querido. Queria o vento, o ar, a cura para este tédio hediondo que me estraga os dias e faz-me temer o futuro. – Compôs o rosto sério e gestos firmes, como para não restar dúvida perante a firmeza da afirmação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas isso não posso prometer. Mas darei o melhor de mim para te ver feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- És palhaço? – De rompante, como se tivesse lembrado de uma questão essencial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, infelizmente! Aliás, os palhaços são tristes. – A surpresa via-se espalhada na cara como um rubor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Poderão ser amargos, mas fazem os outros felizes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- No entanto, julgo que tenho sentido de humor. – Como a desculpar-se da falha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Preferia um palhaço, mas do mal o menos! – Só poderia dizer sim a alguém com sentido de humor. A única forma para eu terminar as minhas guerras é através de larachas! Sabes, como sou terrivelmente competitiva, sem o sentido de humor não consigo desmobilizar numa discussão. Ora, imagina um relacionamento comigo tudo muito sério! - E depois de um pequeno interregno. – E tens falta de quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- hummm. – Olhou para o tecto – algo que não tenho, de certeza absoluta, é ambição! Não tenho qualquer meta, vivo o dia a dia… fez um trejeito dos lábios como se a declaração lhe provocasse cólicas…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas o que significa isso?! – Espantada, tal como ele previra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que o tempo não pode ser desaproveitado com chatices permanentes, reuniões demoradas e inconclusivas, idas frequentes ao centro comercial, fazer sala com gente desinteressante, ver programas de televisão estúpidos, hibernar entre quatro paredes, viajar mais do que meia hora seguida na internet, perder tempo com livros previsíveis, passar dias inteiros a esturricar ao sol, sei lá…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vê-se que tens a lição bem estudada! – e riu-se ruidosamente e os cabelos taparem-lhe momentaneamente o rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Já tive que as enumerar algumas vezes!... E já tenho idade para me sentir seguro nalgumas coisas… - Agora era ele a fazer um ar austero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sabes, às vezes gosto de ir a centros comerciais e gosto de alguns programas estúpidos das televisões… – sorriu timidamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Podemos ter duas televisões, se quiseres… Ou não ter nenhuma. – E depois ele endireitou as costas, querendo aparentemente dar um novo rumo à conversa. – Mas falar de qualidades pessoais torna-nos ridículos. Há muito mais humanidade nos gestos e na pose quando assumimos as nossas fragilidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Concordo contigo. Mesmo quando tentamos amenizar o discurso é patético elogiarmos aquilo que somos. Aliás, detesto que os outros me ofereçam numa bandeja um retrato perfeitinho das suas ricas pessoas e que se opõe à minha figura. Que me ameaça o meu carácter. Aliás, para que queria eu um tipo ou uma fulana perfeita? – E riu-se novamente com sonoridade. E após uma pausa. - Mas também não tenho a certeza se ausência de ambição é uma qualidade ou defeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É o risco que corro! Sempre me julguei falho de ambição porque sou preguiçoso, desordenado, sem convicções que me levassem a morrer por qualquer coisa. – Riu com um ar malandro como se tivesse uma carta na manga que não queria mostrar. – Faz-me lembrar o desgraçado do Galileu que ao ser ameaçado de morte, velho como era, mesmo assim preferiu a vida e não cedeu à miragem do sacrifício como uma saída em grande para a eternidade! Queria viver e se a Terra andava ou não era de somenos importância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desculpa, mas não entendi a deixa. O que é que isso tem a ver contigo? – olhava-o com um trejeito qualquer no olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Para um tipo como eu, nada seria suficientemente importante - alguma ideia, alguma coisa, algum lugar – que o fizesse perder a lucidez ou a vida. Não vejo nada tão relevante que me fizesse trabalhar de sol a sol, ou laborar a vida inteira numa mina a setecentos metros de profundidade, ou ter dois ou mais empregos, ou ter que fazer sacrifícios incalculáveis durante um tempo indefinido…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nem uma mulher? – Um trejeito no olhar dela que identificava a rasteira.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;- Não, se ela me exigisse mais do que lhe poderia dar…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É pouco romântico, mas julgo que tens razão. Poderá ser que em situações extremas se possa ter atitudes nobres e aventureiras, mas não tem qualquer sentido uma vida de esforços sobre-humanos por algo ou por alguém...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas vamos ao que interessa. Queres ou não embarcar comigo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela apenas sorriu e demoradamente concentrou o olhar no horizonte límpido como cristal. Ao longe, as casas brancas que desciam a serra em passo lento, mais perto as árvores verdes tão imóveis como uma pintura. Depois fixou os olhos nele e disse-lhe:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Amanhã digo-te!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-8070555897703466191?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/8070555897703466191/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=8070555897703466191' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/8070555897703466191'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/8070555897703466191'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2011/06/resposta-adiada.html' title='Resposta adiada'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-SPam0ioD0js/TfnSCojHT_I/AAAAAAAAAsA/jegAS5LHe4Q/s72-c/namoro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-4669787197767849250</id><published>2011-06-08T09:21:00.003+01:00</published><updated>2011-06-08T09:24:48.210+01:00</updated><title type='text'>Despojos Humanos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-1TealJOVy7o/Te8xiJOIZrI/AAAAAAAAAr4/zqmV_QGxc5U/s1600/776617.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5615761723014801074" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-1TealJOVy7o/Te8xiJOIZrI/AAAAAAAAAr4/zqmV_QGxc5U/s400/776617.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Um fim de manhã com imenso calor. Não tenho dúvidas quanto ao local, bem junto à rotunda ladeada pelo edifício da câmara municipal. Não consigo desenhar-lhe o rosto, apenas me recordo da sua elegância, cabelos castanho escuros e sorriso cativante. Encontramo-nos por acaso após semanas de um voluntário e doloroso afastamento. Apaixonara-me por ela, mas após avanços e recuos, desculpas e inúmeras justificações, tive de admitir a derrota. Naquele dia, após lhe ouvir as queixas de dores nas costas que lhe importunavam os dias sem me comover compreendi que era mau sinal para quem já tinha amado. Poderia agora seguir em frente e minha vida estava pronta a recomeçar precisamente no sítio onde a tinha deixado alguns meses antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma ínfima história na minha biografia. A nossa memória é um baú de fantasmas sem nome nem rosto, outros com nome e rosto mas actores com um papel mal delineado. Desde logo não conseguimos destrinçar a sua importância no filme que é a nossa vida, fazendo lembrar suspeitos de crimes ainda não cabalmente resolvidos e cujos dossiers permanecem suspensos sobre a secretária do inspector. Por isso continuam a assombrar-nos porque há feridas, nódoas negras, cicatrizes e espaços em brancos como se por sua causa andássemos a pairar na vida durante uma infinidade de tempo, enquanto sofríamos a solidão a enrolarmo-nos como um cobertor. E para que queríamos a liberdade, a juventude e o vigor se aquilo que dava sentido à vida tinha seguido outro rumo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Soma e subtracção de gente que ficou ou se afastou. As vitórias, as decepções, as rupturas. A vida. Fechamos fases e ressurgem outros rostos, nomes, simples paisagens, figurantes que surgem e desaparecem, enquanto se desenrola a história já com outros protagonistas. Muitas vezes não nos lembramos – ou preferimos não nos lembrar – das semanas ou meses que por causa deles andámos tão amargurados como náufragos, tentando encontrar pontos de salvação, mas faltam-nos dados seguros quanto à responsabilidade da culpa, o muito que ficou por dizer, o muito que foi dito e que deveria ter ficado por dizer…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos assim um campo de despojos humanos. Rejeitados, abandonados ou sobranceiros e orgulhosos da nossa liberdade. Crónica de partidas e chegadas, de reatamentos e lamentos, de dúvidas e revisões, de promessas, juras e despedidas… E temos saudades da maioria delas, mesmo que o fim da história não seja dignificante. O problema é que a nossa vida já não decorre em aldeias onde as pessoas permaneciam e se deixavam revisitar, mas no meio de um mundo onde as faces vão-se desfazendo como as pedras à custa da erosão. Será que também nós assombramos as suas vidas ou pelo contrário fomos apagados da memória como aqueles textos que jogamos no lixo pela sua inutilidade? O problema é que nas guerras só contam os vencedores e de quem jaz nos campos de batalha apenas restam lápides com a data da sua morte… &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-4669787197767849250?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/4669787197767849250/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=4669787197767849250' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/4669787197767849250'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/4669787197767849250'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2011/06/despojos-humanos.html' title='Despojos Humanos'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-1TealJOVy7o/Te8xiJOIZrI/AAAAAAAAAr4/zqmV_QGxc5U/s72-c/776617.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-6246549054286472103</id><published>2011-06-02T11:28:00.001+01:00</published><updated>2011-06-02T11:34:16.669+01:00</updated><title type='text'>Trovoadas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-yIQ7kZHHNcc/TedmItoSjZI/AAAAAAAAArs/AyA9KjNcpr8/s1600/trovoada.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 267px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5613567760414182802" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-yIQ7kZHHNcc/TedmItoSjZI/AAAAAAAAArs/AyA9KjNcpr8/s400/trovoada.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Subia o IC22 num fim de tarde. Nuvens ameaçadoras a noroeste e céu límpido nas outras direcções. As margens da estrada forradas num tom amarelo-torrado, cortado aqui e ali por árvores de folhas tão verdes que parecem artificiais, manhosas, como se gozassem com a desgraça alheia. Um cenário resultado do tempo mórbido, com constantes rumores no céu, o tom abafado das horas, a respiração ofegante da noite que ora exige que o corpo se tape como depois ordena que se alivie do calor. Voltas e reviravoltas, como se o próprio universo andasse a contorcer-se para encontrar a posição certa que lhe permita o descanso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um ambiente sufocante que reforça a inquietação perante o futuro. Nós que procuramos sempre o certo em vez do indefinido, que preferimos o pouco em vez de nada - afectos misturados com culpas e decepções em vez da solidão, empregos seguros e mal pagos em vez de horizontes entusiasmantes mas temporalmente datados - nestas alturas de profunda crise social e espiritual, julgamos que essa prudência toda não basta porque o mal tem poderes que a transcendem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cá em casa o clima é comparável. Há demasiado ruído, demasiadas acusações, demasiados embaraços. Falta sempre dinheiro. Ela não perde conjuntura para me incriminar, apesar do horário de doze horas na Gráfica. Sou mal pago é certo, mas ela lamenta-se de um marido pouco ambicioso e tão pouco preparado para uma sociedade competitiva. Diariamente, centenas de livros escorregam pelas minhas mãos, abro-os e liberto-lhes odores furtivos, percorro as páginas como um invisual e às vezes sinto pena de não ter tempo para os ler, talvez me tornasse melhor pessoa e mais perspicaz. Restam apenas algumas frases das lombadas ou pequenos resumos na contracapa, como na semana passada uma sentença enigmática que fixei de que somos felizes quando andamos ao sabor do mundo, quando nos encaixamos serenamente na ordem cósmica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A crise e as recriminações obrigam-me a procurar ao fim de semana um trabalho que acumule proventos. Sou pintor de interiores já conhecido no bairro e na maioria das vezes os donos afastam-se e dão-me liberdade para uma renovação a meu gosto, na escolha das cores e reajustamento dos móveis. Em vez do habitual, sombrio e pomposo branco-cor-de-ovo misturo cores, algumas garridas que se alteram de acordo com as horas do dia ou mais sombrias que promovem o recolhimento, descubro luas e sois nos quartos dos miúdos, nuvens claras como algodão nas salas de estar, campos verdes pontuados com o amarelo das flores silvestres nas cozinhas, um tom mais intimista das florestas silenciosas nos corredores, como se fosse possível transportar o mundo e a variedade de horizontes para dentro de casa. Quando regressam, é frequente os proprietários terem ataques de pânico, alguns falta de ar, outros lançam-me ameaças com fogo nos olhos e exigem tudo como estava, outros choram de emoção como se sentimentos cruzados lhe impedissem de ter uma opinião mais lúcida. Depois, a maioria vai-se habituando a uma casa que é o espelho da vida, às vezes carregada de escuridão e outras aberta à luz e salpicada de cores tão galhofeiras como as árvores que desfilam nos campos com fatiotas que se alteram com as estações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chego sempre a casa esgotado e o silêncio percorre a casa como um vulto. Afundo-me num sofá com as pernas dormentes e numa respiração cavada e ofegante. Apenas quero ganhar o sono como prémio. Lá fora o mundo continua a revolver-se como se estivesse às voltas com problemas de insónia e os últimos raios de sol iluminam a sala como punhais certeiros. Depois ouço os passos leves dela que sai do quarto dos miúdos e senta-se desamparada junto a mim queixando-se que apenas adormecem com ela junto à cama; depois como é extenuante dar-lhes atenção o dia inteiro; depois queixa-se que o dinheiro se esgota e que não sabe o que fazer até ao fim do mês; depois queixa-se que nos fins-de-semana nem séries de jeito dá na televisão; depois lamenta-se de que eu esteja sempre cansado e queira ir dormir e não lhe faça companhia; depois queixa-se que tem tido dificuldade em descansar em tempo de trovoada; depois queixa-se que a mãe a recrimina porque se sente sozinha e pode ter algum ataque durante a noite. Sem lhe responder, levanto-me apoiando as mãos nos rins e caminho lentamente e curvado como um velho e deito-me com a janela aberta espiando a noite a estender-se sobre os prédios e o espírito esvai-se em demanda do sonho pintado em tons de azul claro, recortado aqui e ali por um amarelo-torrado que se vai alargando à medida do próprio Verão...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-6246549054286472103?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/6246549054286472103/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=6246549054286472103' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/6246549054286472103'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/6246549054286472103'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2011/06/trovoadas.html' title='Trovoadas'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-yIQ7kZHHNcc/TedmItoSjZI/AAAAAAAAArs/AyA9KjNcpr8/s72-c/trovoada.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-5978979343965995590</id><published>2011-05-03T14:19:00.004+01:00</published><updated>2011-05-03T14:26:45.399+01:00</updated><title type='text'>Tocando em Frente / Maria Bethânia</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-wyRmWG3ocZg/TcACEqsMCUI/AAAAAAAAArk/yo6VtNGZsnc/s1600/bethania.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 278px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5602480215651256642" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-wyRmWG3ocZg/TcACEqsMCUI/AAAAAAAAArk/yo6VtNGZsnc/s400/bethania.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Ando devagar porque já tive pressa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E levo esse sorriso porque já chorei demais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje me sinto mais forte mais feliz, quem sabe&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu só levo a certeza de que muito pouco eu sei&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nada sei&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conhecer as manhas e as manhãs&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sabor das massas e das maçãs&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso amor pra poder pulsar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso paz pra poder sorrir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso chuva para florir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso que cumprir a vida seja simplesmente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Compreender a marcha e ir tocando em frente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como um velho boiadeiro levando a boiada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu vou tocando os dias pela longa estrada, eu sou&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estrada eu vou&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conhecer as manhas e as manhãs&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sabor das massas e das maçãs&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso amor pra poder pulsar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso paz pra poder sorrir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso chuva para florir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo mundo ama um dia, todo mundo chora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia a gente chega no outro vai embora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada um de nós compõe a sua história&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E cada ser em si carrega o dom de ser capaz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ser feliz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conhecer as manhas e as manhãs&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sabor das massas e das maçãs&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso amor pra poder pulsar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso paz pra poder sorrir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso chuva para florir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ando devagar porque já tive pressa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E levo esse sorriso porque já chorei demais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada um de nós compõe a sua história e&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada ser em si carrega um dom de ser capaz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ser feliz&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-5978979343965995590?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/5978979343965995590/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=5978979343965995590' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/5978979343965995590'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/5978979343965995590'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2011/05/tocando-em-frente-maria-bethania.html' title='Tocando em Frente / Maria Bethânia'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-wyRmWG3ocZg/TcACEqsMCUI/AAAAAAAAArk/yo6VtNGZsnc/s72-c/bethania.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-5049604430304604532</id><published>2011-04-28T09:28:00.005+01:00</published><updated>2011-04-28T11:49:49.228+01:00</updated><title type='text'>O início da maturidade</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-WlseursioDc/TbklSvXTNfI/AAAAAAAAArc/-toeNHOtnB8/s1600/praia"&gt;&lt;img style="text-align: center; margin: 0px auto 10px; width: 400px; display: block; height: 300px;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5600548615493989874" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-WlseursioDc/TbklSvXTNfI/AAAAAAAAArc/-toeNHOtnB8/s400/praia" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Lá vamos nós outra vez. Resistimos mal aos entraves e gerimos cada percalço como se fosse a batalha final. Sofremos tanto por coisas de nada que a vida parece um sucedâneo de masmorras e continuadas sessões de tortura. Logo nós, os filhos do desperdício e do comodismo! A vida cada vez mais nos assoma como um solo minado devido às armadilhas ao livre desenrolar dos acontecimentos. Somos infelizes porque não aguentamos qualquer entrave, qualquer dificuldade que nos adie os passos. Mas a infelicidade não se desenrola em nós como por vezes poderíamos jurar. A infelicidade desenrola-se noutros cenários, iluminados por detritos amontoados e cheiros nauseabundos e em quartos brancos, desinfectados e com tubos que se prendem a olhares envoltos em névoas. Aí a infelicidade jorra em cascata e nesses locais é impossível que as pequenas coisas ganhem qualquer valor. Cada um é que sabe? Não, a forma de examinar a vida, apesar da vida ser a mesma, altera-se consoante as paisagens e ou se relevam ou não se dá a mínima importâncias às coisas fúteis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conhecia-a há muitos anos, ambos jovens com sorrisos francos e o corpo a despontar para a vida adulta. Era bonita e com um sorriso sedutor. Era difícil não nos sentirmos apaixonados por ela pelo entusiasmo perante a vida, pelos gestos cúmplices e carinhosos e pelo talento em transformar os seus próprios desejos em ambições dos mais próximos. Aquele jogo fútil de fomentar paixões através de trejeitos cativantes, como colocar o cabelo cor de trigo maduro por trás da orelha, olhares presos e conversas cheias de contactos físicos, numa proximidade que nos obrigava a julgarmo-nos parte do seu próprio mundo. Ao ausentar-se a excitação terminava como se o jogo fosse tão translúcido que não permitisse qualquer mal entendido. Acontecia comigo, uma espécie de abismo quando estava presente e me obrigava a acenos mais ou menos caóticos e a um prolongado estado de euforia e depois na sua ausência desaparecia a energia e qualquer espírito de luta ou de conquista. Uma força que rebentava tal como as ondas que desapareciam na praia até regressarem de novo. Foi assim durante uma temporada. Não me lembro quanto tempo durou a paixoneta com algumas histórias mais ou menos divertidas, até que a vida nos levou para lugares inóspitos. Estive no casamento dela, muitos anos depois ela esteve no meu até que nos perdemos de vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelas frequentes alterações de residência, acostumei-me a abandonar os amigos como casas arrendadas que trocava por outras, restando deles apenas horizontes, sonhos e narrativas. Com ela reencontrei-me por acaso em tempo de férias ao coincidimos na mesma praia num final de tarde escaldante de Verão. Estava mais magra, com o cabelo apanhado num rabo-de-cavalo, e mais séria. Mesmo o sorriso que colocou ao ver-me soou a forçado. Estava sozinha e a calma reinava à sua volta como uma auréola. Perguntei-lhe pelo marido e num tom de confidência disse-me que tinha falecido há bem pouco tempo. Ao meu ar de espanto respondeu com um encolher de ombros e um olhar melancólico perdido no espaço. Tempo não nos faltava e de forma serena contou a história pela tarde fora. E a aventura começou quando lhe foi diagnosticado um cancro no maxilar superior. No início, ainda os testes iam a meio, havia muita esperança em que tudo terminasse de forma célere, mas à medida em que os relatórios médicos acentuavam pessimismo e os tratamentos se tornavam mais continuados deixou o emprego e diminuiu drasticamente os contactos com o mundo exterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Colaram-se um ao outro como siameses e quanto mais evidente se tornava a decadência física – pelas sucessivas intervenções cirúrgicas e tratamentos de quimioterapia – mais força adquiria essa união, numa severidade obsessiva, como se nada mais contasse, nada mais tivesse sentido. A descrição física dele no final era de uma face bombardeada, um olhar cada vez mais sitiado pelo fulgor de uma terra desfeita à sua volta, mas ela sem um queixume e sem pedir a ajuda de ninguém. Aliás, expulsava literalmente quem queria intrometer-se naquele espaço de batalha, mesmo os amigos que queriam mostrar simples solidariedade eram empurrados como indesejáveis. Não queria que o vissem, que mostrassem pena ou que se sentissem intimidados com a sua nova afiguração, que recordassem dele aquela figura trágica resultado do doloroso processo. Emparedou-se com ele, segundo as suas palavras. Mesmo os contactos telefónicos abreviava-os de forma fria e arrogante e com isso criou desavenças sem fim com as famílias que queriam partilhar dores e mágoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morreu ao fim de três anos, com cerca de quarenta anos, após a luta inglória que ambos sabiam perdida desde o início. Seis meses depois ainda ela continuava a sua visita diária ao cemitério para cuidar da campa como um território privado, onde alinhava de forma obsessiva as flores com a foto, retirava ervas e conversava. Sempre soube que seria difícil o regresso ao mundo dos vivos após uma temporada tão desgastante com a morte, mas surpreendia-se com o pouco que o mundo tinha para lhe dar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olho para ela e já não encontro qualquer sinal daquela fracção fútil que brincava às paixões como se fosse um jogo natural de uma mulher atraente. A serenidade que agora coloca nos gestos e nas palavras corresponde a alguém que descobrira o sentido dos horizontes, que afinou estratégias para se sentir segura e invulnerável, que seleccionou objectivos e apenas valoriza o que é verdadeiramente importante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sol já ia baixo transformado agora numa bola de fogo que parecia prestes a rebolar montanha abaixo. A praia quase deserta, apenas aqui e ali pequenos grupos em preparativos de abandono do local e alguns pescadores isolados com sintomas de dormência. Pensei que a vida vinga-se sempre quando a queremos esgotar em jogos lúdicos e obriga-nos ao essencial, mais cedo ou mais tarde. Por uma razão ou por outra. Compele-nos a conquistar a interioridade, local de pêsames, de contrições, de manchas. O destino de atingir a maioridade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-5049604430304604532?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/5049604430304604532/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=5049604430304604532' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/5049604430304604532'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/5049604430304604532'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2011/04/o-fim-do-verao.html' title='O início da maturidade'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-WlseursioDc/TbklSvXTNfI/AAAAAAAAArc/-toeNHOtnB8/s72-c/praia' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-7849067507608074613</id><published>2011-03-31T12:18:00.008+01:00</published><updated>2011-03-31T12:42:19.720+01:00</updated><title type='text'>A Filosofia Alemã e o início do Verão</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-VjOYeQ20T-c/TZRjWp0cioI/AAAAAAAAArU/P5XH6p38cBo/s1600/1755191.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5590202278307728002" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-VjOYeQ20T-c/TZRjWp0cioI/AAAAAAAAArU/P5XH6p38cBo/s400/1755191.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;As tardes já se alongavam como massa finta, sinal de um Verão que se aproximava a passos largos. Dentro das salas o calor ia diminuindo à medida que a sombra entrava pelas janelas. A minha frente rapazes e raparigas com a cor da juventude, com a esperança esbanjada em gestos e ritmos. Gostava deles pelo seu entusiasmo, numa época em que ter médias altas significava entrar numa universidade e enfrentar o futuro. Era uma turma viva, colorida e apesar dos anos ainda me lembro de alguns rostos e nomes. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Dele lembro-me com mais pormenor. Era um rapaz alto e bem-parecido que causava evidente reboliço entre as raparigas. A sua qualidade de desportista de alta competição dava-lhe um porte altivo, apesar da personalidade tímida. Era diferente dos outros por ser mais comedido e mesmo entrando nas brincadeiras tinha uma resolução mais sensata, às vezes demasiado adulta. Aliás, esse pormenor era motivo de chacota em situações mais ou menos disparatadas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;As aulas desse período cumpriam o programa sobre o idealismo alemão e todos tentávamos encontrar um fio à meada para não nos perdermos no labirinto. Tocou a campainha para a saída. Enquanto se preparavam para sair, colocando com azáfama o material dentro das pastas e subiam de tom manifestações de descontracção, ele aproximou-se da secretária e perguntou-me se poderia falar comigo no intervalo. Com um gesto da mão direita ponho-o à vontade, mas ele murmurou que preferia esperar que todos saíssem da sala. Concordei com um encolher de ombros, arrumei os meus papeis e quando só nós os dois restávamos, ele diz sem qualquer pré-aviso: &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;- Ontem à noite estive com um amigo meu, justifique-me! &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Apanhado de surpresa olhei para o seu rosto, os seus olhos muito abertos e rugas finas em volta, a testa também com pequenos vincos semelhantes a dobras finíssimas em papel liso, expectante de uma resposta franca que encerrasse logo o assunto, ou talvez alguma sentença retirada daquela filosofia transcendental que determinava as condições de possibilidade de qualquer experiência. Naturalmente, reconhecia que a afirmação só tinha sentido pelo que não declarava, pela obscuridade que transparecia na sua face e na postura misto de medo e de confronto. Após um silêncio incómodo, pedi-lhe para repetir com receio de me ter escapado algo importante, de não conseguir libertar a totalidade do sentido daquela afirmação seca, desfecho de uma noite de tentativas atrás de tentativas para encontrar as melhores palavras, as mais simples, as mais cruas na imensa possibilidade. Uma espécie de resumo cru e enigmático de uma história longa, talvez cheia de metáforas e imagens. E ele voltou a repetir, desta vez tão clara como uma mensagem escrita.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Ontem à noite estive com um amigo meu, justifique-me! &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Deu um ênfase maior ao justifique-me como se colocasse sobre mim a obrigação moral de o entender ou de o desculpar, ou porque representava para ele a última possibilidade de sentido, a âncora a um mundo que fugira das mãos. Mas era quase tão novo quanto ele, tinha terminado a faculdade no ano anterior e faltavam-me milhentas respostas para a minha vida quanto mais dar uma solução para aquela sentença nebulosa, magoada, desgovernada pela noite, onde as palavras se foram retirando à custa de sínteses cada vez mais severas, restando meia dúzia de termos que pretendiam recuperar e substituir discursos e mais discursos, explicações, justificações e desculpas. Tudo composto e descomposto à medida que a noite se esvaía e o sol surgia redondo e lhe iluminava o quarto. Agora os olhos pareciam encher-se de lágrimas ou então era o reflexo da luz baixa que se extinguia aos poucos para lá da janela e via nele a sua condição de derrotado, de inquieto, de profundamente chocado perante a descoberta de si mesmo. Um desportista, óptimo aluno, sonho das adolescentes que animavam o espaço com os cabelos luminosos e faces rosadas e aquela solidão absoluta de perguntar a um professor em início de carreira sobre a trágica condição humana de encontrar-se só nos momentos em que mais precisa de um abraço sentido. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Pedi-lhe desculpa por não ter palavras, sentenças, fórmulas nem da filosofia alemã nem de outra qualquer conhecida que lhe respondesse a tão urgente perplexidade. Eu sou um ignorante nestas coisas da vida, meu caro! Bem gostaria de te ajudar a perceber se foi um simples gesto ou um caminho sem regresso, uma descoberta ou um impulso sem nexo. Terás de encontrar a resposta tu mesmo. E não é isso que fazemos sempre quando a vida nos empurra contra uma parede e quer ter clareza, exige segurança e nós recuamos mais e tentamos uma mísera hipótese tão frágil como porcelana… Não é pedir muito, pois não? Continuamos à procura de uma corda que nos puxe para cima, que nos traga à luz, até que percebemos que não podemos continuar a iludir-nos, a procurar justificações no lado errado. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Saiu com a cabeça baixa, profundamente decepcionado com uma resposta tão desprezível. Uma fraude aquelas teorias todas de Kant, Hegel, Schopenhauer, Nietzsche! Nenhuma se adaptava à vida real, à verdade de uma vida que se abate sobre nós. Até ao fim do ano a sua presença dentro da sala foi cada vez mais discreta, semblante geralmente inacessível e alheado. Quando eu tentava estabelecer com ele qualquer diálogo, de forma mais ou menos brusca, repelia-me e nunca em situação alguma tentou justificar-se. Nunca soube se era arrependimento pela confidência ou se me odiava por conhecer o seu segredo, aquele eco da sua sombra, sinal da turbulência que o fez andar sem rumo horas a fio. Noites em branco à procura de sinopses que o tornassem mais transparente. Ou então simples desprezo por apenas lhe apontar algo de tão óbvio como estar nele e apenas nele a definição da sua própria verdade. Como se o risco que correra em abrir o jogo tivesse saído demasiado caro perante a minha indesculpável incapacidade de responder.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-7849067507608074613?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/7849067507608074613/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=7849067507608074613' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/7849067507608074613'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/7849067507608074613'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2011/03/filosofia-alema-e-o-inicio-do-verao.html' title='A Filosofia Alemã e o início do Verão'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-VjOYeQ20T-c/TZRjWp0cioI/AAAAAAAAArU/P5XH6p38cBo/s72-c/1755191.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-5741740344714873405</id><published>2011-03-23T18:29:00.006Z</published><updated>2011-03-26T08:40:18.811Z</updated><title type='text'>Ficar e perder</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-KFUsbdPTAw4/TY2mXsBn-aI/AAAAAAAAAq8/LRW9wR74LPY/s1600/so.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5588305638521829794" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-KFUsbdPTAw4/TY2mXsBn-aI/AAAAAAAAAq8/LRW9wR74LPY/s400/so.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Ficar foi um equívoco e há erros que não os reparamos porque as contas a ajustar são demasiado pesadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos 15 anos perdi a minha mãe, origem deste vazio tão sonante como se me tivessem arrancado as entranhas. Abandonou-me como a um trapo velho e continuou a sua vida sem ter olhado uma única vez para trás. Não tenho o seu telefone, não conhece os meus filhos e tenho a certeza absoluta que não sente a minha falta. Depois morreu o meu pai e andei perdido como um doente de Alzheimer que não reconhece o caminho de volta. Em seguida, apareceste tu e deste-me de novo esperança, um salva vidas que agarrou um náufrago à deriva. Os filhos trouxeram-me um rumo, um mapa de um tesouro que busco e que me dá ânimo e vontade de persistir na pesquisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas com o tempo fomo-nos perdendo a nós. A vida é dura quando temos que a reinventar sem pistas, sempre naquele experimentalismo que nos obriga a um questionamento constante sobre opções, tentativas, erros, repetições, regresso aos erros. Começamos a ficar fartos de nada dar certo, ou pelo menos de perdurarem pontas soltas neste deambular onde os obstáculos são tão grandes que o esforço nos faz esquecer o essencial. Não quero falar de culpas, nem sequer vamos dividi-las como bons irmãos. As culpas são apenas arremessos contra a nossa incapacidade de nos resolver. Mas existem sempre, algumas tão escondidas que pisamos toda a casa, procuramo-las debaixo dos móveis, em arcas esquecidas nos sótãos e não se descobrem, apenas sentimos o seu odor, a sua presença como sombras fantasmagóricas que nos despertam a meio da noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A certa altura, percebi que te ia perder, tal como perdi a minha mãe. Agora já não me dói o silêncio dela, já não me causa desconforto a sua negação de mim, tu sabes. Mas quando me disseste que o melhor era eu sair quis ficar para tentar não desbaratar o meu mundo, para não ter que passar novamente por um deserto escaldante e, fundamentalmente, não causar aos meus filhos o vazio que tenho dentro de mim e que ninguém nem nada poderá preencher. São eles que me continuam a dar o alento para regressar aqui todos os dias como um condenado que sobe a montanha e o peso o obriga a rebolar até à base.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou a pagar caro essa opção. Quando chegas, de imediato recriminas-me por algum esquecimento, por algum atraso, por qualquer irresponsabilidade, pelo meu desleixo, pela desarrumação, pelo pó acumulado nos móveis, pela ida ao ginásio, por qualquer motivo que me obrigue a sair. Querias afastar-me e agora recriminas-me quando me retiro. Invento desculpas mesmo quando vou apenas olhar o pôr-do-sol, ou sentir o cheiro do vento. Já me acostumei às tuas palavras ásperas perante aquilo que julgas fruto da minha impaciência, da minha falta de controlo, da minha energia que se confronta com o teu permanente cansaço. Nem ligo quando criticas os meus silêncios penosos nos serões à frente da televisão. Como se as conversas banais tornassem mais razoável a continuidade de uma relação sem nexo. Não quero ser teu amigo, como aqueles que se encontram nos bares e desabafam perante dilemas que o tempo inventa e dúvidas que se levantam perante os fracassos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto menos a vida é generosa connosco mais exigentes nos tornamos. Há muito que o amor desapareceu entre nós como um lugar perdido que por mais voltas que dê se perdeu na bruma. Mas às vezes a ausência do amor não é razão para se ir embora. Há outras âncoras que nos agarram aos sítios que nos tornam seguros mesmo que a tempestade nos faça balouçar no meio das ondas. Mas no meu caso, sou sincero, percebo cada vez com mais clareza que ficar foi perder-me.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-5741740344714873405?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/5741740344714873405/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=5741740344714873405' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/5741740344714873405'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/5741740344714873405'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2011/03/ficar-e-perder.html' title='Ficar e perder'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-KFUsbdPTAw4/TY2mXsBn-aI/AAAAAAAAAq8/LRW9wR74LPY/s72-c/so.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-1619331070946263167</id><published>2011-03-19T13:42:00.005Z</published><updated>2011-03-19T15:51:57.844Z</updated><title type='text'>A primavera de todos nós</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-mnNFnTPBCkI/TYSzNPL3RII/AAAAAAAAAqk/su__XkDGKTw/s1600/primavera.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5585786477842220162" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-mnNFnTPBCkI/TYSzNPL3RII/AAAAAAAAAqk/su__XkDGKTw/s400/primavera.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Neste início de Primavera ouvimos no fundo de nós um alarme que nos obriga, mais uma vez, a pesar a vida e a estabelecermos o seu valor. Se o peso é grande e a vida é muito valiosa então a conclusão lógica é que andamos a desperdiçá-la ou a perdê-la. Se a vida pouco vale, então nada mais fazemos do que a desbaratar sem qualquer remorso. O problema é o ruído que se amontoa à nossa volta, vozes felizes, caras lavadas, corpos escorreitos, gente das revistas que, resplandecentes, reafirma a felicidade do momento, em casas cheias de glamour, viagens e um novo amor que lhes proporciona um futuro cintilante. Companheiros de corpos esculturais, amorosos nos gestos e pródigos nas promessas. Uma felicidade que se compra e vende, proporcional às posses e à ambição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É esse lado publicitário de uma felicidade que se negoceia com dinheiro, fama, beleza, que nos retira o bom senso neste início de Primavera. O corpo vocifera em emoções e suspeitamos do desperdício da vida pela rotina, pelo encolher de ombros, pelo conformismo, pelos pequenos sonhos que nos comandam o dia-a-dia monocórdico. Contraposta à vida frenética, luminosa, irresponsável, de figuras que nos maravilham na pose, na palavra fácil, na ausência de timidez, na falta de preconceitos. Naturalmente, não temos a riqueza, nem a fama, nem o corpo, nem a inspiração, nem alvoroço para requerer a vida publicitada, mas reconhecemos que com os dotes, os meios, o espírito, a experiência, a audácia, - tudo aquilo que consideramos mais-valias e que encontramos em nós - poderíamos fazer muito mais do que temos feito para renovar a caminhada, contribuindo para uma maior realização pessoal e sentimento do dever cumprido. É essa consciência que nos causa alguma melancolia ou algum desespero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto a soluções fáceis, há sempre o recurso aos antidepressivos, curas de emagrecimento, lipoaspirações, lábios, narizes e mamas novas, ginástica olímpica, tudo razões para contrariar este descontentamento primordial com a sorte que nos coube ou o maior ou menor conformismo que vamos adoptando perante as nossas indecisões. Mas haverá sempre quem exija ou se comprometa com mudanças mais radicais e maiores riscos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É essa a marca da Primavera. Não aguentamos a continuidade do tempo porque há algo em nós que nos exige um recomeço. Tal como a vida que nos surpreende, nos entra pela janela e irrompe com frenesim e com assombro. Um verde luxuriante e colorido multiforme e ruidoso. É o lado dramático de um mundo que se reconstrói a si mesmo sem uma actuação prudente e comedida, em oposição à maneira regrada como levamos a nossa própria vida. Um desajustamento tanto maior quanto, após contas feitas, maior é o deficit que descobrimos em nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há respostas. Cada um terá de encontrar a primavera que mais se ajusta à sua necessidade interior ou à frustração que resulta entre o que se tem e o que se ambiciona. Muitos sentirão a força que os impelirá a procurar o ar livre, as caminhadas, o sossego do espírito, outros encontrarão em si a urgência de uma revolução semelhante à da árvore que se veste de um verde reluzente como quem vai ao desfile com o fato domingueiro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-1619331070946263167?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/1619331070946263167/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=1619331070946263167' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/1619331070946263167'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/1619331070946263167'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2011/03/primavera-de-todos-nos.html' title='A primavera de todos nós'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-mnNFnTPBCkI/TYSzNPL3RII/AAAAAAAAAqk/su__XkDGKTw/s72-c/primavera.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-2342733317454386836</id><published>2011-03-11T09:39:00.004Z</published><updated>2011-03-11T09:45:49.628Z</updated><title type='text'>O dia seguinte</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-g3E7ATFZF4g/TXnuTUbnuxI/AAAAAAAAAqc/7PSxyAL9P1M/s1600/esperanca.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 362px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5582755228771924754" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-g3E7ATFZF4g/TXnuTUbnuxI/AAAAAAAAAqc/7PSxyAL9P1M/s400/esperanca.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Ficavam melindrados se daqui do alto da torre não lhes dissesse que fiquei orgulhoso da seu entusiasmo e da sua juventude. Têm um espírito adolescente, ansiosos por certificar que têm valor para recomeçar tudo em bases mais sólidas. Como se a vida se iniciasse sempre que lhe quisermos dar um novo rumo, independentemente da idade que temos e das opções que nos foram marcando os passos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eles apresentaram-se bem, golpeando o silêncio da sala como mestres de esgrima, enfrentando cenários inquisidores como a coragem de forcados. Nós, os espectadores que atulhavam a sala, rendemo-nos logo àquela força e poética ingenuidade. Percebemos de imediato que presenciávamos algo muito sério, algo que sai de dentro como um destino a cumprir. Nada ao acaso, nada para ser levado de ânimo leve como qualquer jogo para amenizar matérias e o próprio tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem alguns apresentaram com evidente orgulho o dossier completo com todos os passos dados, tal como uma história bem contada. Algo que se cumpriu e saiu de cena. Restaram as pinturas e as frases dobradas e furtivas como personagens do Carnaval que se encaixam em baús à espera do próximo desfile. Aquelas máscaras de gente bem comportada, diligente, apaixonada, capaz de transformar telas vazias em futuros de esperança. Invejo-os por isso. Nós os adultos (como se eles não fossem!) há muito que sentimos tédio quando se trata de apresentar soluções para o mundo. Perdemos a fé em nós e a esperança no futuro. Jogamos com as palavras como simples ecos daquilo que repetimos no passado e hoje são lugares vazios. Eles, pelo contrário, jogam na equipa da generosidade e acreditam que um gesto multiplicado por milhões tem a força revolucionária de um tsunami. Guerrilheiros convictos de que a luta resulta se todos se puserem a caminho. Para eles não são apenas palavras são lemas de vida; não são exercícios retóricos mas um caminho seguro e profético.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá fora o horizonte pintado de cinzento-escuro esconde o brilho do verde primaveril. Com sol teria feito algo mais interessante. É a minha desculpa. Queixaram-se ontem que durante a pausa do Carnaval vieram aqui vezes sem conta porque julgaram ser merecedores de uma palavra minha de apreço pelo seu trabalho, fundamentalmente pelo seu entusiasmo. Senti-me culpado pela minha falta de tempo e pelo meu descuido. Dormi mal por isso. Tinha que encontrar as palavras certas, mas neste início do dia parece que também elas se resguardam na névoa que cobre os montes. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-2342733317454386836?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/2342733317454386836/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=2342733317454386836' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/2342733317454386836'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/2342733317454386836'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2011/03/o-dia-seguinte.html' title='O dia seguinte'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-g3E7ATFZF4g/TXnuTUbnuxI/AAAAAAAAAqc/7PSxyAL9P1M/s72-c/esperanca.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-6679881912169463267</id><published>2011-02-28T10:52:00.005Z</published><updated>2011-02-28T17:17:12.482Z</updated><title type='text'>O Vírus</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-_DePRMzd0Tg/TWt-_vTwTEI/AAAAAAAAAqU/38XzuH81Joo/s1600/virus.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5578692196924673090" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-_DePRMzd0Tg/TWt-_vTwTEI/AAAAAAAAAqU/38XzuH81Joo/s400/virus.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O amor é como um vírus. Quando brota, caso não seja consumido, resiste, alimenta-se das fragilidades do portador e manifesta-se com a disponibilidade do coração. Por isso, os amores não correspondidos, ou impedidos por forças estranhas, aguentam-se, robustecem-se nos Invernos onde as noites se alongam e o espírito se aconchega nele próprio e fortificam-se nas Primaveras quando o som da natureza estremece velhas sombras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aconteceu com eles. Conheceram-se na escola primária, seguiram por caminhos tão próximos que até se avistavam das janelas das respectivas casas paternas e na adolescência a paixão nasceu e cresceu naturalmente como as gestas. Ela uma menina bonita de olhos escuros e cabelos compridos, ele um lingrinhas de corpo mas arguto e desenvencilhado nos gestos. Ainda uns miúdos e já assumiam o gosto sem reservas, como se reconhecessem neles móbiles escolhidos por roletas que o destino põe a voltear. No entanto, nada mais estava em seu favor. O pai dela, medindo as distâncias entre as ambições de um de outro - uma futura professora primária enquanto ele saído de uma família modesta mostrava tão pouco interesse pelos estudos que dificilmente iria longe – proibiu o namoro com ameaças demasiado sérias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desconheço pormenores. Sei apenas que após desavenças e peripécias várias romperam como quem corta ao meio um lençol de linho. Naturalmente, os obstáculos poderão despedaçar compromissos mas não denegam os sentimentos que os promoveram. Daí para a frente, ambos vaguearam cada um para seu lado, cumpriram prazos, inventaram empregos, casamentos, voltas e mais voltas, sumidos nas teias do tempo. Décadas depois ela divorciou-se, reformou-se e regressou à aldeia. Não muito depois e sem pacto prévio ele seguiu-lhe os passos tendo na mente que a sua hora chegara. Novamente em cenários de infância e livres de reparos, após algumas indecisões da parte dela e de algum tempo para lavar mágoas e recuperar ânimos, retomaram o tempo no momento em que se tinha quebrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Projectaram com minúcia e bom gosto uma casa de pedra e com alguma pompa a inauguraram naquele Domingo de Outono em que o sol cor de laranja no cimo da serra dava um colorido surpreendente a um dia frio como o gelo. Todos os amigos convidados sabiam a história de cor e salteado e todos brindaram para que os dois reencontrassem o fio à meada. Prometeram tudo fazer para que o mundo girasse mais devagar para reocuparem a biografia a que tinham direito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quatro anos depois um pormenor significativo veio adulterar a linearidade da história. Ele conheceu uma brasileira num daqueles encontros vazios em bares que povoam a fronteira. Falaram de anseios e memórias. De vazios. Nunca tinha viajado para longe à pergunta dela se conhecia a sua terra. E após algumas bebidas e sorrisos pagos considerou ir ao Brasil se ela lhe servisse de cicerone. E tudo ali ficou decidido, datas, reservas, dias de embarque. No caminho para a aldeia repetiu palavra por palavra a justificação que daria à mulher, sem hesitações e língua entaramelada. Teria de ir a Lisboa durante duas semanas, uma viagem para resolver várias assuntos pendentes, contas, projectos que tinham ficado mal resolvidos durante o seu anterior casamento. Telefonaria diariamente dando-lhe conta dos progressos feitos. E assim foi. No dia marcado entrou no avião como quem reencontra um trilho desconhecido e ameaçador, mas início de uma aventura digna da própria vida. Cidade da Baía, praias, espaços de perder de vista num confronto directo e constante com o cabimento medido e limitado da aldeia. Reservo outros pormenores à imaginação delirante do leitor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas semanas mais tarde regressou à aldeia num final do dia enublado. Subiu as escadas de pedra com uma mão no corrimão e outra segurando o saco. Ao mesmo tempo, fitava a serra coberta de pinheiros, familiar e triste. Trazia umas flores que comprara na cidade e o gesto tinha-lhe dado uma trabalheira para que chegassem vivas e inteiras. A escalada ia desvendando uns volumes acantonados na varanda. Encostados uns como bagagens amontoadas à porta dos quartos de hotel. À maneira que subia mais um degrau mais claras as formas e evidentes os objectos. Pressentiu de imediato o significado. Ela soubera da viagem, sem nunca lhe ter dado a entender nos telefonemas diários e longos onde lhe contava pormenores obsessivos onde andara, das reuniões nos bancos, dos negócios concluídos, dos filmes que à noite lhe preenchiam o tédio e até conversas banais com desconhecidos durante as refeições. Nem sequer descobrira um ténue sinal de desconfiança na voz quando o questionava sobre algum pormenor financeiro ou nos pedidos para aprofundar o argumento do filme da última noite e que ele inventava com desembaraço munido do suplemento cultural do jornal de fim-de-semana. Percebia agora que ao longo das duas semanas e de uma forma fria, cuidada e rigorosa, magicara a vingança e tinha armazenado tudo o que era seu em volumes cerrados por cordel amarelo em duas fileiras de cada lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tentou abrir a porta, não se lembrava de qualquer desculpa ou explicação para lhe dar. Sentou-se em cima dos volumes colados uns aos outros, olhou de novo a serra e pareceu-lhe agora um monstro verde-escuro prestes a engoli-lo. Em silêncio, lentamente, desceu as escadas embaciado pelo negrume da noite…&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-6679881912169463267?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/6679881912169463267/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=6679881912169463267' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/6679881912169463267'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/6679881912169463267'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2011/02/o-virus.html' title='O Vírus'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-_DePRMzd0Tg/TWt-_vTwTEI/AAAAAAAAAqU/38XzuH81Joo/s72-c/virus.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-6757068159502100796</id><published>2011-02-16T11:14:00.003Z</published><updated>2011-02-16T11:40:48.056Z</updated><title type='text'>Na fila do multibanco</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-ptatTXVne3o/TVux7E9oXTI/AAAAAAAAAqM/Jfu_nIvYygo/s1600/Valentine%2527s%2BDay%2B3.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 224px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-ptatTXVne3o/TVux7E9oXTI/AAAAAAAAAqM/Jfu_nIvYygo/s400/Valentine%2527s%2BDay%2B3.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5574244592303758642" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;Era um fim de tarde invernoso quando a noite começava apoderar-se das ruas. Reencontrei-te com uma camisola branca de gola alta e após te aperceberes da minha presença, sem me olhares, pediste-me para não falar contigo. Do outro lado da avenida esperava-te o teu homem de papel passado na conservatória e qualquer diálogo exigiria da tua parte desculpas ou explicações. A situação era no mínimo invulgar. Estavas à minha frente na fila de um multibanco, fruto de um simples acaso. Tinhas partido para o Sul, não te via há meses, tinham-se cortado as comunicações entre nós como se uma persistente ausência de rede bloqueasse qualquer tentativa de contacto e todo o mal se cortasse pela raiz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As razões foram mútuas e a dor poderia ter sido comungada em partes iguais, mas não foi assim. Fiquei eu com a pior parte. Enquanto eu ignorava o teu destino, tu dispunhas do meu telefone, da rua e do número do andar e sabias que eu te procurava como um tesouro deixado por descuido debaixo de um banco de jardim. A fragilidade era minha porque o meu silêncio significava não saber onde procurar-te, enquanto o teu por uma opção clara, absurda. E naquela fila lenta, numa avenida ladeada por árvores nuas e enquanto o vento frio fazia círculos em redor, alinhávamos uma peça de teatro como duas personagens estranhas uma à outra, enquanto os teus cabelos aos solavancos e ao ritmo do vento arremessavam um perfume vagamente familiar. Era um quadro sem nexo. Parecia uma cilada armada por um serviço secreto, uma prova que teria de ultrapassar para ganhar direito à maturidade, ou simplesmente uma informação que teria de dispor para continuar a viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha a garganta cheia de perguntas e desabafos e nem umas nem outros foram despejados. Já nem me lembro do seu conteúdo, foram-se desfazendo aos poucos como a tinta das casas se vai desmaiando por falta de conservação. A tua pose serena e sem qualquer gesto brusco - que poderia significar que a minha presença te causava alguma perturbação - manteve-se até ao fim. Após retirares o dinheiro e o talão, o teu olhar seguiu em frente como um soldado em formação ordenada e nem murmuraste qualquer palavra de despedida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao logo dos anos interpretei essa conjuntura de formas bem diferentes, conforme o tempo e o jeito como me fui acomodando à vida. Aprendi que o passado não tem uma única chave de interpretação mas vai acudindo em versões bem diferenciadas como no cinema, umas vezes com um céu pardacento e horizontes obscuros, noutras em tons ocres e outonais e, aos poucos, vamo-nos reconciliando com as memórias e com as faces distorcidas de quem nelas vivem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas naquele princípio de noite afastei-me com os olhos pousados no chão. Parte de mim ficava ali sepultada defronte a um Multibanco - um chão bem profano e desprotegido - e a outra parte subia a rua mecanicamente, como se apenas os pés soubessem para onde ir. Depois, durante muitos anos, segui o trilho, montanha acima, às vezes em longas esperas para que a alma não ficasse irremediavelmente para trás. Juntos chegámos à base onde me encontro.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-6757068159502100796?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/6757068159502100796/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=6757068159502100796' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/6757068159502100796'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/6757068159502100796'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2011/02/na-fila-do-multibanco.html' title='Na fila do multibanco'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-ptatTXVne3o/TVux7E9oXTI/AAAAAAAAAqM/Jfu_nIvYygo/s72-c/Valentine%2527s%2BDay%2B3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-2394051279890459063</id><published>2011-02-02T10:30:00.009Z</published><updated>2011-02-02T18:16:48.661Z</updated><title type='text'>A Tela</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/TUk1-VC-6DI/AAAAAAAAAqA/ozI6xM8FZJI/s1600/I_Wanna_Fly_Away.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 274px; CURSOR: pointer" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5569041759138146354" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/TUk1-VC-6DI/AAAAAAAAAqA/ozI6xM8FZJI/s400/I_Wanna_Fly_Away.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Não é primeira vez que dou testemunho de algo insólito que acontece diariamente, ao cair da noite. Vultos num andar vigoroso começam a chegar, repartem-se ordeiramente por corredores e sentam-se nas salas junto a outros que saúdam com evidente agrado. Alunos dos cursos nocturnos, uma espécie em vias de extinsão, mas é uma pena, pois poderemos ver neles um símbolo da própria escola: qualquer que seja o tempo, a vida é um lugar estranho, porque nada é definitivo, nada é tão óbvio como o olhar nos quer fazer crer. A vida exige-nos mudança, reciclagem, valorização, e empenho. Sabemos que pisamos terra movediça e o melhor é prepararmo-nos para o pior.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas é sempre um mistério a sua perseverança. Ás vezes, dou por mim a questionar-me se, após uma reflexão mais prudente, não irão desistir para se recolherem na sua vida, justificando que tudo não passou de um mal entendido, por falta de tempo em cuidar dos filhos, dos parceiros e deles mesmos. O resto são apenas apostas perdidas entre tantas que foram fazendo ao longo da existência. Mas este grupo é forte e coeso e nem o frio deste Inverno desgraçado lhes faz suspender planos e diminuir entusiasmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tema de debate do semestre, eleito por maioria e que nos persegue como uma sombra, é a Ecologia. Como salvar o Mundo? Pergunta formal - pretensiosa na forma mas que apenas manifesta o que cada um de nós poderá contribuir para a defesa do Planeta - que promove os debates, as pesquisas, as escolhas, as preferências. Os trabalhos práticos projectados e realizados em aula, irão não só divulgar as conclusões como promover a afirmação do poder do grupo, o seu espírito de coesão, capacidade de lidar com impasses e fomentar lideranças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi aqui que surgiu a tela de cinco metros de comprimento, por dois de largura. E agora? Nada, ninguém faz ideia do que fazer com ela, como se a noite propagasse o vírus da obscuridade. Aula seguinte. Chegaram tintas, pincéis, recortes de revistas, os lápis de carvão. Como lidar com aquele espaço inóspito à procura de um tema, um plano de salvação para todo o projecto? Saímos há séculos da escola e regressamos agora com a alma limpa, ingénuos julgando que o conhecimento fosse um pudim que se corta aos pedaços e se dá comer de atacado. Afinal, a angústia de não sabermos de cor o caminho porque nada é dado de mão beijada. Muito menos o conhecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos doze (um número simbólico, como tudo nesta peça de fantasia) à sua volta e à espera de luz, enquanto nas janelas soa o vento que suporta o silêncio e afugenta vozes e rumores dos automóveis. A noite espraia-se, há alguma tensão no ar. Um deles toma a dianteira, tem uma ideia, uma ideia ainda muito vaga, uma ideia sem corpo. Os sorrisos regressam como se tivessem saído para jantar. E se dividíssemos a tela por dois mundos, o mundo da luz e o das trevas, o mundo da ordem e o mundo do caos, mas aqui e ali ligados por pequenas veias comunicantes? Porque não fazer o mundo à medida de nós mesmos, um mundo sorridente que ultrapassou as crises, que encontrou o equilíbrio e o mundo abandonado à sua sorte que tem consciência de poder regressar aos buracos escuros por onde se escondeu e se rendeu, por onde vagueou sem rumo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os milagres acontecem. De um momento para o outro a sala transformou-se num local frenético, todos sabiam o que fazer neste esboço onde nada é definitivo e a criação é apenas a parte mais ínfima da procura. Uns desenham, outros pintam, outros recortam e colam, uns deslindam suportes de tintas, outros trazem água que liga a tinta ao pincel, outros misturam tintas porque nada no reino é transparente. E sem pré-aviso saltam golfinhos de um azul-escuro do oceano, das letras fazem-se aquários, surgem estrelas do mar com cores de outros planetas e letras e mais letras, e recortes de horizontes de uma natureza esplendorosa. Tal como num chamamento, a cumplicidade arrasta o grupo para a comunhão de vidas, desvenda-se a tela à medida da revelação de nós mesmos. Há ali vidas duras, algumas rebentaram diques, maremotos que causaram cheias e levaram tudo à sua frente, revoltas, noites em branco, reveses e vitórias celebradas com filhos amados. Daquelas vidas que se levantaram após anos e anos de resignação e desistência, feitas de golpes baixos, recomeços e votos quebrados. Ninguém os questiona, como se todos quisessem proteger quem mais sofreu, apenas os sorrisos de estar tudo bem e o grupo protegerá com todas as suas forças quem ousar ficar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tela desvenda-se. O azul do céu de um lado cobre os buracos negros, - outra metáfora das nossas vidas - um sol num canto que tudo vê, recortes de paisagens, de pessoas, de bichos e depois raios que se prolongam até ao infinito. Mas ainda há espaço de sobra, falta muito para que tudo isto tenha sentido, o facto de estarmos aqui, a estas horas da noite à volta das mesas pintando estrelas-do-mar em telas meio vazias?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos encontros seguintes mais impasses, algumas preocupações. Alguns fazem mea culpa e recordam-nos que deveria ter havido mais planeamento e uma liderança mais forte. Concordamos, mas sabemos que teremos prosseguir sobre o que já está feito porque, tal como a vida, as escolhas terão de ter em conta as opções anteriores. O recomeço não é mais do que uma sequência do passado. Até que alguém sugeriu que a metade inferior da tela poderia conter um bosque em cor de cinza com árvores descarnadas, queimadas, carbonizadas, ressequidas cujos ramos se estiram à procura da luz, uma luz que foi roubada pela parte de nós que se manteve nas trevas. Andamos limpos há dez anos, comemoramos data na próxima semana, mas nada é certo e seguro…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhámos uns para os outros e ninguém quis saber mais pormenores porque todos, de uma forma ou de outra, comungamos destes dois mundos, uma parte sombra e outra aberta aos sorrisos como uma janela para o sul de onde entra um sol grande que percorre o Planeta. Chamámos à tela “ Como Mudar o Mundo?”. Ainda só nós a conhecemos mas vai ser exposta. Será o nosso bilhete de identidade, como se os nossos nomes e a nossa vida constassem das cores e das suas próprias sombras. Cartão do cidadão, isso mesmo. Uma parte luminosa, a bem com os outros, outra lúgubre à espera de sol e água, à espera de que todos nós façamos da rua a nossa casa e façamos de nós a voz da esperança. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-2394051279890459063?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/2394051279890459063/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=2394051279890459063' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/2394051279890459063'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/2394051279890459063'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2011/02/tela.html' title='A Tela'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/TUk1-VC-6DI/AAAAAAAAAqA/ozI6xM8FZJI/s72-c/I_Wanna_Fly_Away.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-6267113294808020</id><published>2011-01-26T12:31:00.004Z</published><updated>2011-01-26T18:00:31.700Z</updated><title type='text'>As palavras da solidão</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/TUAVVxvBZhI/AAAAAAAAAp4/k6z_IyCM1Og/s1600/HEI__B%257E1.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5566472603301930514" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/TUAVVxvBZhI/AAAAAAAAAp4/k6z_IyCM1Og/s400/HEI__B%257E1.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Ontem saíste de casa, mas no fundo isso já tinha acontecido há muito tempo. Foi apenas o remate certeiro, após jogadas concluídas na perfeição. Recordo o dia anterior. Como sempre saudámo-nos com um beijo no regresso do emprego, jantámos no meio de conversas amenas, à noite fizemos amor e nem notei que o fazias em tom de despedida. Quando telefonaste à hora do almoço comunicando-me a decisão - como quem informa que chega mais tarde do emprego - não me apanhaste desprevenida porque há notícias que já as conhecemos muito antes de as olharmos na capa dos jornais ou de as ouvirmos da boca dos mensageiros pagos para o efeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É sem mágoa que me descubro. Apenas a frustração inerente a um projecto falhado onde depositei todas as minhas expectativas. Durante muito tempo olhei a minha vida junto a ti como algo tão natural como comer ou dormir e em todos os sonhos te incluía. Aos poucos fomo-nos desprendendo, ramo por ramo, tronco e raízes até que nos encontrámos sós muito antes da ruptura. Solidão não partilhada, uma solidão somada à outra, sem possibilidade de encontro. Paralelas, incomunicáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como falávamos, meu Deus! Durante as refeições, no escritório, na cama antes de dormir. Alinhei uma lista não exaustiva de assuntos aflorados na nossa última semana. Cenários macroeconómicos, medidas anticrise do governo, indignação perante o aumento da criminalidade, política internacional da China, expulsão dos ciganos em França, despedimentos de funcionários públicos em Cuba, políticos e ladrões, as cheias no Brasil, atentado em Moscovo, passagens de livros, previsões de culpas nas séries policiais, desabafos sobre o tempo frio, sobre escapadelas de fulano e beltrano, destinos de viagens, críticas e reparos às famílias e discutidas estratégias de fuga, as pequenas tragédias do nosso amigo Luís, a doença da vizinha e do pai dela, o ladrar contínuo do cão no andar de baixo e o futuro incerto… Tantas, tantas frases que conseguimos cruzar, ajustar, como se tivéssemos medo que alguma palavra nos ficasse atravessada na garganta…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal, estávamos tão sós como mostrengos no meio do mar. Imagino o prazer que te daria confidenciares sobre o teu novo amor, os seus olhos ou outras particularidades mais inquietantes, das saudades dela ao princípio da noite, da angústia que te causam as mudanças, da contrariedade em teres de olhar as situações de frente. E como eu teria gostado de partilhar contigo a possibilidade de um novo rumo às nossas vidas, de murmurar ansiedades perante a evidente decadência física, sobre uns exames médicos que fiz na semana passada e que a médica prescreveu com urgência, da vontade em partir para outro lugar onde haja mais árvores do que prédios e experimentar os odores crus da minha infância. Nada reparti contigo porque julguei ser demasiado íntimo para um estranho que há muito se afastara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora desligo a televisão e aprecio um silêncio tão forte como um abraço. Não sinto qualquer falta das tuas palavras ou das minhas, não sinto falta das conversas, não sinto falta do teu corpo, nem do teu cheiro, nem dos teus beijos, nem do teu perfume, nem das idas ao cinema aos fins-de-semana, nem dos restaurantes que frequentámos ou mesmo das viagens que planeámos. Apenas sinto a falta de um propósito de vida que alimentei durante anos e que foi abandonado paulatinamente por falta de convicção e perseverança mútua. Um projecto que me ilumine e me dê forças para sair de casa todas as manhãs e recuperar o tempo perdido…&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-6267113294808020?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/6267113294808020/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=6267113294808020' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/6267113294808020'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/6267113294808020'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2011/01/as-palavras-da-solidao.html' title='As palavras da solidão'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/TUAVVxvBZhI/AAAAAAAAAp4/k6z_IyCM1Og/s72-c/HEI__B%257E1.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-6960978257299062423</id><published>2011-01-20T17:49:00.007Z</published><updated>2011-01-20T18:02:24.565Z</updated><title type='text'>O regresso do pai</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/TTh2dFxCYjI/AAAAAAAAApw/KGWLP86v3_c/s1600/Pai%2Be%2Bfilho.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; DISPLAY: block; HEIGHT: 281px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5564327581752386098" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/TTh2dFxCYjI/AAAAAAAAApw/KGWLP86v3_c/s400/Pai%2Be%2Bfilho.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Fios do tempo. Cacos colados, mas há sempre manchas escuras, porque há fragmentos espalhados no chão que não encaixam em lado algum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tarde de um sol que picava como seringas. Encostado a sombras, tão só como a torre branca da igreja. A volta não dera em nada. Amigos dispersos, escondidos em tocas à espera de uma tarde mais amena. Chegou a casa e senta-se nos últimos degraus de granito protegidos do sol. Dentro de casa vozes familiares. Leve hesitação, depois a garantia de que o pai chegou após meses de ausência. Uma distância dorida pela sua partida extemporânea e sem idade para perceber a sua inevitabilidade. Sobe as escadas duas a duas e na cozinha pai e mãe conversam encostados à porta que dá para o terraço. Sentados tão juntos como siameses e ele não percebe porque não corre para os seus braços e o pai olha para ele como que a medi-lo e com a meiguice do olhar, mas não estende os seus. Apenas lhe acena com uma bengala de plástico cheia de bolas coloridas que fazem um ruído quando estremecidas. Ele recebe o presente com a cabeça baixa e com agradecimentos quase inaudíveis. Rapidamente a conversa afasta-se para longe dele e ele fica especado no meio da cozinha naquele silêncio que o envolverá a vida inteira. Não percebe porque, após tantos dias de afastamento, as palavras não saltam das gargantas como molas das feiras e brincam juntas até que esgotem os assuntos deste e doutros mundos onde ambos andaram enredados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E lá fora o sol parece atiçado e fere cada vez mais. Ele sai para a rua com a bengala de plástico cheio de rebuçados coloridos e abana-a para ouvir o estampido semelhante aos seixos reboludos do rio. A rua continua sem vivalma. Sente-se feliz pelo regresso do pai, mas sabe que a antiga ordem será restabelecida. Recomeçarão os medos da mãe em chateá-lo porque quando o pai se zanga o silêncio impera durante semanas, um silêncio duro, cortado aqui e ali por lamentos e o menino terá medo de o acordar após o almoço quando ele se deita no meio do corredor a apanhar as correntes de ar e sentirá a falta de palavras entre eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele chegou nessa tarde de Verão sem aviso. Foi apanhado de surpresa e não preparou convenientemente a sua chegada. Não se preparou para correr para os seus braços. Havia telefones nessa altura, claro, mas não em casa, onde não havia nada de supérfluo, onde não havia nada de belo (o que era o mesmo) porque a beleza era apenas um predicado reservado aos abastados. A beleza das roupas, da comida, dos quadros, das viagens, das pessoas, atributos de quem já tinha os cursos feitos e atingido um patamar de vida próprio da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o pai chega sem avisar e o menino não sabe se um dia terá coragem para lhe pedir desculpa da sua falta de preparação para lhe saltar para o colo. É que as palavras não surgem quando a gente quer, têm vida própria e às vezes faltam-lhe bom senso...&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-6960978257299062423?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/6960978257299062423/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=6960978257299062423' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/6960978257299062423'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/6960978257299062423'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2011/01/o-regresso-do-pai.html' title='O regresso do pai'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/TTh2dFxCYjI/AAAAAAAAApw/KGWLP86v3_c/s72-c/Pai%2Be%2Bfilho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-3412503244658712664</id><published>2011-01-13T17:23:00.002Z</published><updated>2011-01-13T17:27:06.822Z</updated><title type='text'>A Crise</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/TS81Y3X80XI/AAAAAAAAApo/MShx-1sAkvM/s1600/desilus%25C3%25A3o.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 266px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5561722766123389298" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/TS81Y3X80XI/AAAAAAAAApo/MShx-1sAkvM/s400/desilus%25C3%25A3o.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Chegara finalmente a casa. A chuva intensa e contínua, filas de trânsito intermináveis, dificuldade em estacionar na cidade desgovernada e as pessoas fartas de chatices, desiludidas. Uma desilusão entranhada e repercutida nos olhares e nos gestos rudes. Uma crise que aos poucos toma conta de tudo como uma doença silenciosa e letal. Após a euforia, alterações profundas com contornos mágicos. O conformismo e o medo. O medo perante os embaraços de um futuro mais que incerto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também ele comungava deste desalento. O dinheiro escasseava, o cartão de crédito nos limites e toda uma vida enrolada em cenários imprecisos. Um desencanto que se ia ampliando, como se ele fosse um chão alagado, paulatinamente, desde as zonas mais baixas até às mais elevadas. No emprego - até há bem pouco tempo reconhecido como o empregado modelo - as relações pessoais caminhavam para o seu ponto crítico e nada lhe garantia que o despedimento não fosse uma possibilidade num futuro bem próximo. A própria empresa, outrora forte e pujante, era agora um lugar baço e sem rumo, espaço de tensões e discussões contínuas, de apreciações cínicas e acusações de desmazelo e falta de perseverança aos funcionários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era usual chegar a casa exausto nestes últimos tempos. Notou a presença dos filhos na sala, mas os diálogos com eles eram cada vez mais breves e espaçados. Esgotara o crédito também. As suas opiniões já pouco importavam, um afastamento evidente como se tivesse peste e por medo do contágio. Colocou o casaco no bengaleiro, abriu a porta do escritório e compondo uma voz jovial “Olá meninos!” e sem desviarem os olhos da televisão e com um aceno responderam “olá, pai!” e continuou pelo corredor até à cozinha onde Ana preparava o jantar. Lançou um cumprimento, ela respondeu à saudação mas sem o fitar e sentou-se numa cadeira como que hipnotizado por aqueles movimentos certeiros e nada femininos, de manipular panelas, de cortar cebolas e alhos, pegar à vez em frascos de especiarias, e os exercícios circulares da colher de pau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longe, os risos na sala atestam a cumplicidade de irmãos, jovens e belos que sentem a felicidade tão próxima que qualquer melancolia é uma traição a si mesmos. À sua frente persistem os movimentos sincronizados como uma dança tribal, as mãos dela desafiando riscos e uma diversidade de produtos vai caindo na panela em medidas certas. No fim a tampa em cima da panela concluindo o enredo. Em pose de alheamento, ele sem qualquer tarefa definida, à espera do interesse dela, dos olhares de respeito deles, do jantar quente, da noite, do outro dia que resista à crise e que o afaste da melancolia que vai espalhando pedaços de si mesmo pela casa…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana saiu da cozinha e a dança tribal continua noutros cenários e com música diferente. Soam portas que abrem e fecham, ruídos opacos de roupa dobrada, coisas que reocupam o seu lugar natural, como se ela fosse o demiurgo daquele pequeno cosmos que ela aguenta nas suas costas. Ele há muito que desconfia das consequências daquele desassossego íntimo, de não ter lugar para onde se virar, de não encontrar em si mesmo palavras e temas interessantes de conversa que o faça cúmplice dos filhos, que o transforme de novo no homem da casa. Perdeu segurança, motivação e prestes a perder o amor-próprio. Poderia falar de si, mas quem quer ouvir falar de medo, de desilusão, derrota, desencanto! Muda-se de canal à hora do telejornal, todos fartos das palavras frias que descrevem o Mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pé ante pé caminhou para o quarto, fechou a porta e sentou-se num cadeirão junto à janela. Os dias cinzentos e encharcados persistiam como se o tempo comungasse do seu próprio espírito. A chuva miúda quase invisível bate no vidro e deixa pequenas gotículas que o cobrem como orvalho. Gotas inexpressivas, penduradas em andaimes invisíveis até que uma mais roliça vai remoinhando e avolumando-se à custa das pequenas que encontra no seu caminho descendente e cai cada vez mais rápido fazendo um sulco, uma cratera, até que bate no fundo da janela e desfaz-se no ar. Depois o percurso é de novo coberto por pequenas gotículas enquanto outras fendas nascem, crescem e desaparecem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sua vida, a vida que sempre pensou ser sua por direito próprio, está prestes a ser levada pela enxurrada, empurrada por o vento que uiva e um sulco negro forma-se no horizonte… &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-3412503244658712664?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/3412503244658712664/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=3412503244658712664' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/3412503244658712664'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/3412503244658712664'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2011/01/crise.html' title='A Crise'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/TS81Y3X80XI/AAAAAAAAApo/MShx-1sAkvM/s72-c/desilus%25C3%25A3o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-2798857943432848367</id><published>2010-12-26T15:21:00.002Z</published><updated>2010-12-26T15:25:02.080Z</updated><title type='text'>Pelo contrario, desejo a todos um Feliz Ano Novo!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/TRdd7ijAJMI/AAAAAAAAApQ/Pxkno-IqW1s/s1600/fim-deano%2B2.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 335px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5555011942852076738" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/TRdd7ijAJMI/AAAAAAAAApQ/Pxkno-IqW1s/s400/fim-deano%2B2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trabalhão que dá a felicidade! O logro é que a infelicidade (seja o que isso for!) custa menos e tem menos sequelas do que o seu inverso. Contudo, salvo nalgumas patologias, ninguém busca a infelicidade, enquanto a felicidade se descortina apenas após uma vida de trabalhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderá parecer que isto não tem qualquer sentido. É bem verdade, mas é a vida. Mais ainda nesta fase da festa-mor, a mãe de todas festas, a festa do Fim de Ano, onde a fome de felicidade se concentra nessa noite áspera de Inverno. No Natal ainda nos permitem a melancolia, aqui exigem-nos um espírito frenético em busca do paraíso. Caso contrário, será um ano perdido. Ou, melhor, dois, o que entra e o que sai pela porta do cavalo! Assim, por afinidade e à semelhança de um qualquer livro de sabedoria oriental, poderemos concluir que a felicidade nunca é dada de mão beijada, conquista-se contra o mundo, contra o sono, contra a urgência em poupar devido ao futuro incerto, contra o corpo que pede descanso e contra um espírito que já se sente velho para tanta euforia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, a largada. Após um aturado trabalho de pesquisa, de análise de preços, finalmente encontramos um hotel simpático. Estrategicamente situado frente a um rio, oferece um jantar soberbo e uma noite movimentada. Na sala de jantar, o espectáculo visual é magnífico. Pratos estoicamente enfeitados - o trabalho que aquilo não dará! - faces de índios esculpidas em melões, animais sorridentes feitos de frutas de várias cores e tamanhos, esculturas em chocolates que fazem lembrar cenários museológicos e será uma pena olhar os seus destroços no fim, mas comeremos tudo porque está pago e porque é um dia em que se pode ser feliz sem ter que pesar futuros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pares de dançarinos mais motivados espraiam-se já na pista e lembram-nos que por pouco tempo poderemos ficar na cadeira fazendo de conta que não percebemos… Muitas vezes nessa labuta pela felicidade sentimo-nos uns miseráveis, covardes, velhos barrigudos, deploráveis, insonsos, acamados…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E após momentos de alguma euforia partilhada na pista somos salvos pela proximidade do salto e dos foguetes que em breve explodirão no céu. Por baixo o rio sonolento e em cima da ponte uns comprimindo-se contra os outros pelo acanhamento do local e para melhor se defenderem do frio. Champanhe numa mão e passas peganhosas na outra, contadas com um rigor paranóico, até um apuramento final num altifalante depois todos nos abraçamos como se tivéssemos saudades uns dos outros, enquanto o mundo iluminado por milhares de luzes de todas as cores dá ao ritual um cenário de sonho. Um sonho repetido, ano após ano, até já confundo as festas, pois o fogo-de-artifício é sempre o mesmo, pode é demorar mais ou menos como tudo o resto da vida, e o rio envergonhado cheio de reflexos do fogo parece uma poça gigante de água turva e ao meu lado falam-se línguas diferentes, parece uma Babel em miniatura construída para gente feliz sem lágrimas que se encontraram por acaso naquele espaço feito à medida das suas necessidades. De serem felizes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora as labaredas em coreografias arrojadas aumentam o entusiasmo e comungo dos aahhhhh repetidos por todos com o olhar no céu e penso que o melhor é não forçar demasiado a coluna porque posso ter um problema, mas sinto-me integrado nesta vaga de calor humano, nesta corrente contínua de ventura que percorre corpos, uma espécie de hino à vida. Quanto aos votos para o Novo Ano não quero ser ambicioso, não se pode pedir muito, apenas manter-me naquele trilho de uma felicidade obtida com muito esforço porque a vida é isto, ou é pouco mais do que isto. Agora a última série de foguetes tão barulhentos que quase rebentam com os tímpanos e ilumina-se pela última vez a face gelada dos viajantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, silenciosos e com posturas de fim-de festa, todos se encaminham para os automóveis cobertos de uma neblina fria que apenas desaparece após esforço hercúleo do ar condicionado…&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-2798857943432848367?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/2798857943432848367/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=2798857943432848367' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/2798857943432848367'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/2798857943432848367'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2010/12/pelo-contrario-desejo-todos-um-feliz.html' title='Pelo contrario, desejo a todos um Feliz Ano Novo!'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/TRdd7ijAJMI/AAAAAAAAApQ/Pxkno-IqW1s/s72-c/fim-deano%2B2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-6468083822328757710</id><published>2010-12-16T12:32:00.003Z</published><updated>2010-12-16T19:10:44.113Z</updated><title type='text'>A todos, pelo contrário, desejo Feliz Natal!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/TQoHDWqfFDI/AAAAAAAAApE/w4G_H9fxYME/s1600/natal%2B4.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 301px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5551257244892337202" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/TQoHDWqfFDI/AAAAAAAAApE/w4G_H9fxYME/s400/natal%2B4.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Há uma parte de nós que odeia o Natal como sintoma de doença incurável. Há uma parte de nós que gostaria que não houvesse um Menino, uma estrela, um presépio, um chamamento. Há uma parte de nós que prefere o tempo dos relógios, minuto após minuto, horas mais horas e dias tão iguais como grãos de arroz…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que perturba é um tempo com uma tal espessura que imprime ferretes quando o atravesso. Nunca saio incólume, mesmo que tente. Fumo um cigarro na varanda, disfarço a silhueta e apago a luz para que ninguém saiba que estou por trás das cortinas, naquele silêncio tão forte que me permite ouvir a minha respiração, as vozes e o som dos talheres na casa ao lado. É como se não houvesse ninguém em casa. No fundo, não há ninguém, apenas um espectro de uma criança em calções e meias até ao joelho, sardas na cara, unhas roídas e sorriso tímido que agarra o seu Natal com mãos pequeninas como uma dádiva. Porque aí é feliz, como se não houvesse o outro tempo cinzento e cruel, o das pessoas distraídas, apressadas, resmungonas, arrogantes na sua emancipação, desligadas, casmurras e silenciosas. Não neste tempo. À sua volta a serenidade dos olhares e dos gestos, a comunhão de espaços e sentimentos e o menino sorri e ajuda a estender as filhoses e põe lenha no lume que brinca às labaredas e deixa sombras nas paredes. O cansaço invade-o naquele movimento lento da anestesia, apenas espera a missa do galo e já no meio do sermão a cabeça tomba no regaço da mãe que a afaga porque naquela noite ela não tem pressa nem tempo abarrotado de tarefas menores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um tempo que se pode saborear como uma goluseima porque tem peso e açúcar, sabe a fritos, odores que saltam para a rua como suicidas e cobrem as pessoas como um manto. Agora afasto as cortinas e olho a rua despida e luzidia do gelo que se vai formando à medida que a noite avança. Não acendo a luz - não vá alguém saber que estou tão só como um louco -atravesso o corredor pé ante pé para que os vizinhos de baixo não dêem pela minha presença e adormeço sonhando que a infância regressou como um amigo desaparecido e não sinto qualquer frio ao vestir de novo os calções e as sardas da cara fazem-me lembrar as luzes amarelas de uma árvore que nunca tive e anseio que ao acordar o Natal já se tenha ido embora e o tempo comum me leve ao colo pelo reino da indiferença. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-6468083822328757710?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/6468083822328757710/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=6468083822328757710' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/6468083822328757710'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/6468083822328757710'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2010/12/todos-pelo-contrario-desejo-feliz-natal.html' title='A todos, pelo contrário, desejo Feliz Natal!'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/TQoHDWqfFDI/AAAAAAAAApE/w4G_H9fxYME/s72-c/natal%2B4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-3785437110975830920</id><published>2010-11-25T19:08:00.003Z</published><updated>2010-11-25T19:12:34.567Z</updated><title type='text'>Recomeçar de Torga</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/TO60v0ZePMI/AAAAAAAAAo0/6Lb_5IQk43o/s1600/torga.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 347px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5543566924951993538" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/TO60v0ZePMI/AAAAAAAAAo0/6Lb_5IQk43o/s400/torga.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;" &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Recomeça...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Se puderes,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Sem angústia e sem pressa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E os passos que deres,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Nesse caminho duro&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Do futuro,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Dá-os em liberdade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Enquanto não alcances&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Não descanses.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;De nenhum fruto queiras só&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Metade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;(...)."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;                                   Miguel Torga, &lt;em&gt;Antologia Poética&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-3785437110975830920?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/3785437110975830920/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=3785437110975830920' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/3785437110975830920'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/3785437110975830920'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2010/11/recomecar-de-torga.html' title='Recomeçar de Torga'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/TO60v0ZePMI/AAAAAAAAAo0/6Lb_5IQk43o/s72-c/torga.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-7822041010394718733</id><published>2010-11-16T12:41:00.005Z</published><updated>2010-11-16T20:41:16.061Z</updated><title type='text'>O Labirinto</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/TOJ8kdKCD0I/AAAAAAAAAos/GYyUgJnxo5Y/s1600/outono+4.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5540127457362972482" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/TOJ8kdKCD0I/AAAAAAAAAos/GYyUgJnxo5Y/s400/outono%2B4.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Chegou a casa já a claridade se insinuava na noite. Sentou-se na cozinha com os cotovelos na mesa e as duas mãos em cova apoiando a cabeça. Requisitou pensamentos mas vieram muitos ao mesmo tempo atropelando-se uns aos outros como miúdos traquinas no recreio da escola, até que desistiu deles e concentrou-se na paisagem sombreada, num céu de várias tonalidades, casas imóveis, fantasmagóricas e um clarão avermelhado por trás do monte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passara a noite deambulando à procura da própria noite. Encontrara-a primeiro no cinema, depois num bar de raparigas que trocam sorrisos por álcool e mais tarde no automóvel sem destino pelas avenidas da Baixa, onde desaguam pessoas aos fins de tarde e água quando chove muito. Agora o cansaço acumulado retirava-lhe a capacidade de adormecer, como se o corpo não se deixasse domesticar após horas de libertação selvagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“ Eu não pertenço aqui, sou de uma matéria bem diferente desta. Uma alma aberta a cenários de perder de vista e não de pequenas ruelas que esbarram umas nas outras, com nomes e destinos indecifráveis, tal como num labirinto. A minha matéria-prima é um espaço sem urbanizações complexas, geometricamente pensadas, sem nomes nas ruas, apenas nomes de gente que se mistura com o granito logo pela manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal e qual o meu coração já domesticado, transformado também num enredo de afectos, cada um com a sua rua, nomes próprios, comércio e serviços, com o seu próprio tempo, as suas inquietações e eu perco-me neles sem tempo para chegar a casa. Sem tempo para decifrar quem sou sem os seus os rostos, a sua excitação, a sua incapacidade de viver sem mim. Tal como eu sem eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tornei-me num ser cheio de convicções e compromissos. Agora percebo porque eu próprio me perco na cidade que deixei crescer em mim, uma cidade sem nexo, com urbanizações clandestinas onde raramente vou e já nem me lembro de quem lá vive.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas esta foi a minha última noite na cidade e vou regressar. Irei reconstruir-me numa avenida larga, uma única artéria sem becos com fronteiras. Não irei andar em círculos até ao fim da noite com o corpo tão acelerado que não se deixa adormecer. E já não terei de esperar pela anestesia de uma luz forte que sairá do monte como um foco e que me obrigará a fechar os olhos.”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-7822041010394718733?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/7822041010394718733/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=7822041010394718733' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/7822041010394718733'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/7822041010394718733'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2010/11/o-labirintoas.html' title='O Labirinto'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/TOJ8kdKCD0I/AAAAAAAAAos/GYyUgJnxo5Y/s72-c/outono%2B4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-4373785414020825459</id><published>2010-11-11T09:23:00.009Z</published><updated>2010-11-12T08:23:31.134Z</updated><title type='text'>O Homem sem pressa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/TNu43ZFTPSI/AAAAAAAAAok/UXikiSOH6kI/s1600/sem+tÃ&amp;shy;tulo.bmp"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 267px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5538223428547591458" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/TNu43ZFTPSI/AAAAAAAAAok/UXikiSOH6kI/s400/sem%2Bt%25C3%25ADtulo.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Não poderia antever como aquele dia – ainda em plena manhã – caberia na sua história quando as contas fossem feitas. O peso e o valor que teria nas opções futuras bem como os estragos que causaria na sua relação com a vida. Sentou-se num banco do jardim, estrategicamente colocado frente ao sol outonal, fechou os olhos, estendeu as pernas e tentou concentrar-se. Ouvia a respiração profunda, um entorpecimento progressivo do corpo que aliviava a tensão dos últimos dias. Quando o sol desaparecia abria os olhos e via as nuvens atreladas ao vento a correr para o mesmo lado, cheias de pressa, como se fugissem de algo malévolo. Tanto obscureciam o horizonte como o abandonavam, deixando avistar um céu azul, profundo, trespassado por raios dourados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sentia amargura apenas um vazio como se uma empresa de mudanças tivesse estacionado uma camioneta dentro de si mesmo, carregasse os móveis e embrulhos no meio de um grande alarido e deixasse um silêncio medonho no fim. Agora era uma casa despojada onde cada palavra deixava um eco profundo, as paredes brancas com sinais de pregos onde outrora estavam penduradas telas e candeeiros e o soalho apenas com as marcas da mobília deslocada. Quanto às questões menores do processo - exteriores e burocráticas - tudo fora escalpelizado até aos pormenores mais insignificantes, num trabalho digno de exploradores de fósseis ou de antiguidades. Com infinita paciência foi tudo identificado com etiquetas, valias e pertenças, embrulhado em caixas nomeadas e com destinos a seguir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficava agora consigo ao colo. O que fazer com isto? Comigo, este eu sem eira nem beira? Um jogo que o fez sorrir levemente, enquanto fechava os olhos pela presença momentânea do sol esplendoroso. Para onde ir no momento em que se perdem todas as referências? Locais, tempo, rotinas e pessoas. O divórcio não tinha sido de sua iniciativa, mas aceitou-o como inevitável. O que estava em causa há muito se perdera, após um lento, progressivo e silencioso assassinato em pequenas doses, até que o veneno acumulado fez o efeito devido. Entretanto, anos a lidar com o desprezo da voz, com a indiferença dos corpos ao cruzarem-se num corredor silencioso, com o desencanto nos olhares, com queixas perante o desmazelo, as distracções, os gastos, com as estadas tardias deitado no sofá a ver televisão…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Épocas de acalmia como dias em tons suaves, mediadas por compromissos domingueiros e deveres partilhados à risca. Tempos de crise, reparos e mais reparos, desaforos, às vezes repartidos à mesa da festa com toda a família e a humilhação de sentir olhos pousados em si mesmo e sem capacidade para enfrentar palavras acintosas. Ele um ser menor que conseguiu estragar o sonho de uma noite de um Verão longínquo…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi-se andando até que um dia, igual a tantos outros, ainda meio estremunhado e enquanto se barbeava, uma voz nas suas costas e sem hesitações afirmando que estava farta e que não ia prolongar aquela situação aberrante. Ele não respondeu naquele dia nem nos outros seguintes, percebeu desde logo que estava tudo claro, decidido, dividido, resolvido. Não questionou a partição, nem discutiu preços, nem limitou estragos, nem interferiu nas datas e chegou à hora marcada à Conservatória para assinar o último papel e depois desceu sozinho a escadaria e refugiou-se naquele jardim aberto ao sol como um teatro de província, sem tempo marcado, sem destino definido, sem ter ninguém com quem partilhar a fuga para a frente, como se o mundo lhe desse de novo a infância onde as possibilidades são tantas que esbarram na incapacidade de nos levantarmos e pormo-nos a caminho para qualquer lado… &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-4373785414020825459?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/4373785414020825459/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=4373785414020825459' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/4373785414020825459'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/4373785414020825459'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2010/11/o-homem-sem-pressa.html' title='O Homem sem pressa'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/TNu43ZFTPSI/AAAAAAAAAok/UXikiSOH6kI/s72-c/sem%2Bt%25C3%25ADtulo.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-1838088562050695673</id><published>2010-11-05T11:38:00.005Z</published><updated>2010-11-05T11:50:06.576Z</updated><title type='text'>Uma mulher de certa idade já não pode chorar...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/TNPuJicHy3I/AAAAAAAAAoc/Z_GH3GObvXM/s1600/mulher+madura2.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5536030214599461746" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/TNPuJicHy3I/AAAAAAAAAoc/Z_GH3GObvXM/s400/mulher+madura2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Não podemos deixar que nos amem à medida de quem nos ama. Temos que ser nós a impor o padrão. A ambição de receber o amor que idealizamos e não o amor que os outros nos querem dar. Em geral, contentamo-nos com pouco, porque julgamos que é preferível o pouco a nenhum. Mas é um erro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, sabes, nesta idade já não há lágrimas para verter. Pareço uma barragem seca, onde sulcos profundos desenham fios escuros nas paredes. Sinto a dor no fundo de mim, mas raramente a exteriorizo em cerimónias públicas. No passado conseguia recuperar de imediato o rosto e o coração, hoje, tanto um como outro, permanecem longos períodos em convalescença, como se o peso da vida se convertesse numa doença como outra qualquer.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-1838088562050695673?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/1838088562050695673/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=1838088562050695673' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/1838088562050695673'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/1838088562050695673'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2010/11/uma-mulher-de-certa-idade-ja-nao-pode.html' title='Uma mulher de certa idade já não pode chorar...'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/TNPuJicHy3I/AAAAAAAAAoc/Z_GH3GObvXM/s72-c/mulher+madura2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-3415313504209044686</id><published>2010-10-25T18:08:00.003+01:00</published><updated>2010-10-26T08:21:55.110+01:00</updated><title type='text'>A Oxitocina</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/TMW57dlobXI/AAAAAAAAAoM/AydlNqg8ybo/s1600/voar+2.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5532032148500409714" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/TMW57dlobXI/AAAAAAAAAoM/AydlNqg8ybo/s400/voar+2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O tempo consumia-se sem nexo. Fazia lembrar aquela ave a planar no céu deixando que o vento a transporte para qualquer lado. Os dois, sem preocupações mesquinhas perante o futuro incerto. Sem que as tristezas e as mágoas, acumuladas como trapos velhos nas arrecadações, lhes atulhassem o caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas voltemos às aves, sim? Prefiro esse sinal de paz, esse símbolo de um espírito livre. A minha vida não tem sido fácil, sabes? Se queres falar de mágoas eu sou perita nisso. Tenho um curso superior das mágoas. Pensando bem, até tenho um doutoramento! Não te rias, deves respeitar a minha história que se jogou pelas ruas desertas e por prédios onde os buracos eram tão frequentes como os cheios nauseabundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a ave continuava quase sem mexer as asas, numa ascendente retomava a altura. O verde mais claro dos prados, um verde ainda mais escuro das árvores que ocupavam metade da encosta até ao cimo do monte. Um silêncio reconfortante, misturado aqui e ali por vozes da natureza. Nenhum queria dar o primeiro passo, ambos sabíamos que o embate exigiria, de parte a parte, sangue frio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aquela voz tão calma. Como se pode estar calmo quando o assunto fere com uma agulha no braço? Nem imaginas a felicidade que senti quando soube. Era mesmo tudo o que queria. Nasci para ser mãe, desde miúda me lembro de afagar a barriga e sentir o gozo de poder ter um ser como um enxerto meu e que cresceria como as árvores. No dia em que os testes confirmaram suspeitas percebi que havia um tempo antes e a partir daí nada mais era importante. Só isso. Meses e meses a sonhar com nomes e com rostos, somas e subtracção de traços, caso os meus genes ganhassem preponderância ou se diminuíssem à custa de acasos. A minha vida fazia lembrar as aves a fazer o ninho. Pairava na vida sem qualquer pressa. Vivia uma espécie de interlúdio espiritual, onde toda eu era barriga e nada mais. Até que veio aquela dor intensa, percebi que algo corria mal e depois o veredicto médico. Nasceu morto, aquele que tinha sido o destinatário de tantos sonhos e sorrisos. De tantas conversas inventadas. Até livros comprei para um dia lhos dar porque eu tinha adorado lê-los.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Proibiram-me de o ver. Fiz finca-pé. A morte tem sempre um rosto não é uma abstracção inconsequente. Depois de tanta insistência eu vi-o e percebi porque o não devia ter visto. Fiz-lhe um funeral, tudo tão singelo como se o silêncio me pudesse afogar. Depois tudo se alterou como se andasse de cabeça para baixo. Sem conta as vezes que pensei na minha morte, planos e mais planos, alguns bem elaborados para me matar, vezes que estive muito alta para poder saltar. Julgo que se nunca o fiz foi a possibilidade de voltar a ser mãe. Parece uma doença como qualquer outra, esta incapacidade de me ver sem uma ligação umbilical. Já ouviste falar disto alguma vez?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa morte prematura resultou esta dolência, uma espécie de nódoa de roupa que nem os produtos mais sofisticados a fazem desaparecer. Uma nódoa escura que não se consegue disfarçar e torna impróprio andar com ela na rua. Sinto-me assim, às vezes. Indecente para ser vista, acreditas? Depois veio outra gravidez e uma vez mais o feto morreu e o corpo impregnado com oxitocina expulsou-o. Não teve um rosto, nem funeral. Mais uma vez, a minha vida numa espiral de violência. Só me conseguia controlar com esse chamamento uterino, uma espécie de vocação visceral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois chegou a Teresa. Viva, tão viva que me agarrou e me levou com ela para a luz. Não expulsou de mim a tristeza ganha a pulso, tristeza entranhada à medida que fui comungando com ela a própria vida. Tornou-se íntima. A Teresa limitou-lhe os efeitos. Conseguiu salvar-me quando estava tão perto do abismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E hoje estou aqui contigo a olhar o céu. Sabes que adorava vaguear pelas nuvens no teu parapente branco e cor de laranja. Já consigo perceber quando te preparas, quando inflas as asas e depois vagueias sozinho para lá das nuvens. Noto isso pelo teu sorriso, pela quietude que sai de ti. Gostava de tirar lições que me permitissem voar e deixar que o vento nos levasse para lá das montanhas… &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-3415313504209044686?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/3415313504209044686/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=3415313504209044686' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/3415313504209044686'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/3415313504209044686'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2010/10/oxitocina.html' title='A Oxitocina'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/TMW57dlobXI/AAAAAAAAAoM/AydlNqg8ybo/s72-c/voar+2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-971027153624094929</id><published>2010-10-17T17:33:00.005+01:00</published><updated>2010-11-12T15:53:25.311Z</updated><title type='text'>O vestido de noiva</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/TLsl7kH0-qI/AAAAAAAAAoE/quXuOB3VByM/s1600/vestido+de+noiva+5.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5529054672766433954" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/TLsl7kH0-qI/AAAAAAAAAoE/quXuOB3VByM/s400/vestido+de+noiva+5.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Casaram e não foram felizes. Caso tivessem sido não estariam a ler esta história triste, mas não tão triste como se poderia supor. Quando as histórias terminam temos a tendência de chorar pelo resultado e esquecer a beleza, a harmonia, o vento a favor vivido durante o tempo que mediou a euforia do início e a derrocada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do que ela se lembrava melhor era do dia do casamento, da oportunidade que teve em ser uma verdadeira princesa, vestido de um branco pérola e terminado numa longa cauda que arrastou indolentemente pelo corredor da igreja e depois orgulhosa pelo meio dos convidados no restaurante. Uma cauda que varria o chão como se a brancura pudesse não só limpar os confetis lançados à chegada dos noivos como até as amarguras que se alinhavam no fundo de todos os que melancolicamente a contemplavam. Aliás, a melancolia é o estado de espírito próprio destas circunstâncias, porque se questionam tempos antigos onde os sonhos tinham pernas e o presente em que tudo ou quase tudo desabou como se um vendaval tivesse passado pelas vidas e desordenasse o arranjo de flores colocado estrategicamente no centro do corredor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a comida, lembrava-se, fora farta, diversificada e todos lhe deram os parabéns por ser tão deliciosa. Depois o baile, depois as conversas mudas e as palavras de circunstância que esbarravam na face rosada dela, pois tudo o que se pudesse dizer estava já mais repisado do que os slogans das feiras. Mas o ponto forte, viveu-o na entrada triunfal do bolo já a noite se espreguiçava para todos os lados, um bolo que ocupava sem exagero dois metros quadrados de espaço, incandescente em toda a volta, onde cores azuis transparentes e um cor-de-rosa se enroscavam e de longe dava a impressão de brincarem juntas e na escuridão apenas mais quatro velas transportadas por quatro figurantes impávidos e vestidos a rigor e parecia a procissão do Senhor dos Passos ou algo ainda mais fúnebre e tudo acompanhado pela música de Kate Melua, “Nine Million Bicycles”, e todos os convidados de pé, uns com lágrimas nos olhos, outros com sorrisos estranhos como se também eles participassem do círculo mágico como numa pujante experiência religiosa. Os noivos vinham atrás do séquito com as mãos dadas e a balançar os braços como crianças grandes e com os lábios a mexerem-se ao mesmo ritmo e todos perceberam que estavam a cantar a canção que se ouvia em altos berros como se fosse a sua marca, onde constavam votos austeros de se amarem até morrer, sem qualquer vergonha que todos soubessem disso e todos comungavam da sua falta de vergonha e tão orgulhosos deles…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando as luzes se acenderam, no preciso momento em que a canção chegou ao fim, palmas troaram com uma força contínua e bruta e todos agradeceram a oportunidade de terem ido ao fundo deles mesmos à procura do seu próprio inferno ou do céu conforme os casos, pois essa catarse é mais simples de fazer com uma encenação grandiosa do amor ou do ódio, também conforme os casos. E bebeu-se champanhe e provou-se o bolo e brindou-se aos noivos e agora o ambiente já era de serenidade como se os quisessem deixar em paz na sua entrada no reino da fantasia onde a maioria tinha andado e saído há tempo demais…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram precisamente estes momentos que ela, a noiva, guardou bem junto ao coração, durante os últimos sete anos, e que procurou quando já não conseguia encontrar a força e a melodia do passado. E foi em relativa calma que naquela noite, fria e húmida, frente aos vidros completamente cobertos por um vapor de água que a não deixava espreitar para a rua silenciosa, percebeu essa tentativa vã de alargar pela eternidade laços tão ténues como os que a prendiam a ele. Alguém acabara de ligar pelo telefone, numa voz desconhecida a perguntar por ela mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, sou eu.&lt;br /&gt;- Era só para lhe dizer que o Luís, o seu e o meu Luís decidiu-se finalmente por mim. Nada tenho contra si, sei que é uma óptima pessoa, mas a situação estava a tornar-se insuportável. Foi hoje que me jurou ir clarificar tudo depois de chegar do emprego e este telefonema é uma ajuda que ele não me pediu mas que eu dou com todo o gosto. Sei que não é fácil para si…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desligou o telefone como fazia à televisão quando estava saturada de tanto palavreado. Não sentia qualquer ódio por aquela voz, com um timbre banal, nem abertamente tensa nem arrogante. Era apenas alguém que tinha ganho uma partida e a calma que transparecia, sem euforia, exibia a luta renhida travada até ao telefonema daquele fim de tarde. No quarto abriu o guarda-vestidos e num extremo a brancura do vestido envolvido por um plástico fino. Vestiu-o com cuidado, até porque sete anos tinham feito mossa no corpo, na casa de banho maquilhou-se, apanhou o cabelo num rabo-de-cavalo com uma frieza surpreendente. No final analisou o resultado e concluiu que se havia distâncias óbvias do dia, do seu grande dia, ainda havia razões para encaixar todas as lembranças no sítio certo. Encontrou o disco de Kate Melua perdido no meio da confusão e sentou-se no sofá tão inerte como estátua de mármore.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele entrou e chamou-a como sempre, mas ela não respondeu. Primeiro tomou a direcção dos quartos depois regressou como atraído pela música que se repetia a si mesma e foi quando espreitou e a viu com lágrimas a escorrer-lhe pela face e a cauda do vestido espalhada pelo chão da sala com ar de abandono. E ficou imóvel com a boca entreaberta, com olhos de medo como se visse um fantasma e as mãos remexendo os bolsos, como se procurasse uma chave que o salvasse, uma chave para outro cenário, para outro nível da realidade onde não tivesse que contracenar com o desespero e tivesse tempo para colocar tudo em ordem, tudo no seu lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A música chegava ao fim e voltava ao início e ele não saía nem entrava como se também ele se tivesse transformado numa estátua e só muito depois caminhou lentamente com a cabeça diluída nos ombros, até que se ouviu a porta da entrada bater suavemente na aldraba. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-971027153624094929?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/971027153624094929/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=971027153624094929' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/971027153624094929'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/971027153624094929'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2010/10/o-vestido-de-noiva.html' title='O vestido de noiva'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/TLsl7kH0-qI/AAAAAAAAAoE/quXuOB3VByM/s72-c/vestido+de+noiva+5.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-2217680984527682543</id><published>2010-10-15T09:04:00.001+01:00</published><updated>2010-10-15T09:06:39.688+01:00</updated><title type='text'>A beleza não é fundamental</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/TLgLVwD6v3I/AAAAAAAAAn8/-djFgFTeIrw/s1600/libelula-olhos-verdes.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 391px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5528181010903777138" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/TLgLVwD6v3I/AAAAAAAAAn8/-djFgFTeIrw/s400/libelula-olhos-verdes.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Apenas olhares tensos, rígidos como tiros certeiros e depois desvios, fracções intangíveis. Uma aptidão quase espiritual perceber os olhos dele pousados no seu corpo, às vezes leves como uma blusa de seda outras vezes como peças de Inverno pesadas e duras. E ela apenas lhe retribuía um cumprimento distante e construía um sorriso meio enigmático, sem exagerar simpatia. O escritório colocava-os frequentemente num contacto físico, esporádico, onde os braços se abordavam como nos transportes públicos, mas pressentia que mesmo nesses cruzamentos casuais ele coagia o toque, como se aquele leve embate fosse em si mesmo uma resposta a um desejo que se ia comprimindo no peito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns meses se passaram sem nada de significativo. Foi diminuindo a curiosidade, deixou de sentir tanto peso de olhares matreiros e ele parecia ter esquecido a sua existência. Até que um dia, estava ela arrumar já a secretária, ouviu um leve bater na porta e a cabeça dele espreitava com um olhar afectuoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Posso?&lt;br /&gt;- Entra - respondeu ela, tentando compor um sorriso mais amplo do que o seria necessário para uma sã convivência.&lt;br /&gt;- Talvez seja demasiada ousadia da minha parte, ou melhor, sei que é um atrevimento meu, mas gostava de te convidar para jantar. Se achares que é excessivo, eu vou-me embora e esquecemos o assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por momentos esteve tentada a encontrar uma desculpa, surgiram várias, mas fosse pelo que fosse aceitou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Claro, a que horas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade compunham um casal estranho. Ela magra, de feições harmónicas, uns olhos grandes e esverdeados e um cabelo escuro liso que caía sobre os ombros. Ele com uma cabeça desproporcionada, mãos enormes e grossas capazes de matar alguém com um só movimento, um nariz vigoroso e zangado que parecia ter vida própria e um cabelo basto e escuro como o breu, que irrompia da testa com ar agastado. Considerou todos estes carimbos de uma vez enquanto o empregado lhes entregava as ementas. Parecia-lhe inverosímil que essa des-sintonia não viesse ao cimo como um cadáver puxado do mar. Seria sempre transparente o desequilíbrio entre a feminilidade dela e a materialização áspera de um corpo exagerado. A candura na face dela em guerra aberta - como um murro no estômago - com a falta de graciosidade nele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas no decorrer do jantar a conversa amena foi encurtando distâncias como se de um momento para o outro dois mundos paralelos se tornassem oblíquos e sentia-se embevecida pela voz melodiosa dele como se saísse de uma pauta invisível e um discurso cheio de lucidez e serenidade. Falava de interesses pessoais como se falasse da vida de filhos que não tinha, livros lidos, da paixão por tudo que se desenrolasse ao ar livre e da necessidade de caminhar diariamente, da paz que reencontrara após uma relação de vários anos e que terminara sem mágoas. E sempre com um humor que a fazia rir e abrir ainda mais os olhos verdes de espanto. Depois, tal como numa peça de teatro ensaiada foi a vez dela e de forma mais abreviada falou da falta de sorte com os amores, da relação neurótica com a mãe, do gosto pelo cinema e pelas viagens, e da falta crónica de dinheiro que a impedia de realizar sonhos atrás de sonhos. Reviravoltas da vida onde todos os amigos se perderam em casamentos que esgotavam o tempo como buracos negros e a ela a tinham retirado de um círculo de forças, deixando-a para trás num corredor comprido enquanto todos os outros já tinham dobrado a esquina ouvindo ainda os seus gritinhos histéricos e divertidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arrependeu-se vivamente com este último desabafo. Tinha ido longe demais perante um estranho que até aí apenas lhe lançava olhares furtivos e lhe tocava deliberadamente sempre que passava por ela no corredor estreito. Tentou diminuir o impacto afirmando que não queria com isso dizer que não tivesse gente que gostava dela e a tentasse levar para a cama – riu com vontade mostrando os dentes brancos e alinhados - mas que neste momento da sua vida julgava mais importante encontrar o seu lugar e relacionar-se com os outros sem qualquer hipótese de mal entendidos em ligações mal decifradas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penitenciou-se de novo por ter ido longe demais, mas o olhar complacente dele retirou-lhe percentagem de culpas. Não queria fazer passar qualquer imagem de produto acabado, ou uma aparência disso. Solteira, com fracassos afectivos, aberta a relações sérias, crise sucessivas com pais neuróticos, uma solidão colossal enquanto não resolvesses a vida. E por aí fora. O que parecia dar-lhe todos os trunfos, caso decidisse avançar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o jantar correu tão rápido como uma prova de corta-mato e no final saíram do restaurante e foram andando sem nexo pela avenida iluminada, às vezes paravam frente a montras quando ela mostrava alguma curiosidade, lentos como se ambos não sentissem necessidade de terminar a noite. Os únicos contactos físicos eram dos braços e cotovelos que se saudavam com cortesia e sem grandes delongas e sem qualquer ordem preestabelecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Regressaram ao ponto de partida onde os automóveis estavam estacionados, despediram-se de forma breve, ambos confidenciando que tinha sido uma noite bem passada e renovaram empenho de a repetir. Já no automóvel, na companhia de música calma, concluiu que desprezara a ausência de beleza física nele ao longo da noite e que se algo acontecesse entre eles no futuro sabia que o facto não seria um obstáculo. Sorriu ao pensar nas chalaças que os pais e o irmão lhe atirariam à cara se a história tivesse pernas para andar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veio o Inverno, frio e chuva que nunca mais acabava. Algumas vezes foram ao cinema – recaindo nela a responsabilidade das escolhas - outras vezes aceitou o convite para o acompanhar nas caminhadas pela serra. Depois vieram semanas sem acenos, e começou a desconfiar que nele diminuíra o interesse como se ela tivesse diminuído de valor no mercado dos afectos. Desculpas várias, conversas cada vez mais céleres ao telefone, contactos no escritório cada vez mais fugidios. Uma relação que lhe fazia lembrar os sinais da tempestade que lentamente se aproximam, ressoam com toda a pujança quando está perto e depois um troar cada vez mais longínquo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E naquele dia de manhã a chuva era intensa puxada a trote pelo vento. Entraram quase a par no átrio do edifício do escritório, ambos sacudindo dos casacos a água acumulada desde o parque de estacionamento. Ela aproximou-se tomando a dianteira e disse-lhe abruptamente:&lt;br /&gt;- Temos que falar, julgo que me deves uma explicação.&lt;br /&gt;E ele olhou para ela com a face cheia de surpresa e aproximou o rosto do seu, com o nariz ameaçador à frente e olhos meigos parados mais atrás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Julgo que nada devemos um ao outro. Foi tudo muito simpático, muito civilizado, divertimo-nos. O futuro exigiria repetir gestos e temas de conversas, análises e contra-análises, discussões sobre motivos e intenções veladas. Teria de me justificar pelo mal que não fiz e possivelmente terias de te justificar pelo bem que querias e não tiveste. Não vejo razões para tal. A riqueza da vida está na renovação das pessoas tal como o ar dentro das casas. Permanecermos nas mesmas e com as mesmas seria análogo a ler os mesmos livros a vida inteira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro ainda tentou vislumbrar qualquer princípio de humor, mas rapidamente se centrou no tom sério e nos gestos firmes das mãos que a poderiam matar com um simples gesto. Ele fez um movimento de querer continuar o tema, mas ela fitou-o com desprezo, virou-lhe as costas e bateu com a porta do escritório. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-2217680984527682543?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/2217680984527682543/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=2217680984527682543' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/2217680984527682543'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/2217680984527682543'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2010/10/beleza-nao-e-fundamental.html' title='A beleza não é fundamental'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/TLgLVwD6v3I/AAAAAAAAAn8/-djFgFTeIrw/s72-c/libelula-olhos-verdes.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-2302530969611953967</id><published>2010-10-11T08:52:00.003+01:00</published><updated>2010-10-12T12:16:30.506+01:00</updated><title type='text'>da falta das palavras à falta dos amigos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/TLLCk6PeCnI/AAAAAAAAAn0/_eg6kUru6CI/s1600/amigos.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 306px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5526693632102238834" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/TLLCk6PeCnI/AAAAAAAAAn0/_eg6kUru6CI/s400/amigos.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Por vezes, quando tento escrevinhar, os meus dedos estatelam-se adormecidos no teclado. Estilhaçam-se os caminhos, sempre tortuosos e íngremes e fico à espreita de um sinal radioso, um sinal de trânsito azul que identifique a direcção a tomar. Na maioria das vezes mastigam-se passos, revisitamos as mesmas paisagens, tal como a terra que os garimpeiros peneiram, uma e outra vez, para tentar desancorar diamantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é que a escrita resulta da vida e apesar de algumas andanças, ela continua por cenários antigos, como numa companhia de teatro decrépita onde a falta de meios apenas permite repetições de peças clássicas e os actores vão-se mantendo por falta de acenos para melhores projectos. Os bons artistas são muito caros e modernizar cenários teria custos incomportáveis. Como consequência, a recapitulação leva a que os espectadores entusiastas de outrora vão escasseando e apenas restem caras estafadas e enrugadas, que voltam porque as suas próprias opções foram diminuindo à custa de um vaguear pelos mesmos becos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a metáfora não dignifica plenamente o tema e seria bem injusto ficar por aqui. Vivemos uns com os outros, pele com pele, compartilhando a aspereza dos dias e precisamos dos outros para nos justificarmos e não declararmos fracasso completo. Apesar dos sonhos, das ameaças, das pequenas reviravoltas, não há qualquer possibilidade de uma verdadeira revolução nas nossas vidas. Ir para onde, permitam-me? E já que teremos de ficar, o que fazer? Naturalmente, fazia jeito que cada um de nós fosse outro e outros, rostos e corpos distintos, intelectos e ambições novas pela manhã, após um acordar expectante. Seríamos mais cómicos, mais enigmáticos, jogos permanentes de sedução, a esburacar esquemas e a substituir as velhas armadilhas onde já nem caem os mais incautos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é, nada a fazer, seremos sempre nós! Nós e as neuras, nós e os tiques, nós e a falta de jeito, nós e os feitios, nós e o passado que nos queima. Mesmo assim, temos sorte pelos amigos nos continuarem a acolher e a dar-nos a mão. Não sei se isto é comum, penso nos meus e apesar da vulgaridade da relação que se vai mantendo ao longo de duas décadas pelo menos – culpa própria – sempre que nos encontramos, mantêm-se com o sorriso aberto como se tivessem feito uma promessa de me tolerar e não me deixar sozinho neste vácuo que é o tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E vamos andando lado a lado, às vezes em paralelas longínquas, mas regressam à consciência quando baixo a guarda, e reconheço facilmente que sem eles não haveria peças com personagens, apenas monólogos loucos em ritmos mecânicos, como doentes com comportamentos obsessivos compulsivos que apenas recusam o silêncio. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-2302530969611953967?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/2302530969611953967/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=2302530969611953967' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/2302530969611953967'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/2302530969611953967'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2010/10/da-falta-das-palavras-falta-dos-amigos.html' title='da falta das palavras à falta dos amigos'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/TLLCk6PeCnI/AAAAAAAAAn0/_eg6kUru6CI/s72-c/amigos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-1694335369259401366</id><published>2010-10-08T08:14:00.003+01:00</published><updated>2010-10-08T08:37:57.800+01:00</updated><title type='text'>O Amor Virtual</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/TK7FCcLOfTI/AAAAAAAAAns/Xe_NWLq25ow/s1600/olhar.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 312px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5525570438543867186" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/TK7FCcLOfTI/AAAAAAAAAns/Xe_NWLq25ow/s400/olhar.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Aguardo ansiosamente a vida que me prometeste. Não há documento assinado, mas confiei em ti. Acreditei, após me olhares com o escuro dos teus olhos que, suspeitava, poderiam vasculhar o fundo da minha alma. Na altura, senti-me um pouco sujo, porque tive a impressão que conseguias desvendar aqueles segredos dobrados e metidos em sacos negros que nunca destapara. Depois, percebi que o utilizaste para deslindar os meus limites, como num tribunal onde se distribuem culpas e penas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lealdade que assegurámos ter um para com o outro era o meu porto seguro, o lugar onde me recolhia quando as dúvidas e as inquietações da vida me assombravam. Defesa ou uma ingenuidade cruel e tonta, mas sempre pautei a minha vida por um profundo e honesto sentimento de confiança nos outros de quem gosto. Aliás, não conseguiria viver de outra maneira. Gosto de gostar, um gosto sem qualquer travo a fel que me faça questionar o carácter ou as reais intenções de quem partilha comigo sonhos. Não sou pessoa de manobras, de manipulações baratas, não gosto de jogos, de traiçõeszinhas inconsequentes. Prefiro o tudo ou nada, jogar e ganhar tudo ou deitar tudo a perder. Por isso, nunca arrastei no tempo histórias carcomidas, uma estratégia eficaz para ganhar tempo. Mas nas coisas do amor nunca se ganha tempo, o tempo a mais magoa e desgasta o melhor de nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dei-te sempre o melhor de mim. Tentei salvaguardar-te do que a vida tem mais de desgastante. És mais frágil, com aquele teu jeito de identificares o tédio a léguas de distância e eu passava à frente levando-o às costas para que tu vagueasses incólume e perfumada. Filhos, casa, famílias, todos os detalhes que vão esgotando a vida e nos obrigam a correr para lado nenhum. Hoje reconheço que exagerei tentando colocar sob os teus pés uma alcatifa vermelha, um ardil que julguei fiável para que não fosses assaltada por hesitações e dúvidas. Apenas te dei mais espaço para os teus devaneios, lugares onde apenas tu tinhas acesso. Eu, o tipo chato, barata tonta, sempre a querer agradar-te! Pensava que quanto mais te retirasse do supérfluo mais ficarias para mim…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foste, paulatinamente, construindo o teu mundo equidistante ao meu. Longas noites onde a tua ausência era confrontada com sons de teclados na sala ao lado. Primeiro, justificavas-te com a necessidade de uma inocente partilha de sítios e textos com pessoas divertidas e cultas, depois com críticas por não repartir contigo interesses estéticos. A realidade não tem qualquer hipótese de sair vencedora com a imaterialidade! O mundo superficial e harmonioso, onde as relações são mais dóceis que animais felpudos, vividas no sonho-sonhado, gozadas na lonjura e com reencontros entre palavras furtivas, disfarçando gestos, suavizando brechas, camuflando tudo o que pode causar desgaste…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora estou à espera. Que te resolvas. Que te decidas de vez entre a vida pura e dura e a vida marcada por deslumbramentos, poesia ao pequeno-almoço, linguagem cúmplice, apartes espirituosos, partilha de cenários paradisíacos, refúgios secretos. Pela minha parte, continuo a preferir o mundo da realidade, trágico, entediante, austero, mas capaz de nos transformar alguns dias em tempo de euforia, amontoando sonhos como quem constrói uma parede assentando tijolo sobre tijolo. Tu, pelos vistos, irás continuar no mundo das fibras até ao salto que te dará seguramente razões para detestares a realidade… &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-1694335369259401366?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/1694335369259401366/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=1694335369259401366' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/1694335369259401366'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/1694335369259401366'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2010/10/o-amor-virtual.html' title='O Amor Virtual'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/TK7FCcLOfTI/AAAAAAAAAns/Xe_NWLq25ow/s72-c/olhar.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-3341321594153895035</id><published>2010-09-28T11:48:00.003+01:00</published><updated>2010-09-28T11:52:11.397+01:00</updated><title type='text'>O Náufrago</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/TKHIXhq6lPI/AAAAAAAAAnk/Hg2WtS6yj9w/s1600/triste.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 357px; DISPLAY: block; HEIGHT: 329px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5521914924633855218" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/TKHIXhq6lPI/AAAAAAAAAnk/Hg2WtS6yj9w/s400/triste.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Sabemos que devemos pensar a curto prazo. Futuros distantes são apenas devaneios de um espírito já escaldado, mas sempre com vontade de manietar o tempo a seu gosto. Depois a força do embate. Uma espécie de ilha maldita onde se naufraga à custa de ventos fortes e ondulação elevada. Terreno fértil para a tristeza, cultivada dia após dia, irrigada, limpa de ervas daninhas que a poderiam adelgaçar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;As palavras não surgem, palavras que nos esclareçam, que nos dêem alento, que nos transmitam esperança. Tal como há lágrimas aprisionadas também há palavras furtivas. No desespero nada se comunica porque nada se consegue dizer. Não há verbos na garganta quando o espírito se embrenha nele mesmo, remoendo razões e pecados. Apenas aquele medo que envolve os passos e que se mantém de manhã à noite como uma capa de Inverno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E continuamos a vaguear com um livro debaixo do braço. Olhos humedecidos, passos mecânicos, sentindo o lamento dos ossos nesta época de charneira. O céu de um cinzento claro reproduz desconforto e tédio. Vultos sem face cruzam-se como numa terra de espectros, o ruído crispado dos automóveis, zangados e cheios de culpas e, mais ao fundo, gritinhos de crianças no pátio da escola. Lá em baixo, um filão de luz que nos anestesia, movimento perpétuo de gente embrenhada em pensamentos sombrios, outros em diálogos repetidos até à demência com martelos pneumáticos que acentuam tónicas e sub-tónicas. Não sigo à letra o debate mas a minha proximidade torna-me parte deles e ausente de mim. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Subo a encosta e a tristeza regressa como um irmão. Dá-me o braço e acedo ao gesto como se fosse um jogo de espelhos, cada um a olhar o outro como uma parte dele mesmo, sem solução à vista, sem palavras que aconcheguem. E continuo à procura de uma barcaça que me leve à minha morada, onde o dia seguinte é apenas um prolongamento da quietude e o futuro uma repetição inaudível de um passado que nos salvou do nada, do azedume, do ressentimento. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-3341321594153895035?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/3341321594153895035/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=3341321594153895035' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/3341321594153895035'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/3341321594153895035'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2010/09/o-naufrago.html' title='O Náufrago'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/TKHIXhq6lPI/AAAAAAAAAnk/Hg2WtS6yj9w/s72-c/triste.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-8632168340897928807</id><published>2010-09-14T09:13:00.004+01:00</published><updated>2010-09-14T09:16:33.251+01:00</updated><title type='text'>A primeira aula de cidadania</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/TI8u3bVuuXI/AAAAAAAAAnc/4vJsz94X8kw/s1600/sala-de-aula.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 269px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5516679598318729586" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/TI8u3bVuuXI/AAAAAAAAAnc/4vJsz94X8kw/s400/sala-de-aula.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Com pesar, descobrimos que somos uma excepção neste universo de autómatos, - estrelas, bichos e plantas - todos eles cumprindo regras estreitas e passos estudados. A razão, o espírito, a alma (sei lá!) permitem-nos essa competência fabulosa de sermos algo como a massa de padeiro (pura massa informe) que se vai confeccionando até se transformar num ser único, capaz de uma biografia. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Claro que a educação e a sociedade nos dão um molde, conteúdo e identidade. Facultam-nos uma determinada maneira de olhar os outros e formas de relacionamento muito próprias; através deles encaramos o mundo como a nossa casa ou como área reservada a uma ambição desmedida; aprendemos a ser defensores dos valores da justiça ou tolerantes perante os desvios. Dão-nos capacidades de expressão, de criatividade e de exposição. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Além disso, temos um corpo com todos os seus medos, desejos, potencialidades, incapacidades, origem de atletas ou místicos, um corpo que voa ou que se agarra ao chão à procura de segurança, um corpo que nos empurra ou nos perturba, um corpo que joga socialmente ou que tende a esconder-se, uma mais-valia ou um obstáculo às nossas ambições.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Mas não somos simples semáforos, cuja luz se altera ao ritmo predefinido. Somos gente que pensa, que diz não, que erra, que melhora, que batalha, que aprende, que conspira, que sofre, que abandona, que faz sofrer, que decepciona, que recusa a paz oferecida de mão beijada, que rejeita futuros luminosos, que consegue sair do guetto, que acredita na utopia, que se ultrapassa a si mesmo, que vai contra tudo e contra todos, ou então que se menoriza e se encosta, se amansa e se submete, se resigna a ser um pau mandado, um zero-à-esquerda, um zé-ninguém. Ou nos aguentamos ou morremos de tristeza. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Somos apenas nós nesta escuridão que é a vida. Teremos de fazer-nos sem que ninguém nos ilumine o caminho. Somos só nós e a sombra que nos persegue. E agora o que faço? Acomodo-me ou revolto-me? Aceito ou recuso a dádiva com gestos bruscos? Sento-me ou bato com a porta à procura de luz? Reajo ou faço de conta que não percebo? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E perguntamos sempre, apesar de não haver ninguém perto que responda. Seremos apenas nós a desfazer esta charada que é a vida… &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-8632168340897928807?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/8632168340897928807/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=8632168340897928807' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/8632168340897928807'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/8632168340897928807'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2010/09/primeira-aula-de-cidadania.html' title='A primeira aula de cidadania'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/TI8u3bVuuXI/AAAAAAAAAnc/4vJsz94X8kw/s72-c/sala-de-aula.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-3071975242702575527</id><published>2010-06-23T14:45:00.008+01:00</published><updated>2010-06-23T21:38:04.077+01:00</updated><title type='text'>A Revelação</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/TCIQD_EKrGI/AAAAAAAAAnM/SHsPguSB5SA/s1600/revela%C3%A7%C3%A3o.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 216px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5485964956745247842" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/TCIQD_EKrGI/AAAAAAAAAnM/SHsPguSB5SA/s400/revela%C3%A7%C3%A3o.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Chovia que Deus a dava. Pela janela esmiuçava a rua ensopada de uma zona leste da cidade de Paris. Saíra muito novo de uma aldeia das Beiras e deixara por lá a alma, por isso continuava a analisar o horizonte como terreno inóspito e agreste. Nunca se sentira atraído pelo tipo de vida do novo país e pelo carácter das pessoas, razões que há muitos anos tinham determinado o fim de uma relação. A memória dessa ligação condenada não veio por acaso, neste dia invernoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram trinta e cinco anos à espera desta oportunidade. Muitas vezes pensou que revelar segredos só nos torna interessantes quando as relações se iniciam, depois transforma-nos em seres fraudulentos em quem não se pode confiar. Mas agora chegara o tempo de reconciliação com o seu passado. Circunstâncias trágicas obrigaram-no a reconhecer que teria de abrir o jogo. Ela merecia-o e ele desejava-o. O momento de juntar as peças soltas, ultrapassar a incomunicabilidade de dois mundos, ambos verdadeiros e ambos seus. Depois seria feliz. Nunca fora infiel, apenas desleal, uma deslealdade que dizia respeito a uma história anterior à história do seu casamento. Eram jovens, bonitos, numa década de setenta, cheia de festa e de transformações a todos os níveis. Uma história terminada quando se tinha transformado num caso sério e da qual resultara uma filha. Tinha sido apanhado de surpresa pela gravidez já um novo namoro ia de vento em popa, namorada portuguesa e da sua própria terra, mas assumiu o filho após hesitações e desculpas. E tudo desembocava neste dia cheio de chuva. A descoberta do cancro da mama na mulher tinha sido um rude golpe para a família, mas a operação da remoção do tumor tinha sido um êxito e faltavam dois dias para o regresso a casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante anos aprendera que o amor resiste ao segredo, não tinha a certeza se resistiria à revelação. A revelação não seria uma traição ao amor? Chegou a discutir o assunto com o único amigo que conhecia toda a história e a opinião dele é que deveria manter o silêncio sobre o passado. Concluia ele: “O amor constrói-se sobre uma ilusão e se essa ilusão permanece intacta então o amor subsiste ao tempo. O que torna vulnerável o amor é a traição à sua própria história, às razões que o fundaram. Destruir essas bases é colocá-lo em risco. Se o construirmos na mentira teremos de a manter já que a sua desvenda é a traição a si mesmo. O amor dá-nos sempre a ilusão que conhecemos o ser amado e que o amamos por aquilo que é, pelo seu passado e pelo futuro. Não aguenta a revelação de um embuste.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decidiu ignorar o conselho. Saiu de casa de semblante solto, a partilha do seu mundo paralelo estava tão próxima que a emoção corria-lhe nas veias. Era como uma segunda oportunidade de vida e iria dar prova não só do amor pela mulher como de confiança no futuro. Pensou na fragilidade dela e no ânimo que lhe daria pelo facto de lhe confiar toda a sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrou no quarto e ela olhou-o com o semblante cansado e olheiras fundas. Envelhecera com o processo e sorriu levemente ao vê-lo. Ele debruçou-se na cama, segurando-lhe na mão trémula e deu-lhe um beijo na face. Sossegou-o: “está tudo bem comigo, não te preocupes.” Manteve-se em silêncio, de mão dada, olhando para a janela povoada de gotículas, umas que escorregavam e outras imóveis como se tivessem ventosas. Depois, ele principiou a narrativa com uma voz que era apenas parecida com a sua, como se estivesse num estado hipnótico. Justificou-se dizendo que a doença dela o obrigara a revelar um segredo antigo, ao descobrir  em toda aquela aflição um novo sentido para as suas vidas. Os factos diziam respeito a um tempo anterior a eles, apenas não tivera coragem de lhe contar na devida altura com medo de a perder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo que a história seguia em frente, na face da mulher a surpresa substituía o cansaço, depois a raiva e no fim o ódio. Tudo tão claro como se tivesse legendas no rosto. Retirou a mão das dele com azedume e lágrimas saltavam-lhe dos olhos como de uma torneira aberta, confundiam-se com os pingos que se colavam aos vidros. Todas as mentiras daqueles anos, desde estranhas ausências, telefonemas cortados a meio, dinheiro gasto sem saber onde, postais de destinos incompreensíveis, tudo ganhava sentido como num final de filme de &lt;em&gt;suspense&lt;/em&gt;. Tal como o seio esquerdo erradicado pelo bisturi, ele também seria amputado da sua memória e da sua vida, ambos invadidos pelo mal, o mesmo mal com idêntico poder de destruição. A luta pela sobrevivência impunha a coragem de cortar pela raiz o que causava a maldição sobre tudo o resto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ele foi diminuindo de tamanho à medida que a história seguia o seu rumo. Chegou ao fim, pediu desculpa pelo erro, levantou-se e saiu do quarto. No corredor, encostou-se à parede ouvindo um choro contínuo e irregular e percebeu que a parte feliz da sua vida ficaria guardada na memória daquela manhã chuvosa. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-3071975242702575527?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/3071975242702575527/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=3071975242702575527' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/3071975242702575527'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/3071975242702575527'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2010/06/chovia-que-deus-dava.html' title='A Revelação'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/TCIQD_EKrGI/AAAAAAAAAnM/SHsPguSB5SA/s72-c/revela%C3%A7%C3%A3o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-8883042775670395936</id><published>2010-06-17T11:34:00.015+01:00</published><updated>2010-06-20T22:10:05.299+01:00</updated><title type='text'>A culpa é da melancolia (esse feitio, como a minha mãe lhe chama)...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/TBn-hJnkoMI/AAAAAAAAAnE/qYnbozwVBZI/s1600/melancolia+10.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 216px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5483693866771325122" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/TBn-hJnkoMI/AAAAAAAAAnE/qYnbozwVBZI/s400/melancolia+10.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Julgo que todos teremos duas, três ou mais obsessões que nos entravam a vida. Quem escreve sente a caneta resvalar para elas como um íman e em qualquer história que conte retira-lhes referências e contextos. Uma das minhas grandes obsessões és tu e, por muito que tente, não percebo a razão. Partiste sem esclarecer motivos, nunca mais atendeste os meus telefonemas, ignoraste-me quando te procurei à saída do emprego a implorar o teu regresso. Desligaste-me da tua vida com um simples gesto, uma espécie de tratamento do lixo por incineração, com todos os requintes de despoluição e ausência de detritos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se consigo alhear-me de ti ao longo do dia - devido à falta de tempo e às milhares de fotocópias que tiro no escritório - quando entro em casa reencontro-te em toda a tua pujança. E a culpa disso é esta melancolia (este feitio, como a minha mãe lhe chama!) que transforma as decepções em tristeza e que tem no silêncio o fermento e na chuva o seu terreno fértil. Como o silêncio pesa mais do que a tristeza, normalmente, saio de casa para que não me triture e me desmembre. Desço em passo acelerado a avenida nova, bebo café no estabelecimento de sempre, e retomo a andança como se fosse uma exigência moral. Lá bem no fundo, num vale onde corre uma estrada, sento-me no banco do jardim fundindo-me na onda ininterrupta de trânsito que cobre o espaço como uma corrente. Uma espécie de lava de todas as cores que aos repelões e no meio de uma grande chinfrineira vai caminhando, alagando ruas e praças como a peste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gente com sacos na mão, autocarros, camiões frigoríficos, camiões com outros camiões em cima, e mais pessoas apressadas e automóveis de todas as cores em protesto, táxis, carrinhas de transporte de mercadorias, auto-caravanas, ambulâncias, aqui e ali idosos com os olhos postos no chão, crianças em fuga a atravessar passadeiras, um carro da polícia, tudo enfileirado em busca de sossego, sabe-se lá onde…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com frequência levo literatura nórdica com crimes por resolver, onde os culpados se arrastam na escuridão e nos ordenam persistência para sabermos a sua identidade e tempo para salvar os inocentes. O ruído de fundo (dos livros e do resto) salva-me de mim próprio e o tempo passa tão incógnito que me apetece ficar por ali. Mas o sol vai desaparecendo e retorno a casa pelo caminho mais longo como se tudo fizesse para adiar o regresso porque a casa guarda tudo aquilo de que eu quero fugir. O que tu deixaste não foram coisas – deixa-me mais uma vez elogiar a tua concentração e empenho em levares tudo aquilo que julgavas ter direito – e esse espaço vago de objectos, outrora escolhidos e comprados em tardes lentas, ainda mais acentua o vazio, e cada recanto abriga movimentos e lampejos de actividade que continuam por cá como candeeiros de tecto que se acendem como por magia quando me sento no sofá azul-escuro que só ficou por ser demasiado grande para a tua sala nova.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por vezes, ligo a televisão, mas ainda é mais ensurdecedora que o silêncio. Aquela amálgama de publicidade, crueza e energia cansa-me como se estivesse num centro comercial ao fim de semana. Desligo-a e estrategicamente coloco-me em frente à janela e volto-me para a claridade que resulta da cidade. Nessa tela em movimento tudo parece ter encontrado o seu curso, desde o som das doze no quartel dos bombeiros, à partida do autocarro para o Parque dos Príncipes, o início da iluminação nocturna, os automóveis em fila à saída da auto-estrada, as pessoas que saem e entram nos prédios, tão seguras como se soubessem perfeitamente o que fazem e o que virá a seguir. Para mim é tão pouco claro o caminho! O problema é que esta solidão não tem desfecho enquanto eu sentir ânsia em te rever e só será desfeita quando já não sentir a dor da tua ausência, quando não me quiser sentar na tua sombra. Só depois poderei reconstruir-me porque a necessidade de alguém particular não se sobreporá à necessidade do outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aguardo, pois, com estoicismo um acordar sem que o teu nome ecoe em mim como um gongo barulhento que me marca o início do dia e me grita que tudo ainda continua baixo, continua triste…&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-8883042775670395936?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/8883042775670395936/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=8883042775670395936' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/8883042775670395936'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/8883042775670395936'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2010/06/culpa-e-da-melancolia-esse-feitio-como.html' title='A culpa é da melancolia (esse feitio, como a minha mãe lhe chama)...'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/TBn-hJnkoMI/AAAAAAAAAnE/qYnbozwVBZI/s72-c/melancolia+10.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-2204603925184211887</id><published>2010-05-30T17:19:00.006+01:00</published><updated>2010-05-31T08:09:52.892+01:00</updated><title type='text'>Estado de Guerra</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/TAKQZS-2_MI/AAAAAAAAAm0/hDsqe3rRsDQ/s1600/guerra.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 266px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5477098861102562498" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/TAKQZS-2_MI/AAAAAAAAAm0/hDsqe3rRsDQ/s400/guerra.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A vida marca-nos e ficamos sempre reféns dos seus carimbos. Depois jogamos as neuras com sessões de psicoterapia, tentando recusar o passado como peixe estragado, mas aquilo que permanece é aquilo que pretendemos esquecer. Revisita-nos em todo o seu esplendor em épocas de festa ou, inadvertidamente, como o controlo antidoping, como se quisesse identificar produtos proibidos nos vasos sanguíneos e reavivar-nos a memória para aquilo que realmente somos. Lembra-nos que não podemos fazer da vida um palco de felicidades incómodas e de alegrias desajeitadas…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre me senti amedrontado e culpabilizado, mesmo quando as circunstâncias da vida me anunciavam o reverso. O êxito nalgumas actividades, concursos terminados com medalhas ao peito e sempre com uma voz off aconselhando-me a pensar naquilo que sou, um simples soldado que nunca foi desmobilizado. Porque as guerras nunca se ganham nem perdem. As guerras continuam mesmo sem o troar dos confrontos, matreiras e silenciosas, à espera um armistício. Não há soluções para as guerras porque o coração dos homens apenas trabalha com a matéria-prima que os construiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sala, procuro um carreiro no escuro da noite e não ligo a luz para não ferir os olhos. Sinto-me velho e mais sagaz. O tempo não nos torna melhores, apenas nos faz mais desconfiados e manhosos e impede-nos de suportar danos cedo demais. Pondero estratégias e renovo a minha ansiedade em bater-me ferozmente nas batalhas que se avizinham. Cavo trincheiras, acumulo mantimentos e munições. A frieza também se aprende, as balas e armas sofisticadas como o silêncio e o cinismo. Os meus aliados juraram lealdade, mas, como sempre, apenas conto comigo próprio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentado frente à janela seguro numa velha arma e espreito o horizonte fortemente iluminado. O mal segue pelas valetas e pelas sombras escuras dos prédios e facilmente invadirá os meus domínios. Darei luta, pois está em jogo o orgulho e prefiro morrer a lutar do que adormecer progressivamente na paz podre. O céu num escuro sombrio envolve o mundo em profundo silêncio como se estivesse para acontecer algo de derradeiro que definirá o futuro. Tenho pouco para perder mas nada a ganhar. A guerra é mesmo assim, um vazio absoluto, qualquer ganho é apenas um sentido elementar da nossa ausência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi quando tu bateste à porta de mansinho, com medo de que estivesse a dormir. Espreitei pelo óculo e reconheci logo a tua sombra. Animada, afirmaste que lutarás comigo até à morte e o teu entusiasmo conforta-me e emociona-me. Nunca te pediria o sacrifício, mas a recusa equivaleria a perder-te. Já quase nada tenho, não posso desembaraçar-me do que me garante identidade. Sentas-te juntinho a mim, não falas e pela tua respiração parece que adormeceste. O medo, às vezes, provoca sonos profundos, a fuga para um vazio que nos liberta. Também eu gostava de adormecer e encontrar-te em lugares coloridos. Em locais de serena luz onde a paz nos olhasse cara a cara. Sinto os olhos a fechar pelo sono acumulado ao longo da vida. Tenho a certeza que as portas e janelas não suportarão as investidas e de repente parece-me inglório qualquer empenho. Olho-te a face calma e o teu sono tão profundo como um rio. As armas escorregam-me pela cintura e perco a frieza. Talvez a derrota me faça bem e as lágrimas vertidas me tornem melhor. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-2204603925184211887?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/2204603925184211887/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=2204603925184211887' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/2204603925184211887'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/2204603925184211887'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2010/05/estado-de-guerra.html' title='Estado de Guerra'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/TAKQZS-2_MI/AAAAAAAAAm0/hDsqe3rRsDQ/s72-c/guerra.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-9147168132912738328</id><published>2010-05-22T13:50:00.004+01:00</published><updated>2010-05-22T15:24:19.648+01:00</updated><title type='text'>Viagem em Cruzeiro</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S_fUksfy8mI/AAAAAAAAAms/gjAX2aWJY_o/s1600/mulher+sem+tino.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 216px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5474077598977028706" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S_fUksfy8mI/AAAAAAAAAms/gjAX2aWJY_o/s400/mulher+sem+tino.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A TSF dava conta de contornos de uma crise sem fim e, dissimuladamente, olhou para o marido que comia a sopa, cabeça encostada ao prato, sorvendo-a com ruidosa pompa. Barba por fazer, uma barriga cada vez mais saliente, as jeans de sempre com estilhaços em vários pontos. Era o seu homem, aquele que acreditara amar para o resto da vida! Grande coisa… Ainda por cima o sexo atlético, o sexo selvagem e mesmo sexo artístico de tempos pré-históricos tinha dado lugar a um sexo contemplativo, mal amanhado, que lhe fazia lembrar maus cozinheiros, ao colocarem todos os ingredientes ao mesmo tempo na panela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltou a dar atenção às notícias. Mais uns dados esclarecedores sobre a sociedade portuguesa, fachadas formosas que encobrem deficites armadilhados que dificilmente serão reembolsados nas próximas gerações, um rosário de histórias sem moral, falta de ética e falta de rumo. Parecia que estavam a falar dela mesma. Uma entidade sem enredo, tristonha e sem futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Maria, estás aí?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela levantou os olhos, tentou compor um trejeito tímido e pressentiu algo que nunca considerara. Há qualquer coisa de sórdido no acto de envelhecer. Haverá sempre. Um dia olhamos para o espelho, não gostamos do que vemos e percebemos que o corpo se esvai para qualquer lugar distante. Ou que o corpo fica e nós caminhamos em frente. O mais interessante é que nos vamos acomodando ao facto. Claro que atenuamos esse lado obscuro se aligeirarmos as ânsias e afrouxarmos os desejos. Mesmo assim, a decadência do corpo transporta atrás de si um rol insuspeito de desmazelos físicos e intelectuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hoje estás tão calada. Aconteceu alguma coisa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Limitou-se a abanar a cabeça. Ouvia as notícias que continuavam amarguradas. Um mundo sem ânimo. Tal como se sentia. Filhos criados e com as suas próprias vidas, a barriga do marido a apontar para ela como uma protuberância perturbadora com vida própria e parecia que os movimentos lhe queriam dizer alguma coisa. Julgou que estava a enlouquecer. Levantou-se e foi à casa de banho, lavou a face e olhou-se ao espelho. A tristeza invadia-a como fumo de escape. Parecia ter cheiro, com uma densidade tão cruel que poderia pegar e dobrar. O que fazer para transformar a vida em local de ousadia? Regressou à cozinha onde o marido insistia em acabar com o frango com esparguete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Está óptima a comida. Tu quase não comeste, aconteceu alguma coisa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fez mais um sinal negativo com a cabeça. Estava a ser injusta para ele. Era mais feliz que ela porque dava tudo como adquirido, como se a vida já estivesse cumprida, agora que se reformara. Bonacheirão, amigo dos amigos, combinava frequentemente jantaradas, ia ao futebol e gritava como um doido contra os árbitros e assumia que a vida valia a partir desses pontos de vista. Às vezes, lembrava-lhe a necessidade de ter cuidados, de excluir excessos e ele limitava-se a responder que não fazia qualquer sentido morrer saudável. Nela também já se notavam as marcas, mas agia com disciplina para as manter reservadas. E perante olhares mais indiscretos diminuía as sequelas à custa de um empenho mais localizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sabes que ando a pensar se não devemos fazer um cruzeiro, dormir até tarde, ver umas ilhas, e comer o dia inteiro…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não respondeu. Não era bem isso, mas não encontrava alternativas. Precisava de reencontrar marcas de um espírito errante. Para onde tinham ido os ideais de outrora, utopias que escandalizavam ouvidos mais conservadores? Onde tinha ficado a graça e a capacidade de gostar do mundo, da própria casa, de continuar a comprar livros, de olhar telas na galeria e poupar uns dinheiros até poder comprar as mais baratas. Agora sentia-se manietada pelas circunstâncias e que circunstâncias…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que dizes à viagem pelas ilhas gregas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encolheu os ombros. Não lhe apetecia falar, como se as palavras fortalecessem esse mundo medíocre, aquela vida mesquinha das pequenas coisas, dos pequenos gestos, dos pequenos prazeres, dos pequenos limites, das pequenas ambições. Sentiu-se pequena também, uma pequenez que lhe causava estranheza e dor. Nunca fora grande, é verdade, mas faziam-na grande os sonhos, as expectativas face aos filhos, tudo o que poderia fazer após a reforma, as viagens planeadas. E nada fora feito e agora nada lhe parecia suficientemente ambicioso. E aquela sensação do dever cumprido que via nele e que ela não conseguia atingir… &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-9147168132912738328?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/9147168132912738328/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=9147168132912738328' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/9147168132912738328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/9147168132912738328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2010/05/tsf-dava-conta-de-contornos-de-uma.html' title='Viagem em Cruzeiro'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S_fUksfy8mI/AAAAAAAAAms/gjAX2aWJY_o/s72-c/mulher+sem+tino.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-7875546763141231070</id><published>2010-05-07T19:31:00.007+01:00</published><updated>2010-05-10T15:31:42.213+01:00</updated><title type='text'>Um dia chuvoso de Primavera</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S-Rc5MwrvEI/AAAAAAAAAmk/irgBbZufXQE/s1600/menina+sonhando.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 216px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5468597985282341954" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S-Rc5MwrvEI/AAAAAAAAAmk/irgBbZufXQE/s400/menina+sonhando.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Tentámos, ou se tentámos! E a vida corria como se houvesse medalhas após a meta, mas nós fomos ficando para trás. Inconsoláveis. Nada mais havia a fazer. As ambições desmedidas foram-se perdendo como moedas de um bolso roto. Encontrámo-nos naquela tarde cinzenta frente a um mar escuro e com um vento frio e húmido a bater nas faces.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estás mais magra. De resto não noto diferença. – Disse ele tentando sorrir.&lt;br /&gt;- Tu também estás na mesma. Afinal, não passou assim tanto tempo. – Ele conseguiu deslindar mágoa na entoação.&lt;br /&gt;- Está frio, o local de encontro não foi a melhor escolha. Parece Inverno. – Agasalhou-se, mantendo o olhar fixo no mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas soavam os silvos do vento que lhes sacudia os cabelos. Fora dele a ideia de se reencontrarem após contacto telefónico sobre uns livros que ela necessitava para um trabalho do mestrado.&lt;br /&gt;- Eu levo-tos se quiseres.&lt;br /&gt;Após alguma hesitação e sugestão rejeitada para os deixar a uma amiga comum, ela aceitou. Sentia uma curiosidade quase mórbida de a rever. O rosto é o espelho da alma e nele se poderia pesquisar a justeza da decisão. Ou a cor da vida que a prolongou. As separações quase nunca são traumáticas, a solidão é que se transforma na consequência do próprio tempo. Após consumada a ruptura, ele sentou-se no sofá às escuras, com o rádio ligado, e feitas as contas, concluiu que tinha sido a melhor decisão. Mas, após três meses, reapareceram dúvidas, primeiro tímidas, depois cada vez mais fortes que lhe iam ocupando os tempos mortos como embrulhos pesados. Todavia, não queria parecer ansioso no primeiro contacto após fractura aceite pacificamente por ambas as partes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa manhã levantou-se cedo. Um banho longo e com alguma dificuldade seleccionou entre as camisas engomadas a que mais o favorecia ao espelho. Sentia um tremor íntimo comparado com os encontros de adolescente. O receio do reencontro. Como se, de um momento para o outro, deixasse de novo ter na mão a sua vida. Um perigo após meses dos quais guardava um sabor ácido, como a prova de um vinho estragado. A solidão, aos poucos, faz regressar antigos fantasmas que tinhamos abandonado sem qualquer esforço. Julgamos sempre que a vida é um pátio onde nos encontramos sempre ao fim da tarde e poderemos ir para casa junto de alguém que tal como nós procura a outra metade de si. O problema é que a vida não é nada disso. Coloca tapumes que obrigam a esperas estóicas que vão enlouquecendo, esperas sem saída e tanto mais duras quanto mais o desespero da procura...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele colocou-lhe melhor o casaco sobre os ombros e pressentiu nela um estremecimento como se o toque a tivesse ferido. Como um ferrão de uma abelha. Permaneceram em silêncio enquanto caminhavam para o restaurante que ficava pendente sobre o mar. A sala ainda às moscas e escolheram a mesa de onde se abria um horizonte largo e profundo. Havia uma tensão no ar, ambos enredados em perguntas que teriam de ser feitas e em respostas baralhadas que teriam de dar. Apenas não sabiam como despoletar aquele vendaval. Fazia lembrar os momentos que antecedem uma tempestade, mas ainda sem qualquer movimento das nuvens e das copas das árvores. Entretanto, surgiu o empregado com o livro das ementas e descobriram nele a solução para o silêncio prolongado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Queres carne ou peixe? – Perguntou ele em tom informal.&lt;br /&gt;- Não ando com grande apetite. Mas apetece-me mais peixe. - E após um pequeno interregno e olhar fixo na ementa, com um gesto pediu a presença do empregado e perguntou-lhe qual o peixe que aconselhava.&lt;br /&gt;- Aqui todo o peixe é fresco. Tudo depende do gosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decidiram-se, vinho e variedade do peixe, enquanto ela fitava o mar. Estava mais bonita, como se a separação acentuasse o mistério e firmeza dos traços. Aquele medo de sentir o que se proibira estava tão presente como o poder do mar que se afastava da janela em tons ocres e negros ao fundo do horizonte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estás feliz? – perguntou com uma coragem ganha de rompante.&lt;br /&gt;- O que te parece? – respondeu ela olhando-o fixamente, como se pela primeira vez o analisasse, tal como um médico no consultório.&lt;br /&gt;- Estás bem, estás mais bonita. Agora não tenho a certeza se o teu mau humor se deve ao facto de estares comigo ou se é apenas um prolongamento de um estado de espírito.&lt;br /&gt;- Se queres saber, são as duas coisas. Não te vou mentir. Estou aqui porque insististe e após concluir que não tinha razões para não vir. Mas não tenho a certeza se foi uma boa ideia.&lt;br /&gt;- Porquê? – interrompeu-a.&lt;br /&gt;- Não sei, mas conheço-te muito bem. O teu olhar não é de indiferença e tenho receio que me peças algo que eu não te possa dar.&lt;br /&gt;- O quê? O regresso?&lt;br /&gt;- Sim, ou então uma reaproximação que eu também não desejo. Tenho pensado muito. Gostei de ti, não me és indiferente, mas a história nunca se repete. Corre como um rio, segue o mesmo leito, mas as suas águas viajam sempre em direcção à foz e nunca poderão voltar para trás. Não sou feliz, mas não quero cometer o erro de regressar a um tempo sem finalidade e sem sentido…&lt;br /&gt;- Tens alguém? – Cortou-lhe a palavra rispidamente.&lt;br /&gt;- Se é isso que te preocupa, não tenho ninguém. Mas poderia ter. Apenas não estou ainda em condições para albergar na minha vida o peso da intimidade. Sinto-me calma, leve, apenas com a nostalgia própria de quem está sozinha e vê demasiada televisão à noite…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Surpreendia-o a segurança dela. De resto, o mesmo perfume, os mesmos traços, a inteligência e a prontidão face ao inesperado, razões que lhe deram volta à cabeça anos antes. Parecia tão fácil voltar apaixonar-se e começar tudo como numa primeira vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E não me perguntas se tenho alguém, pelo menos…&lt;br /&gt;- Não, não tenho sequer curiosidade. Sabes que tudo tentei para que resultasse entre nós. Não deu, paciência. Agora não sou pessoa de muletas e pedir a alguém que me ajude a caminhar ou a subir a montanha. Prefiro caminhar com alguém ao meu lado que ascenda sozinho, tal como eu.&lt;br /&gt;- Mas a verdade é que não tenho ninguém e sinto-me sozinho… - Fixou-a já sem timidez como se a declaração nada mais deixasse por dizer.&lt;br /&gt;- Olha, a solidão não basta para prolongar ou refazer o que quer que seja. Nós não precisamos um do outro, podemos é ter necessidade de alguém, o que é bem diferente. Não podes confundir as duas coisas sob pena de seres muito infeliz. Chegámos à conclusão de que não tínhamos futuro. Não podemos agora reinventar um caminho só porque sentimos o peso de um futuro sem nexo.&lt;br /&gt;- Tens razão, mas faz-me o favor de não questionares que continuo a gostar de ti.&lt;br /&gt;- Gostar é fácil. Ainda mais fácil dizer! Tivemos tempo suficiente para criar algo juntos. Nada fará recuar ao dia em que decidimos ir cada um para seu lado. Ferimos de morte qualquer futuro a dois, agora teremos de caminhar em vidas paralelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terminaram a refeição em silêncio, quebrado pelo ruído dos talheres contra os pratos. Não quiseram sobremesas, beberam café. Prontificou-se pagar mas ela insistiu para dividirem a conta. Teve de aceitar pela contundência em firmar o acordo. Cá fora o vento e uma chuva miúda fazia baixar a cabeça e acelerar os passos e ele lembrou-se dos livros enquanto ela corria para o carro. Abriu o vidro, recebeu o saco e tentou sorrir enquanto ele a fitava com um olhar de tristeza que prolongava aquele tempo frio de Primavera.&lt;br /&gt;- É melhor não nos vermos mais, então?&lt;br /&gt;E ela fitou-o como se quisesse guardar alguns pormenores e respondeu de forma assertiva:&lt;br /&gt;- É melhor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fechou o vidro rodeado em pingos de chuva e ele apenas conseguia ver no interior sombras escuras que oscilavam em movimentos assimétricos. O automóvel arrancou e imóvel esperou até a ver sair do parque. Correu, sentou-se no carro e colocou as mãos na face. Uma nova fase se iniciara.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-7875546763141231070?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/7875546763141231070/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=7875546763141231070' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/7875546763141231070'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/7875546763141231070'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2010/05/um-dia-chuvoso-de-primavera.html' title='Um dia chuvoso de Primavera'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S-Rc5MwrvEI/AAAAAAAAAmk/irgBbZufXQE/s72-c/menina+sonhando.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-5285317686139482822</id><published>2010-04-22T11:27:00.002+01:00</published><updated>2010-04-22T11:31:46.698+01:00</updated><title type='text'>A Desculpa</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S9AlGTJydxI/AAAAAAAAAmc/ZkSn274X1kU/s1600/mulher.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5462907138151184146" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 266px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S9AlGTJydxI/AAAAAAAAAmc/ZkSn274X1kU/s400/mulher.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Ao longo dos anos, sempre reconheci a minha falha. Era como se um pano preto cobrisse a minha alma quando, em trabalhos de arqueologia no reconhecimento do passado, a sua face me visitava como um amigo indesejado. Passamos a vida a ruminar a vida ingerida, uma vez após outra, para justificar que não a desperdiçámos e esbanjámos em coisas sem importância, nem a fomos destruindo com opções duvidosas. Mas vão permanecendo pedras no sapato, umas por culpa própria outras colocadas por personagens que tentamos odiar ou pelo menos esquecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar das distâncias, há pequenos sinais que resistem e que me identificam como o personagem principal. Traços, posturas físicas, medos, fantochadas, os mesmos truques de ilusionismo que mesmo agora me continuam a ameaçar a realidade. Uma multidão de figurantes esquivos, manequins vestidos consoante as fases, aros de óculos, cabelos curtos ou compridos, introduzidos em alçapões e separados uns dos outros em gavetões semelhantes aos das morgues. Pego num e depois noutro como um coleccionador neurótico que olha para todos os pormenores e revisito as caminhadas e os impasses que cada um viveu. Encontro sempre marcas não resolvidas, como manchas que permanecem mesmo após várias lavagens na máquina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era tão diferente do que sou agora que a análise é mutilada pela divergência de maturidade, de perspectivas, de experiências. Suspeito que a análise do passado reflicta essa divergência inultrapassável de que qualquer história é sempre uma ficção, na medida em que é a tentativa de exportar para trás a imagem do mundo que hoje nos transporta. A verdade do passado é sempre uma narrativa ficcional resultante do esforço de tentarmos compreender o presente. A objectividade é impraticável mesmo dominando, aparentemente, todos os factos, contextos, até datas, meses e horas. Palavras por dizer. Mentiras companheiras de viagem, incómodas como as sombras frias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez essa seja a razão do peso da vida. A memória garante a presença do passado sem levar em conta o que entretanto passou. E há acasos, aqueles acasos de que é fértil a vida, como se os detectives nada precisassem de fazer porque os indícios vêem ter com eles. Vinte anos depois ali estava, a poucos metros de mim, em fato de banho. Olhava fixamente um mar de azul-escuro, povoado de pequenos barcos e gritos de veraneantes. Mantinha a beleza do rosto, os olhos rasgados e um cabelo dourado. Conversava com alguém e a minha proximidade resguardava-me. E foi aí que tudo foi revelado. As pernas dela quebradas por regos profundos, um emaranhado de estranhas elevações que lembravam dunas do deserto, um cenário disforme, absurdo, quase ridículo. Uma enfermidade que determinara no fim da adolescência intervenções médicas frequentes. Razões de desculpas, inseguranças, da inaptidão para intimidades. Eu conhecia as idas frequentes dela a Espanha, de visitas a médicos por razões pouco claras em conversas dúbias, quebradas por silêncios sem nexo, como se o mundo dela viajasse paralelo ao meu sem possibilidade de sintonia. E as razões, testemunhava agora, eram outras, estas que me faziam convergir o olhar para a sua própria adversidade e não aquelas que determinaram a fuga, depois o exílio. Encontrei-me sempre com os remorsos de ter ido sem lhe dizer que voltava. Tal como aconteceu. Escondeu de mim o que julgou ser motivo para me afastar e eu interpretei os factos à luz dos dados disponíveis. Decifrei-os à luz de uma idade que não quer perder tempo com problemas irresolúveis. Possivelmente, teria partido na mesma, caso soubesse as verdadeiras razões. Magoou-me pensar nisso, nessa tarde de Verão. Como se no final tudo se encaixasse no ritmo inexorável da história.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-5285317686139482822?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/5285317686139482822/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=5285317686139482822' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/5285317686139482822'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/5285317686139482822'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2010/04/desculpa.html' title='A Desculpa'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S9AlGTJydxI/AAAAAAAAAmc/ZkSn274X1kU/s72-c/mulher.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-3075053824393966072</id><published>2010-03-29T12:28:00.003+01:00</published><updated>2010-03-30T18:23:20.568+01:00</updated><title type='text'>Os ventos sombrios da Primavera</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S7CPeBb6ivI/AAAAAAAAAmU/w4JLI1j4-ac/s1600/o+rio+e+os+p%C3%A9s.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5454016894690036466" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S7CPeBb6ivI/AAAAAAAAAmU/w4JLI1j4-ac/s400/o+rio+e+os+p%C3%A9s.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Ignoro se este tempo instável causa idênticos efeitos em todos os cérebros. No meu caso, as nuvens carregadas de electricidade prejudicam a concentração e reforçam melancolias. Escrever torna-se penoso. A Primavera não permite o sossego.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-3075053824393966072?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/3075053824393966072/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=3075053824393966072' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/3075053824393966072'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/3075053824393966072'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2010/03/os-ventos-sombrios-da-primavera.html' title='Os ventos sombrios da Primavera'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S7CPeBb6ivI/AAAAAAAAAmU/w4JLI1j4-ac/s72-c/o+rio+e+os+p%C3%A9s.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-6485369033903056368</id><published>2010-03-17T14:12:00.004Z</published><updated>2010-03-17T14:22:12.972Z</updated><title type='text'>Vidas de Adulto</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S6DkGxjoVyI/AAAAAAAAAmM/QzEkNS8FK6s/s1600-h/Fly_Song_0042.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5449606354151429922" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S6DkGxjoVyI/AAAAAAAAAmM/QzEkNS8FK6s/s400/Fly_Song_0042.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O amor sintetiza em si mesmo todas as ânsias, ilusões e fantasias humanas e raramente o percurso para o atingir é linear, encaminhando-se por trajectos labirínticos, recusando a facilidade. É como se exigisse oscilar no arame como os saltimbancos e olhar o solo em baixo sem rede, fazer piruetas em trapézios escorregadios antes de acolher a serenidade...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto vem a propósito de uma história verídica que se passou numa pequena aldeia raiana, cheia de casas de pedra e ruelas estreitas. Era o ano de 1965 e a personagem principal é António Gonçalves, trinta e oito anos de idade, emigrado em França havia quase duas décadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase quarentão e rico (pelo menos tendo em conta a miséria ou a modéstia dos que ficaram), era pressionado continuamente pela família para que desse um novo rumo à vida. A reacção era recusar liminarmente porque identificava a constituição de família como um obstáculo à concretização das rasgadas aspirações. Mas um dia em casa de um irmão tudo se modificou. Ao serão falou-se de solidão, dos filhos que continuariam projectos, do apoio de uma mulher que fosse trabalhadora e honesta, e ele, pensando em voz alta, afirmou: “mesmo que aceitasse o vosso conselho, na nossa aldeia não casaria porque as raparigas disponíveis não me interessam!" “Então se o problema é esse vamos procurá-la noutro lado”, respondeu-lhe de imediato a cunhada. E no dia seguinte, logo pela manhã, meteram-se ao caminho em direcção a Aldeia Velha, que distava uns parcos quilómetros por entre serras e caminhos enlameados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cunhada conhecia uma tecedeira de colchas havia vários anos e acreditava ser a pessoa indicada para lhe aconselhar as raparigas com o perfil mais adequado. Enquanto entrava em casa da tecedeira, António vestido com uma gabardina clara, uma camisa azul a despontar e uns sapatos pretos luzidios por baixo das calças ficou no exterior. A senhora ao conhecer a finalidade da visita, riu-se ruidosamente, dizendo que o que não faltava na aldeia eram raparigas casadoiras. “Olhe, aqui mesmo na casa ao lado, vive uma moça trabalhadora, limpa e honesta, de nome Lucinda. Porque não falam com ela?” Agradeceram e acataram a recomendação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A casa era branca, as janelas emolduradas com sardinheiras vermelhas, uma varanda de pedra que pendia para um curral largo e uma choupana feita de lenha escura. Bateram à porta e após algumas tentativas alguém acode. A voz vinha da loja e nas escadas surgiu uma rapariga de baixa estatura, com uma camisola azul escura suja do cotão do linho, mas com um sorriso bonito e franco. Diga minha senhora. Ainda não vira o António, reservado e encostado ao muro.&lt;br /&gt;- É a rapariga solteira do Zé Marracho, não é?&lt;br /&gt;- Sou sim senhor, a que veio? Perguntou com ar desembaraçado.&lt;br /&gt;- Olhe, eu tenho um cunhado que está em França e neste momento está cá de férias e queria conhecer alguém para casar. Alguém me aconselhou falar consigo. O que é que acha?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela espreitou para a rua e viu uma figura alta, com aquela gabardina clara, parecia um doutor, confessou ela mais tarde e limitou-se a dizer &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;- Por mim tudo bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A um sinal da cunhada, António surgiu, cumprimentou Lucinda sem grande entusiasmo e a convite para entrar em casa fê-lo sem demora, sentou-se num banco frente à lareira, enquanto a rapariga enchia a mesa com queijo, presunto e chouriço e vinho, tudo produtos caseiros. O silêncio pesado era entrecortado por frases breves “então não come?”, “obrigada, eu estou a comer”, respondia ele pouco expansivo. Entretanto, chegou da horta a mãe que para além do cumprimento de circunstância não se alargou noutras considerações. Lucinda regressou ao tear enquanto os visitantes prometeram esperar Zé Marracho que em breve chegaria com as vacas do campo. Era quase noite quando se ouviu o portão a arrastar nas pedras da calçada e pouco depois a voz dele na loja dando ordens aos animais irrequietos. Não entrou logo em casa, como se cuidar dos animais fosse mais importante do que o assunto a tratar com os forasteiros. Entrou na cozinha, cumprimentou os desconhecidos, ao mesmo tempo que repetia, “só para casar, namoros não quero”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se houve outras conversas e com este tempo de distância nenhum dos intervenientes vivos me soube dizer. Apenas António se lembra de ter pensado desistir e esquecer-se dos projectos. Na retirada não viu Lucinda, apenas escutou vindo da loja um som seco, ríspido e ritmado do tear, umas tábuas contra outras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas depois de uma noite mal dormida, decidiu-se. Regressou a Aldeia Velha ainda noite e entrou na cozinha envolta pela clareira do lume. Zé Marracho ainda não saíra com o gado e tomava uma malga de café e uma fatia de pão com queijo branco. Firmaram datas e discutiram-se pormenores da boda. Dezoito dias depois António e Lucinda casavam na Igreja Matriz. Eu tinha seis anos mas lembro-me tão bem como se fosse hoje. Não houve uma festa de arromba, mas toda a família estava presente e houve comida com fartura. Os recém-casados permaneceram um mês em casa dos pais da noiva, antes de partirem juntos para França.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;António cumpriu a promessa transformando-se no maior proprietário da sua aldeia e o mais curioso é que ele e Lucinda formam o casal mais unido que conheço. Os afectos não exigem caminhos atapetados que rompe serras onde vagueiam lobos e linces...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-6485369033903056368?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/6485369033903056368/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=6485369033903056368' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/6485369033903056368'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/6485369033903056368'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2010/03/vidas-de-adulto.html' title='Vidas de Adulto'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S6DkGxjoVyI/AAAAAAAAAmM/QzEkNS8FK6s/s72-c/Fly_Song_0042.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-6886182305450347857</id><published>2010-03-09T12:32:00.002Z</published><updated>2010-03-09T12:35:33.762Z</updated><title type='text'>Amanhã corro no parque</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S5ZAStqRtwI/AAAAAAAAAmE/fbwUel-Bwr0/s1600-h/Andrew+Sweeny.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5446611489589933826" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S5ZAStqRtwI/AAAAAAAAAmE/fbwUel-Bwr0/s400/Andrew+Sweeny.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Cansei-me. Vai tu que tens sangue nas guelras. Não sintas piedade que a piedade é um sentimento cruel. Encontrámo-nos por acaso, um acaso que nos descobriu tão sós como cães de rua e juntámo-nos para que o tempo não nos corroesse até aos ossos. Mas a felicidade não se compra nem se troca. A felicidade não é o resultado de um passo, de uma escolha. A felicidade é uma névoa que envolve alguns seres e segue com o vento, deixando-os nus e sós, como este horizonte sombrio após o sol se esconder por trás da serra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostava de te ver feliz, claro. Mas não tenho meios, falta-me jeito. Não consigo dizer as palavras certas no momento certo. Quando discutimos afastamo-nos, como se as palavras nos empurrassem para campos incomunicáveis. Há encontros, como o nosso, que só são possíveis no silêncio, neste silêncio que me permite pesquisar em mim o que é essencial. E continuarás a ser o alicerce seguro da minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai que eu fico. Sempre tive a sensação de estar sempre em contra-ciclo com a vida. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-6886182305450347857?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/6886182305450347857/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=6886182305450347857' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/6886182305450347857'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/6886182305450347857'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2010/03/amanha-corro-no-parque.html' title='Amanhã corro no parque'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S5ZAStqRtwI/AAAAAAAAAmE/fbwUel-Bwr0/s72-c/Andrew+Sweeny.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-5974870171533436618</id><published>2010-03-05T09:02:00.005Z</published><updated>2010-03-05T09:12:43.568Z</updated><title type='text'>A luz por trás da porta</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S5DJDV9OBhI/AAAAAAAAAl8/VBUDmroJjLo/s1600-h/Vladimir_Godnik.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 267px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5445073008761636370" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S5DJDV9OBhI/AAAAAAAAAl8/VBUDmroJjLo/s400/Vladimir_Godnik.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O sono ruidoso dela impedia-o de se concentrar no seu. Imaginou os momentos antes da morte sentindo a angústia de não conseguir morrer, tal como esta ânsia de dormir sem resultados. Depois uma inconsciência que não depende da vontade. Dorme-se e morre-se sem saber como… Levantou-se pé ante pé até à janela da sala, debruçada sobre a CRIL cheia de pontos cintilantes brancos e vermelhos. Afinal havia muitos outros a sofrer de insónias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após muitas hesitações e submersão em melancolias ao longo dos quinze anos deixara agora de ter esperança. Amava-a, mas não encontrava razões para ali continuar. Os filhos faziam-no feliz. Acordar com eles estremunhados à procura do lugar quente na sua cama recompensava a frieza, mas a tensão acumulada em noites longas reafirmava a falta de sentido. Encontrara nela o refúgio para uma solidão visceral, pais emigrados e criado pelos avós, o abandono da mãe já em plena adolescência, a morte do pai no meio de acusações, melindres e abandonos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se quiseres que eu seja apenas teu amigo, tudo bem. Mas então a vida será de acordo com o desejo de cada um, sem cedências nem partilhas. – Dizia-lhe há poucos dias, enquanto arrumavam a louça depois do jantar.&lt;br /&gt;- Mas não quero apenas um amigo, tu sabes. - Respondeu-lhe com os olhos pregados no chão.&lt;br /&gt;- Mas lembras-te há quanto tempo não fazemos amor? Há quase dois meses. As razões são sempre as mesmas. Ou estás cansada ou tens medo de magoar-te. E a falta de intimidade deixa-me muito inquieto, como se a nossa casa fosse um mundo de problemas por resolver. Amo-te, mas não posso continuar a viver com uma mulher que não se dá, que se resguarda tanto do toque, que vive obcecada com as suas maleitas, que se esconde no cansaço diário para não ter tempo para nada. Não tens tempo para mim, para os filhos, para a casa…&lt;br /&gt;- Isso é injusto, sabes bem. O meu problema é de natureza médica e ando a tratar-me. Sei que não tem sido fácil para ti, mas vais ter de respeitar este tempo de espera. As análises provam que há razões físicas para a minha incomodidade, para a minha falta de entusiasmo, para a recusa da intimidade…&lt;br /&gt;- Ando há anos a pedir-te para que não cruzes os braços perante os sintomas como se fossem uma fatalidade. Deve haver intervenções médicas que resolvem o problema. E eu fiquei, não fiquei? Mas vejo a vida a passar por entre os dedos e continuo a ver-te alheada dos meus projectos, das minhas necessidades. E o espírito inquieto que me quer arrancar daqui e não sei para ir… &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Um pequeno silêncio interrompeu. Ouviam-se no quarto dos miúdos vozes alteradas e correrias malucas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Mas eu já te disse várias vezes. Eu sou assim, conformada, pouco firme, um pouco depressiva. Conheces-me e terás de me aceitar tal como sou, caso contrário decide de uma vez e vai embora. Compreendo se fores…&lt;br /&gt;- Não me quero ir embora. Mas tu queres que eu fique? Não tenho a certeza se é isso que queres…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhou mais atento para os automóveis. Quantos dos seus ocupantes procuravam na noite uma saída? Inúmeras vezes também ele pensara que a solução estava por trás da porta. Tinha razões para ficar, mas insuficientes para ser feliz.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-5974870171533436618?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/5974870171533436618/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=5974870171533436618' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/5974870171533436618'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/5974870171533436618'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2010/03/luz-por-tras-da-porta.html' title='A luz por trás da porta'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S5DJDV9OBhI/AAAAAAAAAl8/VBUDmroJjLo/s72-c/Vladimir_Godnik.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-7749009881572911583</id><published>2010-03-02T08:27:00.005Z</published><updated>2010-03-02T08:35:55.475Z</updated><title type='text'>A menina feliz</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S4zMM1v3d4I/AAAAAAAAAl0/m9Yk_R1GUeI/s1600-h/menina+sorri.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 380px; DISPLAY: block; HEIGHT: 289px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5443950570542430082" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S4zMM1v3d4I/AAAAAAAAAl0/m9Yk_R1GUeI/s400/menina+sorri.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Uma tarde com chuva ininterrupta, tal como nas últimas três semanas. Pensou num documentário científico onde se explicava que a origem dos oceanos se deveu a um milhão de anos de chuva torrencial e julgou ser uma metáfora apaziguadora. Gostava de chuva desde pequeno, tornava-o melancólico, mas feliz. Muitos dos momentos serenos e reconfortantes de que se lembrava tinham como cenário a chuva e o som das poças por baixo dos beirais. Mas agora já era um exagero, tantos dias embaciados e turvados pela água que caía do céu aos trambolhões! Contemplar o sol límpido por uns breves momentos e sentir na face um calor delicado seria já uma boa experiência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que ela espreitou pelas grades e sorriu. Sabia que ele já se encontrava ali, como sempre. A pontualidade era a marca distintiva dele. Mandou-lhe um beijo com a mão e correu para ir buscar a mochila e o casaco. Deram as mãos e encaixaram-se no espaço diminuto do guarda-chuva até ao parque de estacionamento. Ela dava saltinhos de contentamento, ele ao lado a tentar encontrar entre as poças um itinerário mais enxuto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como correu o dia? – A pergunta costumeira após um dia na escola e o optimismo dela bastava.&lt;br /&gt;- Bem, muito bem. – disse ela, sem fazer grande esforço em mostrar firmeza na voz.&lt;br /&gt;Depois, apenas o estrupido dos automóveis e do vento que sacudia o guarda-chuva desgovernado. No carro cantarolam baixinho as cançonetas rotineiras que passam no rádio. A certa altura, do banco de trás, uma pergunta dela sem qualquer introdução&lt;br /&gt;- Pai, qual é o teu maior sonho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele olhou pelo espelho retrovisor e encontrou os seus olhos perdidos na janela. Dez anos acabados de fazer, tão cheios de fantasia e de inocência. Hesitou, depois declarou em jeito de confidência.&lt;br /&gt;- Daquele que me lembro melhor, deixa lá ver… que tu sejas feliz! – E compôs a face com um trejeito de enternecimento.&lt;br /&gt;E ela regressou do mundo ensopado até aos ossos e retorquiu, agora com convicção:&lt;br /&gt;- Mas eu já sou feliz. – Pareceu-lhe tão sincera como a força da chuva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E voltaram a cantarolar a canção da rádio, com mais força no refrão. Lá fora a água regava todos os recantos por mais ínfimos e se continuasse a cair com este ritmo apenas faltavam umas centenas de milhares de anos para serem criados novos oceanos onde os homens poderiam navegar. Sentiu-se sereno com essa possibilidade…&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-7749009881572911583?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/7749009881572911583/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=7749009881572911583' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/7749009881572911583'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/7749009881572911583'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2010/03/uma-tarde-com-chuva-ininterrupta-tal.html' title='A menina feliz'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S4zMM1v3d4I/AAAAAAAAAl0/m9Yk_R1GUeI/s72-c/menina+sorri.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-514147642555714167</id><published>2010-02-27T12:37:00.006Z</published><updated>2010-02-27T13:54:19.624Z</updated><title type='text'>A Largada</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S4kYFYntHoI/AAAAAAAAAlk/ISqBOkPJ1p4/s1600-h/soprodaalma543743842.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 342px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5442908105441353346" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S4kYFYntHoI/AAAAAAAAAlk/ISqBOkPJ1p4/s400/soprodaalma543743842.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Conheci-o em circunstâncias que habitualmente nos cruzam com lugares inóspitos e pessoas singulares. De uma educação irrepreensível, um passado gasto em cargos públicos e há vários anos reformado. Identificava-se facilmente esse lado social pela amabilidade natural, fortalecida por uma simpatia extra de quem mostra sempre o melhor de si mesmo. Ao pé dele sentia-me sempre rodeado de boas intenções e dos gestos mais afáveis…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao jantar contava-me histórias de juventude, passadas nas primeiras décadas do século, tendo como cenários trilhos serpenteando a serra até às aldeias vizinhas. Do alto parecem tão próximas como se localizadas logo ali após a curva, mas pela estrada são tão remotas que levam um dia inteiro a chegar. Por isso eram frequentes as caminhadas nocturnas dos rapazes atravessando os pinhais, seguindo o instinto e marcos reconhecidos pela rotina, à procura de olhares lânguidos de raparigas e adegas onde o vinho saía de pipas altas e deixava espuma cor-de-rosa a boiar. Ter talento para aguentar o álcool não era um simples jogo lúdico para esquecer o presente. Era a marca de homem, de macho, de força, um requisito que impedia figuras tristes e desistências precoces. Um jogo em casa alheia, repetido depois na própria com os mesmos jogadores, sempre na tentativa de levar os outros ao tapete. E não era qualquer um que jogava para ganhar, concluía no meio de um esgar perdido nas paredes da sala. O regresso, já de madrugada, com a cabeça toldada pelo álcool e sempre armado do varapau para o que desse e viesse. Muitas vezes com o medo a gelar-lhe os ossos quando adivinhava passos intrigados na sua retaguarda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na última vez que o vi, há cerca de dois anos, já a doença o minava e era nítida a fragilidade do corpo. Suportado pela bengala, o sorriso menos amplo, mas com a mesma vontade em ser encantador. Vagarosamente, seguimos a rua emparedada por casas de granito falando de circunstâncias e repetindo as perguntas de sempre até que parámos em frente de uma longa e íngreme escadaria que liga à rua cimeira e segue em direcção ao cemitério. Mudou a postura, agora mais formal, olhar preso em mim e medindo ainda mais as palavras, exclamou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Primo – era assim que me chamava – posso pedir-lhe um favor, mesmo sendo estranho e incompreensível para si?&lt;br /&gt;- Claro, diga! – retorqui com curiosidade.&lt;br /&gt;- Não me interprete mal, mas apenas a si lhe poderia pedir isto. Os outros julgar-me-iam louco - um silêncio expectante. Podia subir a correr esta escadaria até chegar à outra rua?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei para ele com esperança de lhe ver algum sorriso na face que sugerisse brincadeira, mas de imediato percebi a seriedade do pedido. Não tinha alternativa, após tantos sinais de afectuosidade para comigo. Tirei o casaco e pousei-o em cima do primeiro degrau, dei-lhe o telemóvel e umas moedas encontradas nos bolsos das calças. Dobrei a camisa duas ou três vezes em cada braço, dei um pequeno balanço e comecei a correr como se daquela corrida dependesse o meu destino. Primeiro de dois em dois lanços, depois três a três, a meio já com o coração acelerado, mas interiormente sabendo que não poderia parar nem abrandar. Ao chegar ao último degrau, com as pernas a tremerem de esforço, arqueado e com as mãos nas pernas, encontro o sorriso dele cá ao fundo abanando a cabeça premiando o esforço e o feito. Depois fechou os olhos por uns instantes como se concentrasse naqueles momentos uma juventude há muito perdida nas andanças da serra quando o tempo era mais lento que os passos dados com vista ao infinito.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-514147642555714167?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/514147642555714167/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=514147642555714167' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/514147642555714167'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/514147642555714167'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2010/02/largada.html' title='A Largada'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S4kYFYntHoI/AAAAAAAAAlk/ISqBOkPJ1p4/s72-c/soprodaalma543743842.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-6602210326585835715</id><published>2010-02-24T17:42:00.003Z</published><updated>2010-02-27T13:49:05.088Z</updated><title type='text'>A Vida, o Autocarro e Eu</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S4kiwHBDKKI/AAAAAAAAAls/_Ulp482bFq0/s1600-h/school-bus-773212.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 349px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5442919834566469794" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S4kiwHBDKKI/AAAAAAAAAls/_Ulp482bFq0/s400/school-bus-773212.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S4Vlcs5XpwI/AAAAAAAAAlM/jniWe_mQ_zg/s1600-h/autocarro.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A vida é uma entidade complexa envolvida em inúmeras imagens e significados. Caminho, viagem, silêncio, euforia, surpresa, angústia, futuro, incógnita, memória. Sinaléticas vagas. Como se a boiar surgissem de imediato inúmeros pegas, adereços que vão compondo um puzzle interminável, naquele serpenteado de possibilidades que nos carregam para o céu ou para o inferno. Os sobressaltos, as indefinições, mas também as saídas rodeadas numa claridade transbordante, obrigam-nos a olhá-la perante múltiplas vistas panorâmicas e sentimentos paradoxais. Mas sempre a enorme aventura…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao recusar ceder a uma análise simplista de causa e efeito, surge-me como um autocarro que vai percorrendo itinerários diferentes conforme as épocas, velocidades divergentes relativas aos pisos e ao tráfego, mais apinhado ou mais vazio consoante os estados de espírito. Um autocarro sem rigidez de destino, também sem a áurea de outros que ostentam &lt;em&gt;cavalagens&lt;/em&gt; abissais, mas com uma biografia cheia de peripécias dignas de filmes e enriquecida à custa de uma memória cada vez menos rígida e de uma imaginação cada vez mais arrogante. Apesar de uns retoques na pintura, pequenos arranjos, o motor continua a dar sinais de vitalidade e tento adaptá-lo – sem conseguir plenamente – aos tempos que o vão envolvendo como uma sombra sinistra. Velocidades mais reduzidas, combustível menos rico em calorias, olhar mais atento a oxidações e ferrugens, sinais de uma prudência em crescendo à medida do maior traquejo do condutor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E os ocupantes. Não tinha sentido um autocarro sem eles. Quem entra e sai faz parte indissociável da sua natureza. Uma geografia humana sinalizada nos corredores e bancos, silhuetas de corpos e mentes que se fazem sentir quando o calor e a melancolia invadem o interior como o pó do deserto que se intromete pelas frinchas das portas. Restam nomes, aromas, sorrisos, prantos, esgares pensativos, poses de sedução, lábios colados por raiva contida. Alguns assentos nunca mais foram ocupados - lugares cativos - como se, de um momento para o outro, esses que ficaram para trás pudessem surgir com o dedo em riste em paragem num descampado. E depois os residentes, naquele silêncio próprio de quem faz parte da mobília, sem bilhete e sem destino. Por vezes, até me esqueço que estão lá e revisito-os durante as paragens nos miradouros, essas janelas para as montanhas. Alguns comodamente sentados, outros com sinais de impaciência, ainda outros em manobras óbvias de desejarem sair nas paragens próximas. Talvez para entrarem noutra mais adiante, ou optarem por outro autocarro mais ufano. Não posso levar a mal mesmo que queira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A viagem continua, o autocarro mais cheio ou mais vazio, animado ou com um semblante turvo pela sujidade acumulada pelo vento. Mas sempre sorrateiro à procura de aventuras, de novas paisagens, de novos passageiros que timidamente se sentam e sugerem itinerários, questionam o tempo do trajecto e da possibilidade de alterar rumos…&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-6602210326585835715?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/6602210326585835715/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=6602210326585835715' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/6602210326585835715'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/6602210326585835715'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2010/02/vida-o-autocarro-e-eu.html' title='A Vida, o Autocarro e Eu'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S4kiwHBDKKI/AAAAAAAAAls/_Ulp482bFq0/s72-c/school-bus-773212.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-5174503589157034158</id><published>2010-02-22T11:53:00.004Z</published><updated>2010-02-22T12:02:18.565Z</updated><title type='text'>A minha menina</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S4Jwvf7vafI/AAAAAAAAAlE/I-8RFowS45A/s1600-h/Maos+Dadas.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 296px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5441035261145213426" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S4Jwvf7vafI/AAAAAAAAAlE/I-8RFowS45A/s400/Maos+Dadas.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Chega-te para perto de mim. Dá-me a mão, essa mão pequenina e quentinha. Não te afastes. Julgam-me desempregado, sem eira nem beira e ainda por cima comendo solidão com faca e garfo. Quero mostrar-lhes que não passa de um cenário inventado pelas suas próprias mágoas. Tenho-te a ti e não preciso de mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas fica bem juntinho a mim, como duas pessoas que se gostam. Bom dia, senhor Fagundes. Este é o dono da mercearia. Com os preços inflacionados preferimos ir comprar mais longe e depois fica com este ar zangado como se lhe devêssemos alguma coisa. Para que queres saber disto? Mas temos que falar de alguma coisa, ou não? Esta é a minha menina que lhe falei. Diz bom dia ao senhor! Eu sei, mas temos de ser simpáticos. E nós somos felizes à nossa maneira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquela é a Dona Lídia, funcionária da papelaria. Tem pouco que fazer e não perde nenhum movimento. Tem um pescoço comprido, repara bem, chamo-lhe o ganso. Olha-me sempre com pena, mas com um sorriso sombrio, como se precisasse de me ver para se sentir feliz. Mas tem razão, sabes? Restas-me tu. Apesar de tudo, acredito que ainda haja um pequeno lugar em ti onde me possas acolher. Bom dia, como está Dona Lídia? É a minha pequenina que veio passar uns dias comigo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Dá-me a tua mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre tive tanto para te dizer, mas faltavam-me as palavras. Mentalmente fazia-te discursos, longos como as tardes que escorriam suavemente pela varanda, mas uma palavra, uma simples palavra que poderia ser mal interpretada, uma palavra que poderia dizer mais do que eu podia, que poderia ultrapassar o muro que se interpôs entre nós… Demasiado significativa, demasiado abonada e poderia criar mal entendidos. Uma simples palavra obrigava a outro discurso e depois a outro e eu desistia enrolado em palavras como um golfinho emaranhado em redes de pesca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora consigo dizer-te porque ao caminhar não encontro o teu olhar pousado em mim. Assim, o teu silêncio não é tão denunciante. Eras tão pequena e tão frágil, julguei que não era de mim que sentirias falta, depois percebi que a tua fragilidade aumentava à medida que eu me afastava. Mas era demasiado tarde. Sempre ao longe com a esperança de seres tu a dar o passo. Tu escolherias o meu lado quando conseguisses caminhar sozinha. E quem cresceu foi a muralha tão alta entre nós que percebi que nunca ficaríamos do mesmo lado. Enquanto queria afagar-te tu retribuías com cinismo; em vez de alegria compensavas com humor negro; em vez contacto apenas me pedias dinheiro para os teus brinquedos. Até que foi claro que apenas precisavas de mim para te dar o último nome, para te normalizar, para te garantir aquela segurança formal de um ser comunitário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal, fui eu quem mais perdeu. Bom dia, senhor Júlio. Este é o nosso vizinho do quinto andar, coitado, de um momento para o outro, uma estranha infecção deitou-o abaixo. A sua história fez-me lembrar uma ida ao tapete num combate de boxe, apenas com um soco, mas forte. Óptima pessoa. Falamos com frequência. É a minha menina, veio almoçar comigo. Está crescida e bonita, pois está… &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-5174503589157034158?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/5174503589157034158/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=5174503589157034158' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/5174503589157034158'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/5174503589157034158'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2010/02/minha-menina.html' title='A minha menina'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S4Jwvf7vafI/AAAAAAAAAlE/I-8RFowS45A/s72-c/Maos+Dadas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-1808240656825454718</id><published>2010-02-16T17:05:00.004Z</published><updated>2010-02-16T17:09:53.779Z</updated><title type='text'>Alguém na Margem...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S3rQ4hCfnVI/AAAAAAAAAk8/dYBYi5b3F7c/s1600-h/margem.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 317px; DISPLAY: block; HEIGHT: 377px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5438889169363377490" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S3rQ4hCfnVI/AAAAAAAAAk8/dYBYi5b3F7c/s400/margem.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Ás vezes, sinto-me à margem, outras simplesmente na margem. Não é porque os outros têm os melhores empregos, as mulheres mais bonitas, os carros mais potentes, casas apalaçadas, os sorrisos mais felizes. Sinto-me assim porque não consigo agrupar-me. Não consigo achar piada às patetices dos meus amigos, não tenho paciência para os seus projectos, não consigo vestir-me como eles, divertir-me como eles. Não olho a vida segundo os seus parâmetros. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;Sou diferente. A culpa é da minha estranheza, como alguns me acusam. Gosto de ler livros difíceis, de ouvir música em altos berros, de ir ao cinema sozinho, de me encostar ao sol em finais de tardes outonais, de olhar a chuva que cai como se tivesse um dever a cumprir. Para eles, tudo isso é sintoma de depressão. O melhor é a desbunda, como lhe chamam, beber álcool até à inconsciência, dizer piadas porcas às raparigas que passam, acelerar os carros até aos limites na Ponte Vasco da Gama e chegar a casa ao fim da noite quando o sol já espreita por detrás do rio. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Como não me divirto e não contribuo para os festejos, vou ficando na prateleira, como um trapo velho. É onde me encontro já há alguns anos. Eles continuam como adolescentes esgrouviados, eu fiquei na minha condição de abóbora à espera que uma fada a transforme numa carruagem! Os amigos não esperam uns pelos outros, a vida é curta e tem que se agarrar com todas as forças. Pois vão que eu fico.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No 9º andar direito, mesmo por cima do meu, vozes alteradas cruzam paredes como espíritos e transportam-me o mundo da festa. Acordes do parabéns a você e, pelo grossura do timbre, o grupo é enorme. Tenho alguma inveja deles, confesso. Sinto-me escoltado pelos livros que jazem imóveis na estante de pinho e pelos discos de vinil encostados uns aos outros como gente que se ampara em gares de comboios. Talvez a minha opção de seguir o meu caminho me afaste dos outros de forma irremediável. Mas, talvez, todos nós, de uma forma ou outra, ocupemos a margem da vida. Uma espécie de alçapão onde nos escondemos, onde nos encontramos tão sozinhos como duendes numa floresta e temos a plena consciência que ali ninguém nos vai procurar. Um lugar obscuro onde podemos chorar à vontade, onde nos confrontamos com as nossas fragilidades, com os nossos medos, naquela solidão que magoa mas que nos permite perceber quem somos e para onde queremos ir.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eles que casem, que se esgotem em alegrias curtas, se amontoem, corram tão depressa como o vento, se aliviem como puderem desta vida aborrecida. Eu vou andando ao meu ritmo, na margem deste rio de águas calmas que corre para o mar como um enfermo inconsciente. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-1808240656825454718?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/1808240656825454718/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=1808240656825454718' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/1808240656825454718'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/1808240656825454718'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2010/02/alguem-na-margem.html' title='Alguém na Margem...'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S3rQ4hCfnVI/AAAAAAAAAk8/dYBYi5b3F7c/s72-c/margem.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-5448579328458054545</id><published>2010-02-12T08:20:00.003Z</published><updated>2010-02-12T08:34:27.442Z</updated><title type='text'>6º e último capítulo. O Desenlace Trágico</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S3UPlvZHJjI/AAAAAAAAAk0/dro6W-IxeoY/s1600-h/m%C3%A1goa.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 266px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5437269266171110962" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S3UPlvZHJjI/AAAAAAAAAk0/dro6W-IxeoY/s400/m%C3%A1goa.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E assim foi. Os quatro juntos numa cooperativa de espectáculos, com números de circo e palhaçadas que faziam delirar crianças ranhosas, a bailarina de olhos no céu rodopiando de braços abertos com rigor nos passos, o touro rugindo aos capotes do toureiro, amigos mas inimigos na arena, valentia de toureiro e ferocidade do animal e no final num gesto do matador como se a vida terminasse para um e recomeçasse noutro e depois o delírio da assistência nos povoados pobres de Andaluzia. Mas, pouco a pouco, a fama sobrevoou locais mais cheios de gentes e eram já convidados para públicos mais vastos e exigentes como para actuarem na praça de Naves Frias. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Nessa tarde quente já tinham terminado a dança e as palhaçadas, apenas o touro precedido de áurea do mais feroz da história e Eduardo esse famoso toureiro que renascia das cinzas com passos desenhados em tons de coragem sem limites. Recebeu o touro com larga afarolada e um quite variado, seguiram-se sequências de tandas pela direita e esquerda, com técnica e mando de pasmar, desenhou verónicas e gaoneras e outras figuras desconhecidas mesmo para os mais sabedores e o público em acenos de lenços brancos aplaudia a valentia e determinação dos dois e o entusiasmo crescia ao mesmo tempo que tudo se encaminhava para a redenção, depois seria a liberdade e a conquista do futuro. O toureiro reconquistara o respeito, a balarina o amor, o palhaço a segurança e o touro a sua autodeterminação, era como se a vida dos quatro dependesse daquele final de êxtase e via-se isso nos olhares e nervos de todos, mas de um momento para o outro tudo se alterou. Algo errado acontecera, a lâmina fria entrara no cachaço do touro, o fio de vida cortou-se no meio da loucura dos aplausos e caiu redondo no chão com estrondo e levantando pó da arena. Eduardo deixara-se arrastar pelo furor do momento e não contivera um gesto que repetira vezes sem conta nas arenas no passado de glória. O palhaço e a bailarina entraram no redondel, ajoelharam-se ao lado do touro agonizante enquanto Eduardo com o olhar no céu tentava encontrar resposta para o enigma da sua vida. No público ninguém percebia aquele final misto de glória e de tristeza, quem eram aqueles personagens e qual a razão do toureiro em vez de dar voltas aos ombros de apoderados e receber os aplausos devidos se prostrava em frente da bailarina como pedindo perdão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, a bailarina pegou na mão do palhaço e afastou-se cabisbaixa, sem atender aos gestos do toureiro que prostrado no chão se desfazia em lágrimas. Ainda hoje andam juntos em espectáculos de rua para alegrar os pobres de Andaluzia, enquanto um toureiro apareceu morto debaixo de uma árvore, da única árvore que existia na serra...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-5448579328458054545?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/5448579328458054545/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=5448579328458054545' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/5448579328458054545'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/5448579328458054545'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2010/02/6-e-ultimo-capitulo-o-desenlace-tragico.html' title='6º e último capítulo. O Desenlace Trágico'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S3UPlvZHJjI/AAAAAAAAAk0/dro6W-IxeoY/s72-c/m%C3%A1goa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-1554998245128403355</id><published>2010-02-10T09:12:00.004Z</published><updated>2010-02-10T09:19:23.846Z</updated><title type='text'>5º Capítulo. Eduardo abre o coração e o touro propõe um projecto para salvá-lo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S3J4xP9_NrI/AAAAAAAAAks/8eyD_TWYKPk/s1600-h/The_Doors_-_Waiting_For_The_Sun_08.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5436540487685060274" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S3J4xP9_NrI/AAAAAAAAAks/8eyD_TWYKPk/s400/The_Doors_-_Waiting_For_The_Sun_08.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Pensamentos para enfileirar a vida com novos rumos regressaram paulatinamente, agora que o futuro parecia já estar talhado e deixava de ter qualquer sentido permanecerem ali. O palhaço não renunciava ao circo dos sonhos, o touro à natureza pacífica de bovino. Só um pormenor veio reformular a história. Eduardo Pinoza, numa noite serpenteada de estrelas baixas, quando todos deitados e de olhos no céu se deixavam perder no emaranhado de pontos luzentes, confidenciou que o seu colapso se deveu ao medo, um medo terrífico da morte que deitou tudo a perder e em vez de orelhas, rabos e ombros ganhou apupos e gestos condenatórios. “Era a morte que me aparecia em vez do touro, uma espécie de chamamento constante que me perseguia na lide. Os suores frios surgiam antes de saltar para a praça, uma angústia tão forte que as investidas do touro representavam o cenário de antecipação do fim. A insegurança limitava-me cada vez mais os passos e a criatividade e nesta arte tão depressa somos deuses como bestas sem eira nem beira. Tenho a plena certeza que o único propósito que me faria regressar plenamente à vida é limpar o meu nome. Caso não o consiga prefiro morrer tal como teria acontecido se não surgissem do nada.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A bailarina ouviu o presságio com postura serena e, em voz firme, esclareceu que permaneceria com ele até ao fim. Enquanto o palhaço com pregas na testa e traços tristes abanava a cabeça para testemunhar ausência de alternativas para um destino tão cruel, o touro com lágrimas nos olhos, pois as narrativas se referiam a actos bárbaros cometidos sobre irmãos, primos e restante família, disse: “ Por razões óbvias o destino do Eduardo colide com o meu. Mas por motivos insondáveis, sinto por ele uma simpatia que ultrapassa o simples relacionamento solidário e lamento o facto de ter sido espezinhado e envergonhado em sucessivas praças da Andaluzia. Julgo que tem direito à herança de uma vida, ou seja, à verdade do que fez e do seu valor intrínseco. Se ficassem na memória as últimas partidas, aquelas iluminadas pelo fulgor do fracasso, então todo um ser humano seria desprezado na sua plenitude. A verdade de Eduardo Pinoza é muito mais do que o trágico final de carreira. É necessário que regresse à arena e expurgue o seu nome”. E depois de um silêncio pausado, o touro exclamou:” Talvez nós possamos fazer alguma coisa!” Os outros abanaram a cabeça e sem retirarem os olhos do chão perguntaram quase em uníssono: Mas o quê?” E apresentou um plano, Eduardo vestiria novas roupas luzidias de toureiro, ele próprio a pele da sua vetusta família de feras da arena, e os dois efectuariam espectáculos taurinos que culminariam num conjunto de actividades artísticas e culturais realizadas pela bailarina e pelo palhaço. “O que acham?” E todos admitiram o êxito do projecto. A bailarina, após um intervalo que pareceu um filme completo, exclamou: ”Estou emocionada com a coragem e espírito fraterno do nosso amigo. Ele que procura a paz de um serrado sem violência propõe-se ajudar pactuando com ela. Eu por mim aceito a ideia, como a única possibilidade de salvar o Eduardo e me salvar a mim.” &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-1554998245128403355?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/1554998245128403355/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=1554998245128403355' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/1554998245128403355'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/1554998245128403355'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2010/02/5-capitulo-eduardo-abre-o-coracao-e-o.html' title='5º Capítulo. Eduardo abre o coração e o touro propõe um projecto para salvá-lo'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S3J4xP9_NrI/AAAAAAAAAks/8eyD_TWYKPk/s72-c/The_Doors_-_Waiting_For_The_Sun_08.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-1915002562476671708</id><published>2010-02-07T11:53:00.002Z</published><updated>2010-02-07T11:56:22.936Z</updated><title type='text'>4º capítulo. Eduardo Pinoza regressa à vida</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S26qTvgQqCI/AAAAAAAAAkk/oaQzuRKlfi0/s1600-h/alentejo_3_blg.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5435469056428779554" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S26qTvgQqCI/AAAAAAAAAkk/oaQzuRKlfi0/s400/alentejo_3_blg.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Com um lenço embebido em água retiraram-lhe o pó acumulado das pústulas da face e deram-lhe de beber, enquanto ele se revolvia continuamente em gestos enérgicos contra personagens fantasmagóricas que o atormentavam na arena, nos curros e mesmo em locais sem qualquer significado trágico e às vezes sorria placidamente como se tivesse encontrado o céu, levantava os braços em tons de triunfo e a sua face rejuvenescia para logo após voltar ao tom de moribundo. Dias sucederam-se sem que ninguém os tivesse contado e a brancura da face do toureiro parecia que se assenhoreava dos companheiros e todos comungavam da cor e dos pesadelos, excepto o touro por motivos óbvios. Até que Eduardo Pinoza, de uma magreza que identificava os ossos todos do seu corpo, voltou à consciência como por milagre, abriu aqueles olhos grandes e apertou os pulsos como quem se quer agarrar à vida pelos colarinhos, reconheceu a bailarina no conturbado passado amoroso, deixou de querer faenas ao touro e até encontrava graça nas palhaçadas do palhaço de nariz vermelho. Agora os quatro integravam-se harmonicamente na sombra daquela árvore, cada um com o seu ramo, cada um respeitando o espaço de cada um dos outros, espaço reduzido da única árvore existente daquela área lunar. Ás vezes o palhaço e o touro afastavam-se para que as intimidades dos velhos amantes se reencontrassem com a dormência e placidez do local, reencaminhando o tempo ao plano originário, como se o hiato se condensasse no tempo presente; como se as recusas em permanecer de um se sublimassem no desejo de viver ali para sempre de ambos; como se as lágrimas pela partida se redimissem nos sorrisos e alegrias por estarem juntos. “No fundo, – pensava a bailarina – ainda bem que me deixou, bem-vindo o sofrimento causado. Exigiu a peregrinação e o reencontro.”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-1915002562476671708?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/1915002562476671708/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=1915002562476671708' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/1915002562476671708'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/1915002562476671708'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2010/02/4-capitulo-eduardo-pinoza-regressa-vida.html' title='4º capítulo. Eduardo Pinoza regressa à vida'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S26qTvgQqCI/AAAAAAAAAkk/oaQzuRKlfi0/s72-c/alentejo_3_blg.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-6038615219655089268</id><published>2010-02-04T16:37:00.003Z</published><updated>2010-02-04T16:48:59.966Z</updated><title type='text'>3º capítulo. Finalmente, encontram Eduardo Pinoza</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S2r5ImDeyBI/AAAAAAAAAkc/5ivMpoV6FJs/s1600-h/toureiro.bmp"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 130px; DISPLAY: block; HEIGHT: 111px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5434429826425341970" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S2r5ImDeyBI/AAAAAAAAAkc/5ivMpoV6FJs/s400/toureiro.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;No dia seguinte, ainda a manhã se espreguiçava no lusco-fusco da noite, um ajeitou o nariz, a outra o vestido e o terceiro os cornos, e iniciaram a caminhada, ultrapassando montes e vales, sempre por estradas secundárias para não dar muito nas vistas. Com o sol a pique descansavam debaixo de árvores, quando a noite absorvia o dia abrigavam-se em ruínas de casebres abandonados, sempre em alerta perante a possibilidade de investidas de estranhos. Nos povoados com praça e hábitos taurinos procuravam nos cartéis recentes o nome de Eduardo Pinoza, esse grande vulto da arte de bem tourear, célebre matador com mais orelhas, rabos e troféus que havia memória naquelas paragens. Mas ninguém conhecia o seu paradeiro, como se tivesse sido engolido por memórias sem nexo, como lenda que se resolve na memória. Todos se lembravam dele, dos seus feitos e da tragédia que o envolveu no final da carreira, mas ninguém se lembrava da última vez que por ali passara. Perceberam que algo de funesto justificara o afastamento das arenas, algo terrível que lançara sobre Eduardo a sombra do próprio destino. Era tão irreal este esquecimento de uma personagem adulada que mesmo a bailarina começava a duvidar da verdade da sua própria história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, os dias decorriam sem novidade, a poeira dos caminhos envolvia-os de tal maneira que todos já eram da mesma cor, um cinzento claro que apenas se atenuava com a chuva forte. Sentiam-se tão exaustos que às vezes dormiam dias seguidos sem darem conta e nunca tinham a certeza das datas e quanto tempo passara desde o dia em que se puseram a caminho. A viagem sem regresso tem este inconveniente de que qualquer paragem é quase uma traição ao propósito e por isso após as pesquisas o recomeço era uma necessidade lógica interna sem o qual apunhalavam parte da vida da bailarina e diminuiriam as hipóteses de atingirem o seu objectivo. Mas se a força mental era diariamente posta em causa pela falta de notícias e pelo imenso território a explorar, testemunhado pelo mapa da bailarina, o corpo já manifestava os efeitos catastróficos do esforço, o pelo espesso e oleoso do touro, a falta de brilho do nariz do palhaço e as bolas desmaiadas do vestido garrido da bailarina. Sentiam-se fracos e prestes a desistir. Ainda por cima, numa noite fria, que os obrigava a encostarem-se uns aos outros para não morrer enregelados, foram abordados por um grupo de marginais, também eles à procura de abrigo nas mesmas ruínas. Depois de escaramuças alguns golpes eram visíveis no rosto do palhaço e sangue no chão e só a imponência do touro que se mostrou ameaçador retirou espaço aos agressores que fugiram monte abaixo em grande algazarra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas numa tarde engalanada com um sol redondo a dormitar no cimo da serra, descobriram um vulto encostado ao tronco da única árvore existente naquele espaço de perder de vista, imóvel, esquálido e com trajes esburacados por cornadas da vida e com o olhar pousado num infinito qualquer. Quando já estavam tão próximos que conseguiam ouvir a respiração pausada, a personagem acordou e levantou-se de rompante como descobrindo em si a última força de moribundo e com uma espada na mão investiu pronto a fazer uma sorte aos três caso fosse necessário e enquanto a bailarina deu um grito abafado pela mão sobre a boca ao reconhecer naquele personagem velho e gasto o Eduardo Pinoza, os outros dois apenas viam alguém tão abatido como um morto e julgaram que a todo momento cairia com estrondo por fraqueza e loucura no olhar. E foi o que aconteceu. O palhaço tomou-lhe o pulso e comentou que estava ainda vivo, a bailarina com o braço elevou-lhe a cabeça e depositou-a no regaço enquanto lhe fazia carícias no cabelo e ele abriu os olhos por instantes descobrindo nos olhos verdes alguém que conhecera noutra vida, no touro viu muitos personagens sem nome com quem se cruzara mas sem intimidades nem afectos e no palhaço não viu ninguém. “Morreu?” Perguntou com voz emocionada a bailarina. O palhaço respondeu que não e o touro encolheu os quadris porque não tinha a certeza. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-6038615219655089268?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/6038615219655089268/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=6038615219655089268' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/6038615219655089268'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/6038615219655089268'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2010/02/3-capitulo-finalmente-encontram-eduardo.html' title='3º capítulo. Finalmente, encontram Eduardo Pinoza'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S2r5ImDeyBI/AAAAAAAAAkc/5ivMpoV6FJs/s72-c/toureiro.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-2249233452913309378</id><published>2010-01-31T12:08:00.003Z</published><updated>2010-01-31T12:16:00.866Z</updated><title type='text'>2º capítulo. A Bailarina, o Palhaço e o Touro Iniciam a Peregrinação</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S2V0IkL9u5I/AAAAAAAAAkU/F67Vkx0yMGQ/s1600-h/o+palhaco+e+a+bailarina.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5432876215994006418" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S2V0IkL9u5I/AAAAAAAAAkU/F67Vkx0yMGQ/s400/o+palhaco+e+a+bailarina.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Regressemos à vereda empalada por laranjeiras, com frutos tão vermelhos e lustrosos como as opas das procissões. Ao estancaram o passo, o palhaço com grandes vénias fez sinal à dançarina para ser ela a primeira, o touro repetiu o gesto e ela graciosamente, com uma mão embrulhando alguns folhos do vestido e com a outra recortando um gesto de bailado em pleno ar, agradeceu a ambos e disse um “olé” rente ao touro ao que este respondeu “olá”. Ela voltou-se com rispidez, como quem regressa após longa ausência no mundo do sonho e questionou-o se não era de casta reconhecida pela ferocidade e nobreza ao que ele respondeu “minha senhora, os touros piores não têm sinais na testa, mas por maldade que repousa no coração”. Assentiu com um gesto e, após recolhimento, lágrimas grossas caíram sobre o seu colo. E o touro perguntou-lhe as razões para tanta infelicidade e ela contou a história da sua paixão, razão da peregrinação. Se o enredo o chocou por lhe avivar destinos pessoais e familiares que gostaria de esquecer, depois compreendeu que o amor por um toureiro é tão digno como um amor por qualquer monge budista ou amigo dos animais e decidiu interiormente ser afável com aquela personagem tão fatal e misteriosa e, quiçá, ser seu amigo no futuro. O palhaço, devido à lonjura da história e ao seu enredo impenetrável adormeceu. Acordou balançado pelos dois que sorriam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, o ambiente formal e pouco dado contactos íntimos, aos poucos, desanuviou-se. O palhaço sentou-se na relva, deu cambalhotas e fez malabarismos para animar o ambiente, mas apenas conseguiu um esgar compreensivo da parte do touro e uma ordem ríspida “está quieto, importas-te?!” por parte da bailarina. Um silêncio que coincidiu com o cair da noite e enquanto tentavam adormecer ao som das estrelas, o palhaço afirmou: “Bem, o mundo é o meu lugar, aqui como noutro sítio qualquer. Assim, – fazendo gestos largos e uma cambalhota que o fez cair junto da face da bailarina – posso acompanhar-te nas deambulações à procura do teu toureiro, desde que me permitas espraiar a minha arte. É a única condição que coloco”. Ela olhou para o touro questionando-o e por acenos, ambos concordaram com a exigência, desde que o circo não durasse todo santo dia, ao que o palhaço concordou com alguma relutância. Combinaram a estratégia e os lugares a visitar através de um mapa que a bailarina abriu em cima da relva húmida. O touro conhecia todos os antros dos toureiros, as capelas, bares e discotecas pelo testemunho de touros mais velhos, o palhaço e a bailarina questionariam os residentes em aturadas pesquisas urbanas e todos se sentiram motivados e felizes por ganharem um projecto de vida para os tempos mais próximos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-2249233452913309378?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/2249233452913309378/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=2249233452913309378' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/2249233452913309378'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/2249233452913309378'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2010/01/2-capitulo-bailarina-o-palhaco-e-o.html' title='2º capítulo. A Bailarina, o Palhaço e o Touro Iniciam a Peregrinação'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S2V0IkL9u5I/AAAAAAAAAkU/F67Vkx0yMGQ/s72-c/o+palhaco+e+a+bailarina.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-6692779335397003040</id><published>2010-01-27T17:16:00.002Z</published><updated>2010-01-27T17:18:59.301Z</updated><title type='text'>A TRISTE HISTÓRIA DE UM PALHAÇO, DE UMA BAILARINA, DE UM TOURO E DE UM TOUREIRO EM FIM DE CARREIRA. UMA NOVELA POR CAPÍTULOS.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S2B1Pw6lf6I/AAAAAAAAAkM/lHy7e1l_VJc/s1600-h/bailarina.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 268px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5431470064297934754" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S2B1Pw6lf6I/AAAAAAAAAkM/lHy7e1l_VJc/s400/bailarina.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Certo dia, em plena Andaluzia, um palhaço, um touro e uma bailarina de flamengo encontraram-se por simples acaso. Devido ao acanhamento do local, aos cornos do touro, ao vestido de folhos da bailarina e ao nariz do palhaço não foi possível a passagem em simultâneo. Estancaram o passo, em pose de indecisão. Expectantes. O empecilho menor parecia o nariz do palhaço, mas a natureza do dono impedia-o de se comportar como uma pessoa fina de gestos lineares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se era um mistério cruzarem-se tais personagens num local ermo sem qualquer combinação ou prévio ajuste, as razões íntimas que determinaram a peregrinação dos três viajantes eram claras e nenhum guardava qualquer reserva acerca delas. Quanto ao touro, fugira de uma ganadaria revoltado contra o futuro guerreiro que lhe fora destinado, desde combates marcados com varas, cavaleiros de bandarilhas em punho ou peões de brega. Quando a sua hora chegara, - determinada pela idade e peso – em noite de chuva torrencial, partiu sem despedidas. Apesar da estirpe afamada ninguém lhe importunou os passos pelo seu comportamento tímido e cordato. Quanto à bailarina apaixonara-se por um toureiro numa praça em Sevilha. Após faena de enorme graciosidade e valentia ele prometera-lhe amor eterno em ninho de amor inventado para o efeito, mas desaparecera na manhã seguinte sem deixar rasto nem telefone. Foi então que por ele desistiu de tudo, da vida, da carreira e do sossego e, apesar da família identificar os seus intentos como de uma louca desvairada, justificara-se afirmando que “meter-se à estrada para reencontrar o seu amado não era uma tarefa esotérica, mas a única empreitada que valia realmente a pena.” Por fim, o palhaço pretendia encontrar lugar num circo aperaltado de bichos, trapezistas e lantejoulas, numa época em que a nobre arte entrara em crise e as companhias esboroavam-se no meio do ruído de televisões e cinemas em 3D.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concluindo, as três personagens errantes apenas pretendiam uma vida ritmada com o coração: a bailarina o amor, o palhaço a arte, e o touro a tranquilidade, mas nenhum sabia quais as penas que teria de suportar até atingir o seu propósito. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-6692779335397003040?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/6692779335397003040/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=6692779335397003040' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/6692779335397003040'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/6692779335397003040'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2010/01/triste-historia-de-um-palhaco-de-uma.html' title='A TRISTE HISTÓRIA DE UM PALHAÇO, DE UMA BAILARINA, DE UM TOURO E DE UM TOUREIRO EM FIM DE CARREIRA. UMA NOVELA POR CAPÍTULOS.'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S2B1Pw6lf6I/AAAAAAAAAkM/lHy7e1l_VJc/s72-c/bailarina.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-6580054217436391909</id><published>2010-01-21T22:43:00.005Z</published><updated>2010-01-22T07:58:06.488Z</updated><title type='text'>A Vida para Além do Amor</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S1jY81qTHVI/AAAAAAAAAkE/u7BdtkYoAAM/s1600-h/olhar+ressonante.bmp"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; DISPLAY: block; HEIGHT: 235px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5429327890503376210" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S1jY81qTHVI/AAAAAAAAAkE/u7BdtkYoAAM/s400/olhar+ressonante.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Quando olho para ti, disfarçado pela rua cheia de um bulício nervoso, não gosto de te ver triste, comovo-me com a tua sombra melancólica, mas um vestígio de prazer assalta-me porque, mesmo que não queiras, continuo na tua vida. Ausente, mas presente. Poderás dizer que não sou eu que te faço falta mas alguém que te envolva num abraço protector. Mas mesmo que desvalorizes o facto continuo contigo assombrando-te os passos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não queria partir, nem queria ficar. Teria ficado se quisesses. Mas as tuas incertezas somadas às minhas deram forma à retirada. Nem sequer houve razões para o desenlace. Não existiram maldades, traições ou violência. Faltava-te a ti o brilho, a mim faltava-me o futuro. Não me mandaste embora nem pediste para ficar. Enquanto eu caminhava no alpendre olhando o sol alaranjado a esconder-se por trás das árvores, ouvi a porta fechar-se como a entrada de um túmulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me de dizeres que o amor se cozinha na vulgaridade. Mas o amor também recusa a compaixão. Constrói-se nas mãos estendidas, no abraço caloroso de boas-vindas. Por isso, rejeitei o ar morno que saía dos teus poros. Estava a mais e desejava sentir-me de menos. Por isso nunca me despedi verdadeiramente porque nunca estive como um todo, inteiro e compacto, como aquele que não deixa espaço para mais ninguém. Depois, sofri a tua ausência em proporção ao que tive de ti. Não me senti verdadeiramente só porque não conquistei a comunhão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora esforço-me para manter distâncias para não me cruzar com aquele teu olhar capaz de tirar ressonâncias à alma. Sentia vergonha sempre que me examinavas e a minha reacção era cobrir-me dos pés à cabeça. Não quero que tu identifiques desconsolo, aflição ou desespero. Não te quero mostrar o impasse em que se tornou a minha vida, uma espécie de redoma que conserva os velhos fantasmas como uma arca frigorífica. Quero ir em frente, mas no fundo ando em círculos, cada vez mais pequenos, num espaço tão reduzido que consigo ver as minhas costas arqueadas pelo peso da derrota. Uma procura sem nexo, sem objectivo, sem rumo, como um ser errante que nunca poderá encontrar o que procura porque não sabe o que procura…&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-6580054217436391909?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/6580054217436391909/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=6580054217436391909' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/6580054217436391909'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/6580054217436391909'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2010/01/vida-para-alem-do-amor.html' title='A Vida para Além do Amor'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S1jY81qTHVI/AAAAAAAAAkE/u7BdtkYoAAM/s72-c/olhar+ressonante.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-7365085896316343345</id><published>2010-01-19T09:03:00.004Z</published><updated>2010-01-19T09:12:48.412Z</updated><title type='text'>Conclusão: O Horizonte Azul e a Ausência de Respostas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S1V3bkMLa7I/AAAAAAAAAj8/h6QiILKak4E/s1600-h/avi%C3%A3o+e+menina.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 215px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5428376241319930802" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S1V3bkMLa7I/AAAAAAAAAj8/h6QiILKak4E/s400/avi%C3%A3o+e+menina.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Ao chegar a casa nessa tarde, sentiu-se incómodo no corpo e no espírito. Sentiu a nostalgia da juventude preenchida por nadas e miudezas que transformavam os dias num frenético campo de entusiasmo. Mulheres que partilharam a sua vida, lugares que conheceu nas viagens com mochila às costas, amigos perdidos nas mudanças… Umas lágrimas secas escorreram pela cara, e sentiu o incómodo das paredes silenciosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Quando se é velho, o espírito tem fases bem marcadas como a Lua”, afirmara um dia, em jeito de confidência. “Um ondular, entre a míngua de expectativas e o crescente de angústia, sem qualquer lua cheia no horizonte. Na vida de um velho o que resta é o sonho. Ou se fantasia a felicidade por obra e graça de um acaso divino ou então rememoram-se tempos tão afastados que mais não são do que pequenos sinais perdidos nas montanhas de dias e sombras.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por vezes, perdia-se em instantes onde tinha sido manifestamente feliz. Imagens nítidas nos contornos e lugares, mais do que as faces dos intervenientes. Momentos, apenas. Mas se o passado convertia as memórias em tristezas, o presente exigia razões para continuar a luta. Encostou-se à janela. O mundo era tão belo que não havia capacidade de o descrever. A sorte de estar vivo ultrapassava infinitamente a possibilidade do nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, uma pontada tão forte que as pernas estremeceram, os joelhos encontraram o soalho e a cabeça encostou-se ao chão frio. Contorceu-se com dores e, por reflexo, apertou o peito com as mãos. Depreendeu que havia razões para temer o pior. Precisava de ajuda o mais rápido possível. Lembrou-se do filho, mas o telefone estava longe. Agora a dor desaparecera, mas sentia-se esvair, uma consciência que se afastava lentamente. Pela janela entrava um horizonte povoado de farrapos de nuvens, espalhadas sem ordem. Andavam tão lentamente como se não tivessem pressa de chegar a qualquer sítio. Ele poderia partir sem encontrar respostas mas, pelo menos, sentia-se afortunado por ter olhado o céu.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-7365085896316343345?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/7365085896316343345/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=7365085896316343345' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/7365085896316343345'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/7365085896316343345'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2010/01/conclusao-o-horizonte-azul-e-ausencia.html' title='Conclusão: O Horizonte Azul e a Ausência de Respostas'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S1V3bkMLa7I/AAAAAAAAAj8/h6QiILKak4E/s72-c/avi%C3%A3o+e+menina.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-5375911067707343053</id><published>2010-01-15T08:50:00.002Z</published><updated>2010-01-15T08:56:27.419Z</updated><title type='text'>4º Capítulo. Deus, a Eternidade e o Burro-Anão</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S1Atl3I0D-I/AAAAAAAAAj0/fx7NqIT0eXI/s1600-h/eternidade.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 282px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5426887679460773858" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S1Atl3I0D-I/AAAAAAAAAj0/fx7NqIT0eXI/s400/eternidade.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;- Mas Ferreirinha, isto nada tem que ver com verdade, ou adesão a ela. Os crentes padecem de uma doença que ninguém poderá curar: a culpa. Acreditam que mataram Deus num tempo primordial e agora não só têm de chorar o seu crime como acreditar que Ele vive algures à sua espera. Por isso, tudo fazem para que esta vida seja uma fonte inesgotável de desgraças e razão da misericórdia divina. Depois, absolvidos, terão direito a uma eternidade ditosa. Eu, pela minha parte, prefiro pensar a humanidade, sem ser arguida de qualquer crime, excepto o de ter nascido sem o solicitar…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A culpa, então, sempre existe! – deu uma gargalhada, enquanto Ricardo abanava a cabeça em sinal de desaprovação. A sua é sobreviver julgando-se vazio de finalidades, a minha, assumo-a, é sentir-me inapto para viver sem resposta a uma questão inevitável, a saber, como é que a vida se desenrola sem ter a envolvência da Transcendência, seja ela de que natureza for. A teoria freudiana não me interessa para coisíssima nenhuma! Mas tenho a certeza de que algo de majestoso está por trás desta ordenação insuportável. Um número infinito de seres, de estrelas, de coisas, de ideias, tudo num lugar próprio, num caminho evolutivo, nascimento, aperfeiçoamento e morte. E nós – no mísero tempo que nos coube em sorte – não só somos testemunhas desse Cosmos como desempenhamos um papel activo na definição do seu próprio futuro. E isso é absolutamente admirável…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Compreendo o seu ponto de vista. Mas os outros seres sem alma, as outras criaturas que não procuram Deus, aquelas que vivem obcecadas com a sobrevivência e como ultrapassar o Inverno, porque não pensar que têm o mesmo papel que nós, ou seja, absolutamente nenhum? Porque não pensar que é uma ilusão julgarmo-nos superiores, com a responsabilidade em descobrir os fundamentos metafísicos? Porque não reconhecer humildemente que somos uns simples elos de uma cadeia de vida que se inicia na célula e se completa no ser de maior complexidade? Porque não pensar que teremos tanto direito à eternidade como um burro anão da Graciosa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Penso que seria um tragédia! - exclamou Ferreira com nova gargalhada. Repugna-me pensar-nos como nulidades cósmicas, corruptíveis, sem lugar para onde ir, num caos absoluto. A inexistência de finalidade para o Universo significaria desordem. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-5375911067707343053?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/5375911067707343053/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=5375911067707343053' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/5375911067707343053'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/5375911067707343053'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2010/01/4-capitulo-deus-eternidade-e-o-burro.html' title='4º Capítulo. Deus, a Eternidade e o Burro-Anão'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S1Atl3I0D-I/AAAAAAAAAj0/fx7NqIT0eXI/s72-c/eternidade.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-8605093399814424436</id><published>2010-01-13T08:22:00.006Z</published><updated>2010-01-13T08:32:06.720Z</updated><title type='text'>3º Capítulo. Dia seguinte. Reencontro com Ricardo: a retórica, a verdade e a história</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S02DmSvLcfI/AAAAAAAAAjs/CJitLsndeoc/s1600-h/a+ret%C3%B3rica.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5426137819939303922" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S02DmSvLcfI/AAAAAAAAAjs/CJitLsndeoc/s400/a+ret%C3%B3rica.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;- Sabes, meu caro Ferreira, a palavra e a forma de a utilizar não diz respeito à verdade propriamente dita. Poderá ser que nos floreados encontres razão para te deteres nas palavras, mas não para te determinares por elas. (Ricardo parecia ter esmiuçado o assunto, como se a provocação do dia anterior o tivesse motivado na procura). Um sermão dito num púlpito altaneiro é tão eficaz como um divulgado no meio do caminho. Caso contrário, seria como se os túmulos erguidos em mármores esplendorosos transformassem a eternidade em algo mais confortável do que a morte depositada em campas rasas. Aliás, não julgo que a difusão da mensagem às massas à custa de cenários nazis, seja mais eficaz do que a dizer pura e simplesmente. Os estratagemas permitem verdades dogmáticas, mas não uma busca honesta e uma assunção consciente. E a obscuridade pode permanecer durante algum tempo, mas o embuste vem ao de cima, mais cedo ou mais tarde. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;E foi o que fez o Catolicismo ao exigir a presença de um deus na vida dos homens. Empregou a linguagem fascista de um inferno escaldante e um diabo horrendo, com a espada fustigou quem tinha dúvidas e transformou em churrasco quem teve a coragem de o negar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;-Mas, meu caro doutor – utilizava a fórmula quando as objecções tinham contundência inesperada – a questão não está na difusão da verdade, mas na verdade em si mesmo. E, nalgumas matérias, a verdade nem necessita da palavra, apenas um encontro interior, uma concordância pela fé. Ou acha que pelo facto de se utilizarem regras oratórias, figuras de estilo, latinismos e emoções à flor da pele a verdade deixa de o ser? Até que ponto os caminhos ínvios do Espírito não serão uma solução inevitável para a incapacidade pedagógica do profeta?!! E repare, se a Igreja pecou na expansão da mensagem, a crueldade sofrida por acção dos infiéis foi igualmente absurda em várias épocas históricas. E tenha santa paciência, quando olhamos a história pelos olhos do presente, ela não passa de um repositório de facínoras e tiranias. &lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-8605093399814424436?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/8605093399814424436/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=8605093399814424436' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/8605093399814424436'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/8605093399814424436'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2010/01/3-capitulo-dia-seguinte-reencontro-com.html' title='3º Capítulo. Dia seguinte. Reencontro com Ricardo: a retórica, a verdade e a história'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S02DmSvLcfI/AAAAAAAAAjs/CJitLsndeoc/s72-c/a+ret%C3%B3rica.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-8396848753514769273</id><published>2010-01-09T23:33:00.003Z</published><updated>2010-01-09T23:45:24.622Z</updated><title type='text'>2º Capítulo. A Solidão segundo Ferreira</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S0kU3NSsH6I/AAAAAAAAAjk/KG7TujIUIac/s1600-h/solid%C3%A3o+ferreira.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 246px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5424890164837883810" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S0kU3NSsH6I/AAAAAAAAAjk/KG7TujIUIac/s400/solid%C3%A3o+ferreira.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E retirou-se sem permitir a Ricardo oportunidade de ripostar. Sabia que o desafio lhe provocaria resposta pronta. Tempos houve em que delirava com discussões, hoje preferia não as arrastar desmesuradamente. Cansavam-no e, em geral, concluía que o conhecimento que buscava não o poderia receber de ninguém. Por vezes, assegurava que o seu trabalho de bibliotecário lhe possibilitara ler tantos livros que poderia construir um mundo perfeito, mas não conseguiria dar sentido a si próprio. Por isso, o que lhe restava da vida queria empregá-lo a resolver esse imbróglio, tarefa que não considerava pretensiosismo intelectual, apenas uma constatação melancólica de que as respostas procuradas estão escusas em si mesmo. Infelizmente. Ricardo, face à constatação, lembraria de imediato o discurso socrático ou de S. Agostinho e sorriu com a maldade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou a casa numa respiração ofegante, após ter calcorreado a ladeira íngreme. Vivia num pequeno andar cheio de luz, alto o suficiente para que o ruído da cidade se desvanecesse e tão arrumado que os objectos pareciam estar onde sempre estiveram. Esforçava-se para que as coisas não saíssem do lugar para não ter que gastar muito tempo com tarefas menores. Fazia as limpezas e cozinhava a maioria das vezes. Ainda teve uma empregada, mas ao fim de pouco tempo percebeu que o resultado ficava aquém das expectativas e, ainda por cima, ao colocar-lhe as coisas segundo o seu arbítrio impunha-lhe a tarefa de as procurar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivia sozinho. Casado durante dezassete anos, a relação terminara abruptamente pela partida da mulher, uma mágoa já há muito sarada. Quanto ao filho único via-o com alguma regularidade, mas tentava ao máximo não o apoquentar com a sua presença ou com frequentes indícios para reduzir distâncias. Mas não se considerava um homem só. Recato nas relações sociais, sentimentos solidários com a família mais chegada e combate a qualquer sentimento de posse, exclusividade ou dependência de qualquer espécie, eram as linhas de força na sua relação com os outros. Após o fracasso do casamento, incutiu como regra fundamental da sua vida que a liberdade deve ser construída na relativização da presença do outro. E explicava: “se não dermos importância nenhuma às relações humanas tornamo-nos amargos e doidos; se damos demasiada ficamos vazios. Nada melhor do que dosearmos as coisas para que, ao mesmo tempo que gostam de nós, não queiram viver connosco.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentou-se frente à janela da sala de onde entrava um pôr-do-sol esplêndido, tão grande e redondo como uma abóbora gigante a arder. A música calma e uma cerveja fria compunham o cenário magnífico. Não tinha saudades de ninguém nem gostaria de estar noutro lugar qualquer. Como se após uma eternidade em movimento constatasse que lhe faltava ambição para continuar a procurar o quer que fosse. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-8396848753514769273?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/8396848753514769273/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=8396848753514769273' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/8396848753514769273'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/8396848753514769273'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2010/01/2-capitulo-solidao-segundo-ferreira.html' title='2º Capítulo. A Solidão segundo Ferreira'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S0kU3NSsH6I/AAAAAAAAAjk/KG7TujIUIac/s72-c/solid%C3%A3o+ferreira.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-6735833057865349280</id><published>2010-01-08T09:43:00.002Z</published><updated>2010-01-08T09:48:02.845Z</updated><title type='text'>1º capítulo. A Transcendência ou a falta dela</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S0b_A2KJ-fI/AAAAAAAAAjU/rqB5AYEMd7w/s1600-h/Fly_Song_0016.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5424303191217535474" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S0b_A2KJ-fI/AAAAAAAAAjU/rqB5AYEMd7w/s400/Fly_Song_0016.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;- Não gostava de perder-me neste labirinto de palavras, meu caro Ricardo, sem lhe testemunhar que quanto mais avanço na idade mais incómodo sinto perante a vida. A razão reside na dúvida que consiga adaptar-me à velhice que está a chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oh, meu amigo Ferreirinha, - falava em diminutivo, com aquele tom de condescendência que o irritava - a inadaptação é apenas a consciência de que a morte nos apanha tão desprevenidos que morremos sem saber porquê. Mas, independentemente da maneira de se olhar e segundo as perspectivas mais diversas, a vida não tem qualquer sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sobre isso, desculpe a minha discordância. (E não conseguia deixar de sentir culpa ao discordar dele, apesar de trinta anos mais velho) A vida tem o sentido que o meu amigo lhe quiser dar. Se a olha como um prelúdio de uma eternidade trasbordante ou como um acaso da biologia sem futuro, isso é consigo. Mas tanto uma perspectiva como outra exige o pressuposto de que algo de divino se passa quando alguém elege algum valor para a sua existência. Absurdo seria alguém existir sem nunca procurar qualquer resposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nesse ponto concordo. Mas veja a questão por outra perspectiva. A procura de respostas é já em si um absurdo, pois não existindo nenhuma torna ineficaz qualquer esforço de investigação. Cá por mim, gostaria de passar a vida que me resta a jogar com o tempo como com as damas num tabuleiro: mexer nele de forma a tornar suave e seguro o seu andamento. Isto – e apontou-lhe o dedo indicador como simbolizando grande convicção – sem qualquer temor perante a transcendência ou a falta dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ferreira mexia no cabelo como era hábito e não ripostou como se não quisesse prolongar a conversa. Passados momentos e fazendo um gesto de quem se ia retirar, colocou a voz em jeito de conclusão: “Os agnósticos, são muito interessantes! Fazem essas afirmações contundentes como se nada tivessem a perder, mas lá bem no fundo quando apagam a luz à noite há sempre um fiozinho de mistério que atravessa as paredes e os leva para bem longe. Poderá não ser a eternidade o que procuram, mas pelo menos não se conformam com a simples matéria de um caixão podre. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-6735833057865349280?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/6735833057865349280/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=6735833057865349280' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/6735833057865349280'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/6735833057865349280'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2010/01/1-capitulo-transcendencia-ou-falta-dela.html' title='1º capítulo. A Transcendência ou a falta dela'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S0b_A2KJ-fI/AAAAAAAAAjU/rqB5AYEMd7w/s72-c/Fly_Song_0016.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-2122986215744930338</id><published>2010-01-06T17:08:00.003Z</published><updated>2010-01-06T17:12:24.873Z</updated><title type='text'>Serenidade (uma novela por capítulos)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S0TD4g0YSjI/AAAAAAAAAjM/DPg0Gc4OzYA/s1600-h/serenidade-1.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5423675226910640690" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S0TD4g0YSjI/AAAAAAAAAjM/DPg0Gc4OzYA/s400/serenidade-1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Ferreira era funcionário da biblioteca municipal. Tinha aquele aspecto de rapaz que cresceu mais do que o previsto, sendo óbvio o desfasamento crónico entre a personalidade e os anos que carregava. Vestia-se como um adolescente, com roupa de marca e camisas desportivas, apesar dos seus cinquenta e seis anos. O cabelo já ralo, era aparado de forma a esconder as enormes entradas. Julgava-se ainda tão novo quanto isso se reflecte em potencialidades e sonhos e tão velho quanto permite a sensatez. Mas num território o seu bom senso não tinha lugar: a sedução. Encarava o campo feminino como zona de incursão, apesar do ar ridículo ao pretender largar o charme a uma mulher bem mais nova. Mas um pinga-amor inofensivo que mantinha a timidez dos adolescentes em função de conquista! Consciente do facto, afirmava que fazia parte da sua natureza interpelar os outros como se fosse o ser mais sedutor do universo, mas sem a maldade de um conquistador barato e sem escrúpulos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com Ricardo – professor de filosofia e uma espécie de tecnocrata das ideias, na medida em que para cada situação tinha um aforismo ou uma teoria de um pensador qualquer - criara uma relação paradoxal: gostava de conversar com ele mas sem dar grande crédito às suas opiniões. “É melhor ouvinte do que pensador”, afirmava, ao mesmo tempo que testemunhava a enorme cultura do seu interlocutor. E sem a intimidade própria dos amigos encontravam-se regularmente numa esplanada longa e cheia de sombras, onde gastavam horas como as caminhadas limam as solas dos sapatos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-2122986215744930338?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/2122986215744930338/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=2122986215744930338' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/2122986215744930338'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/2122986215744930338'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2010/01/serenidade-uma-novela-por-capitulos.html' title='Serenidade (uma novela por capítulos)'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/S0TD4g0YSjI/AAAAAAAAAjM/DPg0Gc4OzYA/s72-c/serenidade-1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-263151571595611188</id><published>2010-01-02T21:36:00.003Z</published><updated>2010-01-02T22:09:05.860Z</updated><title type='text'>A Festa das Palavras</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/Sz-8xeH_GcI/AAAAAAAAAjE/egBJ0SC_mTA/s1600-h/palavras1.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 308px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5422260034463537602" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/Sz-8xeH_GcI/AAAAAAAAAjE/egBJ0SC_mTA/s400/palavras1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Palavras e mais palavras. Demasiadas, nesta altura de festa. Hoje acordei agoniado, prestes a ser engolido por frases que repetidamente me lançaram como sombras negras. Agora somos todos íntimos. Amigos, aliados, protectores não me faltam, poderei convocá-los como num concílio e formalizaremos actos de entrega, de convívio e de partilha. Sinto-me um elo numa cadeia imensa que cruza o espaço e o tempo, juntos tropeçaremos nos encolhos da vida mas certos que muitas mãos nos impedirão de cair. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;Palavras. Amanhã recomeça o tempo e restaremos sós e crus à mercê da tempestade. Os afectos ficarão bem guardados nos postais e nas mensagens de telemóvel que poderão ser lidos sempre que dúvidas se levantarem como brisas que fazem rodopiar o pó em frágeis espirais. Permaneceremos na incubadora de ingratidões, ameaças e vulnerabilidades até à próxima festa, quando as palavras regressarem como pássaros em tempo morno.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-263151571595611188?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/263151571595611188/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=263151571595611188' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/263151571595611188'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/263151571595611188'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2010/01/festa-das-palavras-ou-as-palavras-da.html' title='A Festa das Palavras'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/Sz-8xeH_GcI/AAAAAAAAAjE/egBJ0SC_mTA/s72-c/palavras1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-4931384319308457367</id><published>2009-12-21T11:17:00.006Z</published><updated>2009-12-21T11:46:02.658Z</updated><title type='text'>Feliz Natal a todos aqueles que buscam o recolhimento</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/Sy9aM0ikP1I/AAAAAAAAAi8/5SwV4aNNsSA/s1600-h/natal+2010.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 316px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5417648053058551634" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/Sy9aM0ikP1I/AAAAAAAAAi8/5SwV4aNNsSA/s400/natal+2010.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;É cada vez mais complicado encontrar o Natal neste tempo de grande azáfama onde tudo se mede à custa do que se gasta e do que se compra. Não há recolhimento interior, não existe o silêncio na alma que nos permite encontrar o essencial. E é pena porque o que perdemos faz imensa falta. Com alguma nostalgia recordo-me de um passado, não muito distante, quando este tempo sagrado interferia na intimidade das pessoas, no seu próprio semblante. Tornava-as mais afáveis, mais solidárias. E sem hipocrisia. Respirava-se calma, como se a paz se pudesse tocar com as mãos. Sentia-se uma tal envolvência do espírito na materialidade dos actos e das coisas que não consigo decifrar por palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, infelizmente, o silêncio foi substituído pelo ruído da televisão, o Menino Jesus pelo profano pai-natal que se transformou no símbolo da sociedade de consumo. A simplicidade ambicionada pelas crianças de outrora, deu lugar a sofisticados, caros e arrojados presentes que a publicidade inventa, transformando os desejos infantis num amontoado reservatório de embrulhos cada vez maiores e mais elaborados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto são lugares comuns, mas pouco me importo. Só é pena que aquilo que nos ajudou a construir como pessoas, que nos forjou como entidades com alma e valores, desse lugar às correrias das compras, ao anonimato dos afectos, ao berreiro das crianças ansiosas e ambiciosas nos desejos; todos moldados pela feira das televisões, submetidos a símbolos de estranhos, carregados de vazio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao perdermos o significado íntimo dos acontecimentos perdemos parte fulcral da vida. Todas as comunidades humanas, desde as mais primitivas, tinham nas festas o sustentáculo do resto do tempo. Um tempo sagrado que remetia a acontecimentos passados, primordiais realizados pelos deuses e que dava sentido aos actos humanos e à história humana. Repeti-lo era não só reproduzir e manter a ordem cósmica como permitia renovar o tempo e o espaço presente, reconduzindo-os à pureza inicial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora encontramo-nos num tempo dessacralizado, sob o risco de ficarmos sem referências, sem as marcas profundas que identificavam a nossa comunidade e lhe conferiam espessura. O seu esbatimento, ou esmorecimento, não é apenas culpa da televisão ou da aldeia global que o mundo se tornou. A culpa é de todos nós. Por comodismo entramos na onda geral de assumirmos símbolos que se esgotam no simples acto de consumir, recusando a vida que está por detrás do que é genuíno, verdadeiro e profundo que recebemos dos nossos avós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É triste pensar que é uma criatura tão caricata, tão pobre de significado que nos apela constantemente à lembrança que é Natal. Pela minha parte, desejo que o Menino Jesus vos traga festas felizes.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-4931384319308457367?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/4931384319308457367/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=4931384319308457367' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/4931384319308457367'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/4931384319308457367'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2009/12/feliz-natal-todos-aqueles-que-buscam-o.html' title='Feliz Natal a todos aqueles que buscam o recolhimento'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/Sy9aM0ikP1I/AAAAAAAAAi8/5SwV4aNNsSA/s72-c/natal+2010.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-3070282990374918583</id><published>2009-12-19T08:35:00.002Z</published><updated>2009-12-19T08:39:44.091Z</updated><title type='text'>O Católico</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/SyyRJfRbEEI/AAAAAAAAAi0/s0KwEopzhzQ/s1600-h/velho+rabugento.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 360px; DISPLAY: block; HEIGHT: 247px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5416864044019290178" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/SyyRJfRbEEI/AAAAAAAAAi0/s0KwEopzhzQ/s400/velho+rabugento.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A espécie humana transfigura-se numa infinidade de máscaras, algumas tão estranhas e genuínas que a sua explanação fica sempre aquém da surpresa do seu reconhecimento. Tal como esta. Baixa estatura, pele lívida, cabelos raros espraiados pela cabeça descoberta, óculos grossos e gestos agitados. Fazia discursos com aquela entoação dos frades franciscanos quando notificavam os mortais para o perigo do inferno. Mau fundo como as cobras, detestava toda a gente excepto aqueles mais próximos que o presenteavam com atenção e encómios. Dos outros falava com tanto desembaraço como pegava nos óculos e esfregava os olhos cansados. Nessa altura não deixava pedra sobre pedra…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chamavam-lhe o católico. Um rato de sacristia, missa diária e muita contrição. Analisava a sociedade com desprezo pelo afastamento generalizado da prática dos ensinamentos cristãos, ausência da igreja e esquecimento de obrigações espirituais. Tinha um lado negro, como todos os fundamentalistas têm. Não perdia um filme pornográfico, numa altura em que a sua raridade lhe dava uma áurea de pecado sombrio. Entrava sorrateiro na sala de imprensa com aquela cabeça de coruja, olhos ampliados por lentes grossas e perguntava se não havia nenhuma fita do deboche. No meio de chalaças, os colegas colocavam os enredos no ar, como o gozo de lhe poder examinar a baba que não conseguia suster. Começava por olhar com certo desdém numa cadeira bem próxima do ecrã, imóvel, salivando abundantemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A atracção pelo inferno persegue grande parte dos crentes com obsessões religiosas. Nada mais atrai o vício quando o mal, ausente nos actos, é omnipotente num espírito silenciado por torturas físicas. Na aparência física afluem traços deste martírio em vida. A pele esbranquiçada, olhar fixo e ausente, um corpo rígido com gestos impacientes, como se fosse transparente a má influência do corpo sobre a alma. Mas quanto mais se recusa mais obsessivo se fica. Era o caso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lavava as mãos frequentemente. Hipocondríaco, como se o corpo se desequilibrasse pelos vícios da alma. Ou vice-versa. De uma forretice levada às lágrimas. Adorava participar em repastos entre colegas desde que ninguém o obrigasse a comparticipar nas contas. Quando a chefe do Gabinete se reformou saiu também. Não aguentaria a crítica da nova responsável que não se perdia de amores por ele, ao contrário da anterior que o salvara muitas vezes de sanções e recriminações públicas. No discurso de elogio à chefe cessante, mais uma vez munido de sentenças latinas e voz de sermão, criticou os chefes pela falta de visão, os colegas pela falta de competência, o mundo pela falta de vergonha, os padres por falta de fé e os cidadãos por falta de valores cristãos como caridade, solidariedade e humildade. O Céu bem pode esperar… &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-3070282990374918583?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/3070282990374918583/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=3070282990374918583' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/3070282990374918583'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/3070282990374918583'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2009/12/o-catolico.html' title='O Católico'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/SyyRJfRbEEI/AAAAAAAAAi0/s0KwEopzhzQ/s72-c/velho+rabugento.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-4627757522513619251</id><published>2009-12-14T12:50:00.002Z</published><updated>2009-12-14T12:56:13.374Z</updated><title type='text'>Amor aos Bichos</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/SyY1g2jjwrI/AAAAAAAAAis/ttl2A0zk1KI/s1600-h/amor+de+ca%C3%A3o.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 314px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5415074440476345010" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/SyY1g2jjwrI/AAAAAAAAAis/ttl2A0zk1KI/s400/amor+de+ca%C3%A3o.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Ontem à noite, embrulhada num casaco felpudo, encontrei uma vizinha que me disse que ia fazer a sua boa acção diária. Com o frio que se espera para as próximas noites, além do copo de leite quente que habitualmente leva ao cão abandonado há anos nas imediações do prédio, levava também um saco de água quente. Nas despedidas comentou a sorrir qualquer coisa do género: faço isto ao cão, algo que não faria a uma pessoa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;É claro que estes comportamentos solidários com os animais abandonados são comoventes e revelam naturezas sensíveis e responsáveis. A solidariedade em prol dos animais, a luta pelos seus direitos, faz parte integrante dos valores humanos que nos aproximam daqueles que são os nossos companheiros de viagem. Mas tenho alguma dificuldade em aceitar o desabafo de que se fosse um ser humano não lhe despertaria essa urgência em sair de casa àquela hora da noite. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As pessoas ressabiadas com a vida, com a sua vida afectiva tantas vezes enredada em histórias mal acabadas ou resolvidas, consomem o seu afecto nos animais que adoptam e praguejam contra o género humano em geral. Nada contra. O problema é que dar afecto aos animais, tratar deles, sentir pena daqueles que não têm um lar, fazer parte de associações que lutam pelos seus direitos, apenas traz bem-aventurança. Não deixa culpas, não provoca azias. Eles estão sempre à nossa espera, retribuem com a face iluminada, mesmo que esquecidos durante uns dias. Não precisamos de alterar nada em nós, gostam de nós como somos. Não me levem a mal, mas é cómodo. Com os humanos o amor exige muito mais do que isso. É um trabalho diário de ajeitamento, de acomodação, exige pedidos de desculpa, de abertura à dissemelhança, de reciprocidade, compreensão, lealdade. Até exige que aceitemos a sua partida, a sua viagem, caso ela seja necessária ao seu crescimento ou à sua felicidade. Isso não é simples. Simples é gostar de um animal. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-4627757522513619251?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/4627757522513619251/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=4627757522513619251' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/4627757522513619251'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/4627757522513619251'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2009/12/amor-aos-bichos.html' title='Amor aos Bichos'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/SyY1g2jjwrI/AAAAAAAAAis/ttl2A0zk1KI/s72-c/amor+de+ca%C3%A3o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-7040660809925815333</id><published>2009-12-04T15:30:00.003Z</published><updated>2009-12-04T15:38:01.735Z</updated><title type='text'>Fracassos</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/SxksSFi5ApI/AAAAAAAAAic/LaBnBaZ4pPA/s1600-h/caracois.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5411405116500148882" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/SxksSFi5ApI/AAAAAAAAAic/LaBnBaZ4pPA/s400/caracois.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Convivemos desastrosamente com o fracasso. Parece mais saudável nada fazer ou nada experimentar do que mostrar vulnerabilidades ou incapacidades no fazer. É estranho, pois a nossa definição é ser simples mortais, com anomalias, defeitos e imperfeições várias. E se, em tempos idos, a pior falta seria cruzar os braços no caminho do aperfeiçoamento individual e da própria sociedade, hoje ou se é um agente do sucesso ou então pertence-se ao clube dos falhados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tudo isto porque a mediania deixou de ser uma marca justa, um selo natural, para significar o idioma dos medíocres. Parece ser preferível o abandono do objectivo do que o meio-termo. Não conseguimos viver com pouco, as nossas ambições ultrapassam o que é razoável. Ou tudo ou nada. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E, sabes, num sentido metafísico, a vida é um fracasso. Como dizia alguém, isto de estar vivo ainda acaba mal. Falhar é uma marca humana, implica recomeço, reconstrução do caminho, permite o aperfeiçoamento. Se o medo do risco é tanto que nos impede de viver, de pouco serve estar vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mesmo se passa com as paixões. A única forma de as mantermos vivas é não as viver, guardadas no plano do sonho-sonhado, fechadas em arcas em sótãos cheios de teias de aranha. Vivê-las é condená-las à morte certa. Filtradas pelo dia-a-dia corrompem-se na sua natureza. Isto porque o mistério dá-nos credibilidade; a auto-exibição traduz-se em desilusão. Nus perante o outro, revelamos as mazelas, as imperfeições, as fragilidades, as desculpas, as lacunas. Quebra-se o brilho, a áurea. Gostamos dos outros moldados pelos nossos olhos, pelos nossos desejos, pelos nossos delírios e não expostos de forma indecorosa nas páginas abertas do dia-a-dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas para quê conservar uma paixão num limbo inacessível e viver à sua sombra, na sua ausência? Para quê reforçar o peso de uma paixão para dar sal à vida, quando, no final, o que restará será apenas a melancolia do que se ficou por viver? Não será preferível esgotá-la na correnteza do tempo? &lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-7040660809925815333?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/7040660809925815333/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=7040660809925815333' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/7040660809925815333'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/7040660809925815333'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2009/12/fracassos.html' title='Fracassos'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/SxksSFi5ApI/AAAAAAAAAic/LaBnBaZ4pPA/s72-c/caracois.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-3339075883773971625</id><published>2009-11-26T16:55:00.012Z</published><updated>2009-12-02T08:13:30.256Z</updated><title type='text'>Diário de Bordo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/Sw6zGJEpE3I/AAAAAAAAAiU/nD5gIuimJ8Y/s1600/outono-6.bmp"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5408457120614519666" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/Sw6zGJEpE3I/AAAAAAAAAiU/nD5gIuimJ8Y/s400/outono-6.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A vida é feita de pequenas histórias que nos vão encostando ao tempo. Só as escrevemos por medo de as perder. Falar das pequenas tragédias, desastres e algumas fatalidades identificamos pequenas narrativas que nos agitaram como se fossemos marionetas e ajuda-nos a não nos consumirmos a nós mesmos. Um refúgio do tempo, embora seja de tempo que se trata. Guardamo-lo e ele guarda-nos. Sabemos que somos desta ou daquela maneira porque não deixamos esmorecer cenas de vida que nos comoveram, que nos despertaram, que nos castigaram e que, no fundo, nos deram solidez. Estivemos lá, chorámos, testemunhámos, interrogámo-nos, confortaram-nos, e a serenidade regressou como um arco-íris no fim da tempestade. Sentimos na altura, como sentimos sempre, que o Universo não atrasa o seu caminho à nossa espera e vai-se embora com ou sem nós. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;p align="justify"&gt;Aquilo que nos marca profundamente e nos persegue para onde quer que vamos, implanta-se em nós de forma traiçoeira como um vírus, faz um ninho nas profundezas e rebenta em filhos e parentes até se tornar forte como uma família mafiosa. Quando damos por ela já não temos força suficiente para a expulsar dos nossos domínios. O nosso mundo interior é uma espécie de viveiro de angústia, com a temperatura correcta, com as perfeitas condições naturais onde florescem a dor e a mágoa que nos acompanham enquanto vivermos. Daí a nossa fragilidade. Aparentemente acomodamo-nos à vida como as costas a um sofá ergonómico, mas vamos vivendo à custa de recontros, arranques e retiradas. A nossa principal marca é a resistência. Como alguém escreveu, os homens sonham mais em ser heróis do que em ser felizes. A felicidade é apenas um pormenor presente em frágeis momentos que guardamos como tesouros, mas não define e marca os dias. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Lembrei-me disto porque ela morreu. Foi bom para ela. Resistir mais seria uma provação sem sentido. Um confronto de titãs que começava a ter contornos de absurdo. As marcas num rosto desfigurado espelhavam essa luta dramática contra um fim que já se anunciava fazia quarenta e um dias. Um rosto de morte que não reflectia serenidade, mas um semblante amuado como se tivesse partido contra a sua vontade. Lutou até ter forças, deixando um rasto de dor nas olheiras escuras de quem se despedia dela.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Custou-me olhar para ela assim bem de perto. Em redor, muitos comungavam do pesar, desconsolados pela perda irreparável, silenciosos e encostados uns aos outros partilhando apoios. Mas terminadas as cerimónias fúnebres no cemitério que comunga do silêncio e do frio da serra, cessaram as lágrimas como por magia, como se todos esperassem aquele momento para recomeçar a vida de todos os dias. Agora gestos mais afáveis e corpos menos rígidos, uma paz que regressou às palavras, palavras banais sobre a vida como se nada se tivesse passado, ou pelo menos como se tudo fizesse parte da realidade, tal como um simples almoço de família.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Antes da partida, as despedidas aos vivos, abraços de partilha e novamente o recomeço da viagem ainda mais longa pelo cansaço extremo que invadia os viajantes. Um céu cinzento claro como um bloco único e impenetrável, mas a estrada, ladeada de campos verdes e ensopados de chuva, transmitia calma. Ao iniciarmos a subida à Gardunha surgiu à nossa frente uma miríade de árvores e plantas, cerejeiras, plátanos, freixos, castanheiros e vinhedos, embelezadas por lindíssimas folhas outonais, pintadas em mescla de vermelho vivo, amarelo, castanho claro e escuro, aqui a ali o verde pardacento das ramas dos pinheiros, e tudo junto fazia lembrar arte, perfeição, harmonia, emoção e prazer, uma beleza impossível de descrever e representar como se o mundo agasalhasse o melhor de si. Dentro do automóvel um silêncio apenas cortado pelo ruído do motor e pela tristeza de quem a conheceu tão de perto.&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-3339075883773971625?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/3339075883773971625/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=3339075883773971625' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/3339075883773971625'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/3339075883773971625'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2009/11/diario-de-bordo.html' title='Diário de Bordo'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/Sw6zGJEpE3I/AAAAAAAAAiU/nD5gIuimJ8Y/s72-c/outono-6.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-4338682669665872109</id><published>2009-11-23T11:19:00.006Z</published><updated>2009-11-23T11:31:14.328Z</updated><title type='text'>Cidadania</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/SwpwhWyydeI/AAAAAAAAAiM/8qkMJSN6GZ0/s1600/cidadania.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 310px; DISPLAY: block; HEIGHT: 310px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5407258020968297954" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/SwpwhWyydeI/AAAAAAAAAiM/8qkMJSN6GZ0/s400/cidadania.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/SwpwJ3_SZfI/AAAAAAAAAiE/sNkEPGeh7y0/s1600/cidadania3.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Domingo, 15 de Novembro. 10 horas da manhã. Peixaria de um hipermercado. A chuva atrasara a chegada de clientes e contavam-se pelos dedos os que rodeavam a banca do peixe. Esperava a vez e à minha frente apenas alguém já a ser atendido. Como sempre, com o espírito a viajar em lugares inóspitos. A voz da funcionária da peixaria reintegrou-me no mundo, calma mas firme, dirigida a um senhor para não mexer no peixe. Julgo que disse por favor, não tenho a certeza. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Olhei para o prevaricador, um sujeito de meia-idade, baixo, vestido com uma casaco castanho, aspecto sóbrio, daquelas pessoas que não se dão por elas. Encarado apenas uma vez seria difícil identificarmos qualquer pormenor significativo. Julguei que a história terminasse aí. Vejo-o retrair-se como que encaixando o golpe com alguma dificuldade, mas depois contra todas as expectativas, avançou, identificou-se como funcionário da ASAE, ao mesmo tempo que retirava do bolso interior do casaco uma carteira cheia de documentos e cartões. A funcionária encolheu os ombros, abanou a cabeça e nada disse. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não consegui conter-me. Então o senhor por ser da ASAE pode meter as suas mãos sujas no peixe exposto? Não acha que deveria ser o primeiro a dar o exemplo? Quer que chame a polícia? Ele, novamente apanhado de surpresa, recuou, desculpou-se, resignando-se ao papel de um simples cliente da peixaria de um hiper qualquer. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sintomas. Como tantos outros, indício do deficit de cidadania e deficit de democracia do nosso país. Continua haver suseranos e súbditos, favores e mercês, em vez de direitos. Exercer direitos é ser cidadão. Mas ainda não somos um país de cidadãos. Somos um país dos pequenos poderes, dos pequenos jeitos, do pequeno golpe, do pequeno favor, da pequena corrupção, do pequeno desvio. Benesses, pedidos, pecadilhos, um simples passar à frente, cumplicidades, um fechar de olhos à custa de uma nota de vinte. Padrinhos, amigos, amigalhaços, politiqueiros, cúmplices, ou simples vigaristas com crachá na lapela. E para o guarda de trânsito que aceita o suborno para não registar a infracção, o gesto é apenas sinal de humanidade e de justiça social. Uma espécie de escapatória à selva, um gesto nobre em prol de um honesto trabalhador, um pai de família honrado que precisa do automóvel para trabalhar. No fundo, poupou-lhe tempo e dinheiro. Assim, ambos irão dormir descansados.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-4338682669665872109?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/4338682669665872109/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=4338682669665872109' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/4338682669665872109'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/4338682669665872109'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2009/11/cidadania.html' title='Cidadania'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/SwpwhWyydeI/AAAAAAAAAiM/8qkMJSN6GZ0/s72-c/cidadania.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-307905211921507040</id><published>2009-11-16T10:50:00.002Z</published><updated>2009-11-16T10:54:04.647Z</updated><title type='text'>Rumores...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/SwEujrvdtVI/AAAAAAAAAh8/hqv_3cKnKps/s1600/Imagens_do_Universo_Pelo_Hubble.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 303px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5404652218393408850" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/SwEujrvdtVI/AAAAAAAAAh8/hqv_3cKnKps/s400/Imagens_do_Universo_Pelo_Hubble.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ás vezes vou-me desgastando com ínfimas coisas, como se colocasse o valor da vida entre parênteses para me dedicar de corpo e alma a um pormenor ridículo, sem a mínima importância. Como se ao subir uma montanha, em vez de me extasiar com a beleza da paisagem, lamentasse a corrosão de uns ténis confortáveis. Pequenas coisas consomem-me, e esqueço-me tantas vezes do que é essencial. Depois nas reviravoltas da vida percebo que diminuiu a minha capacidade de resistência, serenidade e falta de esperança. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Entro em casa e envolvo-me no cheiro doce e familiar, num silêncio apenas quebrado pelo rumor do mundo que se introduz pelas frestas da janela. Sento-me no sofá face aos livros que se equilibram parede acima como alpinistas imóveis. As lombadas coloridas, dimensões sortidas, caligrafias, sinais, gravuras parecem dispor-se numa tela gigante. Contemplo pela janela o céu inalterável e profundo. Respiro, revejo momentos do passado como pequenos filmes mudos que são projectados numa tela que tenho no cérebro, elementos fugazes da vida que se perderam mas deixaram flashes, cores, temperaturas, lágrimas e gestos. Factos sobreviventes ao meu tempo. Sobreviventes ao esquecimento, às tentativas de os deixar perdidos no seio de um mar misterioso. Um passado perdido que me deu alma, aqui e ali sinalizado à custa de escavações arqueológicas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Lá de fora apenas um rumor, mistura de vento e de estampido de automóveis que voam na Crel e sem fazerem a mínima ideia do rastro luminoso e barulhento que deixam espalhado na paisagem. Livros, o céu, o candeeiro do tecto como forma de chapéu de feiticeiro. Não pode ser fruto de um sonho, mas facetas deste prodigioso destino de existir, da possibilidade de confiscar o passado, de pressentir pequenos indícios que se revelarão em breve. Um céu inalterável que agora se deixa esconder por nuvens volúveis. Depois levanto-me, passo por outros pontos como uma sombra, analiso particularidades como se nunca as tivesse olhado, embalado pelo odor doce e cómodo do espaço, neste silêncio que me dá competência para me interessar por mim, consciência plena da vida que recusa ser uma simples fantasia, minha ou de outra entidade qualquer. Uma materialidade tão cruel e ríspida que causa calafrios. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Viver. Seria um desperdício a recusa desta temporalidade que me encaixa na realidade. Escureceu e aqui e além acendem-se luzes cintilantes como se pirilampos acordassem da sesta. Na estrada mais distante os automóveis em fila parecem lava de um vulcão que perdeu o seu núcleo. O rumor exterior do mundo acentuou-se, parece aproximar-se lentamente um objecto cósmico de grandes dimensões. Um misterioso mundo que insiste em nos confrontar com mistérios e magia. Reparto com ele um brinde ao infinito.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-307905211921507040?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/307905211921507040/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=307905211921507040' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/307905211921507040'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/307905211921507040'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2009/11/rumores.html' title='Rumores...'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/SwEujrvdtVI/AAAAAAAAAh8/hqv_3cKnKps/s72-c/Imagens_do_Universo_Pelo_Hubble.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-3160039261100086658</id><published>2009-11-13T07:52:00.003Z</published><updated>2009-11-13T08:05:23.116Z</updated><title type='text'>Lealdade - Caetano Veloso</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/Sv0S9AnkCoI/AAAAAAAAAh0/9DXkqHazVV8/s1600-h/a+menina+das+margaridas.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5403495967261723266" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/Sv0S9AnkCoI/AAAAAAAAAh0/9DXkqHazVV8/s400/a+menina+das+margaridas.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Serei&lt;br /&gt;serei leal contigo&lt;br /&gt;Quando eu cansar dos teus beijos&lt;br /&gt;te digo&lt;br /&gt;E tu também liberdade terás&lt;br /&gt;P'ra quando quiseres, bater a porta&lt;br /&gt;sem olhar para trás&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o teu corpo cansar dos meus braços&lt;br /&gt;Se o teu ouvido cansar da minha voz&lt;br /&gt;Quando os teus olhos cansarem dos meus olhos&lt;br /&gt;Não é preciso haver falsidade entre nós &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Serei&lt;br /&gt;serei leal contigo&lt;br /&gt;Quando eu cansar dos teus beijos&lt;br /&gt;te digo&lt;br /&gt;E tu também liberdade terás&lt;br /&gt;Pra quando quiseres, bater a porta&lt;br /&gt;sem olhar para trás &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;in &lt;em&gt;"Totalmente Demais"&lt;/em&gt; - 1986&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-3160039261100086658?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/3160039261100086658/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=3160039261100086658' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/3160039261100086658'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/3160039261100086658'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2009/11/lealdade-caetano-veloso.html' title='Lealdade - Caetano Veloso'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/Sv0S9AnkCoI/AAAAAAAAAh0/9DXkqHazVV8/s72-c/a+menina+das+margaridas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-2357430155788273522</id><published>2009-11-08T11:50:00.005Z</published><updated>2009-11-08T12:14:58.386Z</updated><title type='text'>Não sei onde é a minha casa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/Svaxs-z7X1I/AAAAAAAAAhs/TWFQnZiaPdU/s1600-h/%C3%A1rvore+e+lua.bmp"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5401700189410647890" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/Svaxs-z7X1I/AAAAAAAAAhs/TWFQnZiaPdU/s400/%C3%A1rvore+e+lua.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Anselmo Vieira, inspector da judiciária do departamento de pessoas desaparecidas, divorciado, sem filhos. Apareceu ontem morto na sua viatura. Tudo aponta para suicídio.&lt;/em&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há quase trinta anos procuro gente sumida, a maioria sem rosto, deixando rastos tão leves como brisas de Verão. Um destino ingrato e sombrio, este meu. Pessoas que se escondem, que não querem ser encontradas, que não sabem para onde vão. Alguns, após a loucura os ter assaltado - como um delinquente ataca um incauto numa tarde pálida - perdem todas as referências, morada e o seu próprio nome. A maioria não se sente desaparecida. Esconderam-se para se reencontrarem noutro lugar, numa realidade paralela à da sua vida anterior. Mudaram o tom do cabelo, roupas e gestos, deles restam apenas umas fotos de quando eram felizes, quando ainda não tinham perdido as ilusões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trabalho com recursos limitados, falsos indícios, moradas desactualizadas, contactos inconstantes como a direcção do vento, testemunhos que lançam pistas incertas, e fotografias desfocadas pelo tempo. Um trabalho desesperante, um fracasso na maioria das vezes. Os familiares lamentam-se pela demora das investigações como se descobrir gente perdida fosse tão simples como encontrar assassinos. Estes deixam pistas, motivos, regressam aos lugares do crime, mas quem desaparece, por vontade ou por medo, larga as pistas no seu próprio quarto ou no tapete que apodrece à saída de casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lugares, ruas, roteiros imaginados a partir de indícios tão vagos como instantes cósmicos. Por vezes conduzo sem destino, cambaleando pela cidade, ritmado pelos semáforos e buzinas das filas intermináveis, como se por um passo de mágica fosse possível encontrar alguém desaparecido nos passeios, pedindo boleia, ou cruzando a avenida num semáforo verde. Quando chove é mais cómodo, o cenário perfeito para a minha actividade. Silhuetas resguardadas debaixo do chapéu-de-chuva e atropelando-se umas às outras, algumas forçadas pelo vento resvalam no automóvel, com os rostos distorcidos por movimentos ásperos e o cabelo elevando-se no ar como arbustos soltos. Fazem gincanas no meio das poças de água que cobrem irregularmente a calçada. Poderão ser foragidos à justiça, à família, a si mesmos. E a chuva forte e barulhenta arremete-se contra o automóvel e envolve-me uma melancolia tão forte como se nadasse num fluido morno que retira o livre arbítrio e me leva para o desconhecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade também ando tresmalhado, à procura de casa, de aconchego. Extraviado há muito. Sonho que andam à minha procura e mais tarde ou mais cedo alguém me encontra e me abre os braços, uns braços quentes e fortes que me encostarão à vida. A solidão que sinto é tão densa que se pode cortar às postas como o peixe congelado e colocadas em sacos, cada uma com um rótulo referente a um vazio, a uma ausência, a uma ruptura. Como se o meu passado, ao estar abrigado numa arca congeladora, não apodrecesse e assim não posso deitá-lo ao lixo ou sacudi-lo para uma ravina funda. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;Pessoas. Tudo diz respeito a pessoas. Conheci-as em fatos domingueiros, sorridentes, mostrando o melhor que tinham, e valiam mais do que o preço indicado nos fatos, nos dentes brancos, na carteira recheada, no íntimo de boa qualidade, mas depois afastaram-se no primeiro lance do leilão. Ficaram os nomes, pouco mais. Quanto às culpas teremos de reparti-las mutuamente como bons irmãos. Mas os amantes apenas se encaixam num determinado tempo, nas expectativas que variam com estados de espírito, em determinados contextos históricos. Houve gente de quem gostei, mas reconheci de imediato que chegavam antes do prazo ou tarde demais. Outros chegaram no tempo certo, mas afastaram-se desculpando-se com o seu próprio tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São esses fantasmas que me perseguem, que me acompanham no automóvel, que me gritam aos ouvidos como se quisessem obter um tratamento prioritário. Fantasmas idênticos áqueles que procuro, conteúdos evadidos de fotografias. Pessoas que nunca irei encontrar porque nunca as conheci verdadeiramente. Uns e outros. Não querem ser encontradas nem incomodadas. E em itinerários marcados a compasso, rigorosos nas horas de chegada, a meio do caminho, altero-os porque os desaparecidos refugiam-se em locais nunca referenciados em ofícios amontoados na secretária do departamento. Talvez lá encontre os espectros dos meus próprios sonhos que não descobriram o caminho de regresso, tal como doentes de Alzheimer. Fantasmas que espalharam tantas culpas sobre mim que me cobrem como uma segunda pele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As loucuras, os medos repetem-se e repartem-se, fazem parte do nosso código genético. Todos tentamos desvendar as faces dos nomes que bailam nos nossos sonhos. Sentados em esplanadas frias, cigarro na mão e com olhar peregrino sobre quem passa. Em cidades amontoadas de errantes sem destino, procuramos desaparecidos que não estão em listas nas esquadras da polícia e que nos fazem tanta falta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma investigação com custos, um preço demasiado elevado para resultados tão medíocres. Com o passar dos anos sinto-me desaparecer, lentamente. Uma consistência esvaída como uma barragem de rega, até que me irei esfumar por completo nesta cidade que se alimenta de almas sem rostos, esqueletos com nomes e fotografias desactualizadas. A maioria já não me vê e, mais cedo ou mais tarde, o meu nome vai estar na lista de pessoas desaparecidas. Talvez já faça parte.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-2357430155788273522?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/2357430155788273522/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=2357430155788273522' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/2357430155788273522'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/2357430155788273522'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2009/11/nao-sei-onde-e-minha-casa.html' title='Não sei onde é a minha casa'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/Svaxs-z7X1I/AAAAAAAAAhs/TWFQnZiaPdU/s72-c/%C3%A1rvore+e+lua.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-838154637988685347</id><published>2009-11-04T11:02:00.006Z</published><updated>2009-11-04T16:08:18.019Z</updated><title type='text'>A Casa da Rua Espírito Santo</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/SvFfu8Ns1RI/AAAAAAAAAhk/ACUFYS2yGpg/s1600-h/casas+2.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5400202688236147986" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/SvFfu8Ns1RI/AAAAAAAAAhk/ACUFYS2yGpg/s400/casas+2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Com frequência regresso à casa vazia da Rua Espírito Santo. Entro às escuras, mergulho na penumbra do corredor tacteando a parede como se estivesse escrita em linguagem para invisuais, reconheço o cheiro a pó acumulado e um odor forte a madeira que apenas existe na minha imaginação. Em seguida, entro na sala clareada pela luz mortiça que vem da janela e no meio da penumbra reconheço a minha sombra, caída, quebrada, esgotada na carpete verde escura semelhante ao tapete de um parque municipal. Sento-me ao seu lado com os joelhos presos à barriga e fico ali tentando consolá-la da sua solidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas outras sombras se projectam à minha frente como numa sala de cinema, fantasmas coloridos, gente esquecida nas voltas e reviravoltas que entretanto a vida deu, apenas os nomes surgem sem qualquer contrapartida e amontoados como restos perdidos numa lixeira gigantesca, partes, pormenores, conversas, hesitações, roupas e cheiros e gestos, partes de um puzzle que levaria anos ou a vida inteira para as desvendar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por vezes, apetece-me adormecer e esquecer a realidade fora de portas, apesar de encostada ao sonho que me retira dela. Pessoas que entram e saem, livros, coisas, armários da cozinha pintados em cavaletes improvisados na marquise, o som da porta que fecha, o telefone vermelho colocado em sentinela à entrada da cozinha, as silhuetas do casal vizinho, ambos mortos quase ao mesmo tempo como por combinação prévia. A loucura dela primeiro e a solidão dele, separados de mim por aquela parede que deixava passar vozes de estranheza, sintomas, sons semelhantes a um crânio batendo ritmadamente no estuque e latidos do cão que também enlouqueceu e mordeu os donos, como se a loucura fosse uma doença que se pega, uma doença que nivela todos por igual. E de um dia para o outro desapareceram os sorrisos e a amabilidade dos velhos, tão sós como náufragos nalguma ilha perdida. Tantas vezes que nos cruzámos naquele metro e meio de ladrilho onde coincidia a minha porta e a deles, de tal maneira que ao abrirmos ao mesmo tempo impedia a passagem de ambos, mas não impedia os sorrisos de se desenvolverem como massa com fermento. Os sorrisos nunca ocupam espaço, ao contrário da loucura que lhes invadiu a casa como uma inundação fria e revolta de uma tempestade de Outono. Foi aí que começaram as queixas e culpas, sobressaía o desespero que cobria os gestos e feria a alma e os sorrisos foram-se esvanecendo como a vida se esvai em sopros de morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois levantei-me enquanto a minha sombra se mantinha inerte. Adormecera e com uma respiração pausada. Na cozinha passei um dedo na porta do armário cor de prata e dele saía um brilho resultado do seu confronto com o candeeiro da rua. Pensei de novo nos meus amigos loucos, naquela enfermidade que pode hibernar uma vida inteira e, de um momento para o outro, irromper como um delinquente que leva tudo à sua frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dei comigo a pensar que a felicidade é uma entidade feminina com rosto, com gestos e um odor próprio que habitou aquele casa e um dia saiu sem se despedir. Persegui-a pelas ruas, perguntei por ela a gente conhecida e desconhecida até que desisti de a procurar. E naquela tarde de Outono quando o vento trouxe novidades de um frio desterrado por um Verão longo, contemplei de novo a sua face. Uma face cansada, inchada, desfeita pela doença que a corroía por dentro, rebentando diques e estradas íntimas tal como a guerra que espalha o mal por onde passa. Aquela que fora dona da vida era agora um simulacro, um atestado da miséria humana, aquela que nos cerca e nos dá o destino. E percebi que está por um fio uma vida que há bem pouco tempo distribuía sorrisos e dádivas. Talvez por isso senti necessidade de regressar à casa da rua do Espírito Santo. Lembrar-me de que todas as ambições são apenas um exercício da loucura do espírito e um pecado de soberba e que qualquer lampejo de felicidade só poderá encontrar-se na senda de uma história que molde diariamente o seu destino efémero com uma existência tão despretensiosa como a visão de um final de tarde que deparei no final da A23, bem perto da ligação a Tomar, quando o céu apenas com o reflexo do sol, exibia-se como um quadro de um pintor visionário onde se misturava um azul claro e límpido com uns trapos de nuvens vermelhas, outras cinzentas e outras mais carregadas de preto, outras ainda de várias cores, como uma representação do sublime. Acompanhou-me estrada fora até que a noite invadiu o horizonte e me encostou às vertentes sombrias da minha alma. &lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-838154637988685347?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/838154637988685347/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=838154637988685347' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/838154637988685347'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/838154637988685347'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2009/11/casa-da-rua-espirito-santo.html' title='A Casa da Rua Espírito Santo'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/SvFfu8Ns1RI/AAAAAAAAAhk/ACUFYS2yGpg/s72-c/casas+2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-6785353973134173523</id><published>2009-10-22T13:49:00.002+01:00</published><updated>2009-10-22T13:54:51.863+01:00</updated><title type='text'>Nunca mais é Sábado!</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/SuBVuqhofII/AAAAAAAAAhc/PT6aLkLMCOA/s1600-h/lua.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 397px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5395406613767552130" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/SuBVuqhofII/AAAAAAAAAhc/PT6aLkLMCOA/s400/lua.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Há fases na vida onde o peso dos dias representa mais que as toneladas dos anos e quanto mais eles avançam no calendário menos paciência temos para os virar ao acordarmos em manhãs submersas. Amontoam-se bocejos, os pés à procura dos chinelos e a pergunta fatal “Que dia é hoje?”, “Quarta? Nunca mais é Sábado! Seria feliz se fosse Sábado!” Mas esta impossibilidade de não se poder escolher o dia em que se acorda, dá-nos sempre a sensação que más notícias nos esperam. Eu deixei de perguntar, já sei. É melhor contar sempre com o pior, não é? Com baixas expectativas a vida torna-se mais cómoda, vai-se resolvendo por si mesma sem a obrigatoriedade constante de se autojustificar. Basta analisar os dias da semana. Em sete há apenas dois que merecem o nosso beneplácito e perante os outros, de madrugada, repetimos sinais de puro desprezo e gestos mecânicos de aprumo. Por isso, afirmar que a vida é só uma e temos que a espremer até à última gota é uma farsa. Também os que crêem nela acordam com semblantes carregados nos dias banais e só desejam dormir até o mal passar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contas feitas, a vida é um bocejo a maior parte do tempo. Não digo isto com mágoa. O tédio significa que a vida corre normalmente e a normalidade é um registo positivo. Significa ausência de medidas drásticas, que anda tudo sobre rodas, que pagamos os empréstimos a tempo, que a saúde lá em casa anda de boa saúde, que não há desemprego no horizonte, que o casamento se mantém sólido, que as crianças são ajuizadas e no horizonte não espreitam guerras mundiais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, vamos envelhecendo e a veemência cede o lugar à serenidade. E numa tarde, sentados numa nesga de sol outonal, depois de muitas tardes e de milhares de dias úteis se terem acumulado e esquecido, como se o passado que comprometeu tudo o resto não passasse de um pequeno ponto, ridículo de importância na imensidão do tempo, alguém confidencia:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;-Nem sabes a pressa que tenho da reforma. Estou farta de aturar miúdos pouco ambiciosos, de dormir a correr, de não ter tempo para mim…&lt;br /&gt;-Também significará velhice… – retorqui num tom quase dramático.&lt;br /&gt;-E eu ralada! – disse naquele tom convicto tão próprio dela. E desviou-se a conversa sem outras consequências. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Nesse fim de tarde, pelo periscópio, esmiucei com angústia os horizontes prenunciadores da velhice, o dramatismo da fronteira com a morte, a solidão, o desabamento progressivo da autonomia individual, a degenerescência das faculdades mentais. E ela que outrora dominava o destino com mestria agora dava uma resposta tão próxima de um despojamento, vazio de ambições e finalidades. Como se tivesse perdido a guerra, mas sem o medo da deportação, da perda de regalias ou de haveres, ou de outras consequências que pendem na cabeça dos vencidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos poucos vou admitindo que esse estado de espírito é sinal de força. Surge da cumplicidade com a normalidade, do peso dos dias que nunca mais acabam, de anos que passam tão incógnitos que não nos lembramos para que serviram, de datas que se misturam umas com as outras e não permitem que retenhamos nada de muito nítido na sua evolução. A vida é mais uma evolução amorfa de dias incógnitos do que sucessão de marcas nítidas no tempo… É um tempo sem lutas ganhas ou guerras perdidas, um tempo sem selos vinculativos. &lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-6785353973134173523?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/6785353973134173523/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=6785353973134173523' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/6785353973134173523'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/6785353973134173523'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2009/10/nunca-mais-e-sabado.html' title='Nunca mais é Sábado!'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/SuBVuqhofII/AAAAAAAAAhc/PT6aLkLMCOA/s72-c/lua.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-5897582415116844580</id><published>2009-10-19T12:39:00.004+01:00</published><updated>2009-10-19T12:45:14.984+01:00</updated><title type='text'>O Clube dos Prosadores em Avançado Estado de Decomposição</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/StxQt3dJO6I/AAAAAAAAAhU/Qru4Nd0evyo/s1600-h/clube.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5394275202593536930" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/StxQt3dJO6I/AAAAAAAAAhU/Qru4Nd0evyo/s400/clube.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;O que fez nascer o projecto foi o amor pelos livros, sentimento que une todos os intervenientes. Somos poucos, com diferentes formações académicas, com diferentes olhares sobre o mundo, com formas próprias de lidar com os outros e com idades tão díspares como o oito e o oitenta. Criámos de livre vontade este espaço liberto dos fumos que escondem os corações. Lá partilhamos alvoroços interiores, falamos de nós, mostramos textos que nos laceraram, outros que nos embaciaram os olhos, outros ainda que nos fizeram sorrisos de esperança. Alguns encontrados em baús a cheirar a fungos, outros simplesmente em livros que nos vão caindo nas mãos como dádivas inesperadas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Mas não foi linear o caminho. No início, o silêncio era constrangedor porque a timidez causa embaraços quando temos que nos expor de uma forma tão cruel a gente a quem não lhe vimos lágrimas nos olhos. Depois, pouco a pouco, o entusiasmo perante cumplicidades que encontram nos textos a seiva e a energia vital, ou pelo menos encontra razões de exaltação.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O nome escolhido reenvia para um tempo e uma experiência cinéfila comum à maioria dos sócios; os textos reenviam para leituras que pernoitam em nós como o orvalho pela manhã. É tudo tão sério e ao mesmo tempo tão leve que não há obrigatoriedade de qualquer espécie e, mesmo assim, apenas em situações extremas é que algum falha a presença. Necessitamos deste espaço, como um escoadouro de emoções que não aguentávamos carregá-las sozinhos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Não queríamos ser singulares. A busca e a partilha da emoção transportada pelas palavras não é exclusiva de ninguém. É uma vocação humana. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Será assim, claro, se dermos o passo certo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-5897582415116844580?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/5897582415116844580/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=5897582415116844580' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/5897582415116844580'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/5897582415116844580'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2009/10/o-clbe-dos-prosadores-em-avancado.html' title='O Clube dos Prosadores em Avançado Estado de Decomposição'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/StxQt3dJO6I/AAAAAAAAAhU/Qru4Nd0evyo/s72-c/clube.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-3991870580615770429</id><published>2009-10-12T12:02:00.003+01:00</published><updated>2009-10-12T12:11:15.402+01:00</updated><title type='text'>Jardins Suspensos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/StMObLIy7UI/AAAAAAAAAhM/2S8EMO951mI/s1600-h/jardim.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5391669038901554498" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/StMObLIy7UI/AAAAAAAAAhM/2S8EMO951mI/s400/jardim.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Não sei porque se fazem jardins. A maioria trespassa-os em passada célere, com os olhos perdidos em si mesmos. Árvores esguias em copas perfeitas, canteiros com sebes desenhadas a compasso, erva aparada ao milímetro. Um trabalhão que aquilo não dá! E aquelas figuras de bronze que lembram factos, recordam tempos e festejam a história. Se em vez de árvores lá colocassem tapumes altos disfarçados com publicidade em nada mudaria o semblante dos transeuntes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E lá vão eles no seu silêncio aparente, mexendo lábios sub-repticiamente, confiando que mais à frente esteja lá o que procuram, nas lojas, nos autocarros, nos empregos, em casa. Se por magia a narrativa se transformasse em quietude, então teriam tempo para olhar e fruir aqueles espaços onde passam diariamente sem os saborear. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-3991870580615770429?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/3991870580615770429/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=3991870580615770429' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/3991870580615770429'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/3991870580615770429'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2009/10/jardins-suspensos.html' title='Jardins Suspensos'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/StMObLIy7UI/AAAAAAAAAhM/2S8EMO951mI/s72-c/jardim.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-5779802750221737412</id><published>2009-10-09T12:22:00.005+01:00</published><updated>2009-10-09T14:20:25.909+01:00</updated><title type='text'>Nuvens</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/Ss8iBHd6YNI/AAAAAAAAAhE/8LEQeQKLTeg/s1600-h/menina+andando.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 238px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5390564681565495506" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/Ss8iBHd6YNI/AAAAAAAAAhE/8LEQeQKLTeg/s400/menina+andando.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Manhã assombrada por nuvens de várias tonalidades e formas. Quase compactas, seguiam na mesma direcção como se fossem despenhar-se num abismo. Atrás de mim, uma grua amarela espreguiçava-se e dentro dela dois homens ocupavam-se da frontaria do edifício camarário. Os berbequins faziam estremecer o banco do jardim e julguei eminente o seu desprendimento e consequente acomodação ao movimento das pessoas na avenida e ao das nuvens no céu.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Agora as nuvens mais lentas, em fila de espera. Como se um acidente ou uma passagem mais estreita dificultasse o trânsito cósmico. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-5779802750221737412?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/5779802750221737412/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=5779802750221737412' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/5779802750221737412'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/5779802750221737412'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2009/10/nuvens.html' title='Nuvens'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/Ss8iBHd6YNI/AAAAAAAAAhE/8LEQeQKLTeg/s72-c/menina+andando.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-8167756156322513988</id><published>2009-10-08T14:09:00.005+01:00</published><updated>2009-10-08T16:50:20.322+01:00</updated><title type='text'>A Terapia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/Ss3lzC7pnsI/AAAAAAAAAg8/sHzK0igoZ6Q/s1600-h/terapia-g.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5390216994155503298" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/Ss3lzC7pnsI/AAAAAAAAAg8/sHzK0igoZ6Q/s400/terapia-g.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Sabem como é. Temos sonhos e julgamos possuir o indispensável para chegar a algum lado. Não a um ponto perdido no universo, mas àquele propósito mais ou menos humilde, como são todos os objectivos humanos. Aquela pequena felicidade que nem tem dignidade para vir nos livros! Estado beatífico que até poderá ser confundido com simples comodidade. E além das ganas sentimos que temos atributos para o atingir. Mas a espera arrasta-se e perguntamos ao confessor, ao amigo íntimo, a nós quando estamos perante o espelho, antes de sair para o trabalho: o que se passa comigo? Estudei, sou boa pessoa, não sou nada de deitar fora, julgo ter qualidades superiores aos defeitos, porque não me chega a bem-aventurança que encontro nos demais? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;É assim, sem&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;pre assim. Nada a fazer perante a engrenagem da vida. Com falta de óleo chia e mirra e às vezes tropeça em pequenos degraus que não constavam do mapa, enquanto nós olhamos para o relógio e calendários rosnando que o tempo passa inexoravelmente e nos deixa para trás sem futuro. Vêm à baila outros, coitados, como é possível? Sem talentos visíveis e conseguiram. Garbosos, mostram o automóvel de alta cilindrada, uns filhos corados e reboludos, um casamento perfeito, ele a nadar em dinheiro, personalidade afável, até dá um jeito na cozinha, e eu nesta armadilha!? Tantas qualidades esbanjadas com este estafermo que me reprova, que nem me olha na maioria dos dias, que refila porque trabalho demais e não lhe dou ouvidos nas suas desvairadas manias de grandeza. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Casada, um filho, sonhadora. Ressente-se do casamento mais chato do que infeliz. Ele não é dado a gestos magnânimos daqueles que deixam as mulheres de rastos. Não oferece uma flor, ou um perfume e muito menos qualquer jóia, qualquer surpresa que a deixe eufórica; também não tem charme de um actor de telenovela; não tem uma conversa de um professor de filosofia alemã; mas pronto, no resto cumpre com relativa profissionalidade. Agora, naturalmente, não é objecto de delírios telenovescos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas, ultimamente, as coisas andavam pior. Abreviando, ela a sonhar enfadada e ele cansado com tanta contestação. Saiu de casa. Seguiu-se uma confusão de dias sem qualquer sinal de bonança, um sol quase sempre obscurecido por nuvens cinzentas, tudo e mais alguma coisa os obrigou a reaproximações, primeiro tímidas, depois cada vez mais desesperadas. Na ponderação das medidas drásticas chegaram à conclusão que as terapias comportamentais para casais desavindos poderia funcionar. Óptimo, lá foram eles! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Primeiro, cada um por si, depois em conjunto, repetem conversinhas de gente graúda que vai reconhecendo paulatinamente a raiz dos confrontos, enquanto se encolhem na cadeira e ouvem fórmulas mágicas de seitas profanas. Até que lhes é comunicado com alguma pose e circunstância o veredicto final: têm dificuldade em expressar os sentimentos. O homem acertara em cheio e ela correu para o escritório prestes a explodir de entusiasmo. Encontrou no corredor aquela colega com quem partilha a sua vida em crónicas diárias, queixas e mais queixas do marido perdido em números e separado da realidade por uma poeira nos olhos. Conta-lhe a receita que resultou da terapia comportamental e que equivale em importância à descoberta da electricidade e nada melhor que começar por ela que há muito conhece o seu fado, abraça-a com a força que tem e a outra, muito mais pequena, deixa-se abraçar prontamente para que dê resultado o remédio do especialista e resulte o seu casamento condenado desde a pré-história dele (casamento) apenas porque ela tem aquele defeito de não mostrar convenientemente o que sente e a amiga com o receio de serem vistas naqueles preparos enquanto os segundos se prolongam de forma indevida, até que lhe declara com uma voz consistente:&lt;br /&gt;- Está bem, não te acanhes, mas para mim já chega!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É o que faz a terapia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-8167756156322513988?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/8167756156322513988/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=8167756156322513988' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/8167756156322513988'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/8167756156322513988'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2009/10/terapia.html' title='A Terapia'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/Ss3lzC7pnsI/AAAAAAAAAg8/sHzK0igoZ6Q/s72-c/terapia-g.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-8543961015720348610</id><published>2009-09-25T14:31:00.004+01:00</published><updated>2009-09-25T18:24:52.323+01:00</updated><title type='text'>Regresso ao Inferno</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/SrzGiv6bBzI/AAAAAAAAAg0/-DAwL5OBFDY/s1600-h/costas+voltadas.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5385397554707629874" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/SrzGiv6bBzI/AAAAAAAAAg0/-DAwL5OBFDY/s400/costas+voltadas.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O regresso nunca fora previsto. Muitas promessas não cumpridas, afectos pelo chão vezes demais. Era tudo tão claro para suspeitarmos de qualquer incerteza futura. E mesmo que dúvidas surgissem, a vida ensina-nos a moderar impulsos. Ímpetos que nos empurram para o telefone, para a porta do escritório em hora de saída, para a sombra da sua morada em horas de entrada, mas recolhemo-nos num canto, assustados com a expectativa de uma recaída. Algemamo-nos à cama, caso necessário. Vigiamo-nos pela possibilidade de evasão. Depois, aos poucos, o silêncio, o copo vazio de whisky e o suspense do filme vão-nos encostando ao sofá. Uma vontade adormecida, até ser demasiada tarde para estratégias suicidas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;Um dia de cada vez, tal como os adictos do álcool e da droga. Sabemos que é possível adoecermos por amor. É possível a instabilidade absoluta pela repetição frustrada de uma ligação que no passado nos levou até ao inferno. Na altura, questionámos até à exaustão sobre a sua importância, a sua dedicação e a sua beleza. Reconhecíamos que o único desfecho razoável era a discordância de destinos. Rupturas atrás de rupturas, umas breves outras mais prolongadas, até se rasgar o véu e seguirmos, cada um, para o seu lado. Mas o tempo não cura feridas, coloca-lhes curativos que caem no duche. Ameniza, mas por quanto tempo? Não se sabe como, mas de um momento para o outro, um impacto profundo na nossa vida, tal como um asteróide que levanta mares e engole paisagens. E vamos naquela onda destruidora à sua procura. À procura do pior de nós. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-8543961015720348610?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/8543961015720348610/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=8543961015720348610' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/8543961015720348610'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/8543961015720348610'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2009/09/o-regresso.html' title='Regresso ao Inferno'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/SrzGiv6bBzI/AAAAAAAAAg0/-DAwL5OBFDY/s72-c/costas+voltadas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-6619584069750736246</id><published>2009-09-18T10:42:00.013+01:00</published><updated>2009-09-19T18:25:50.029+01:00</updated><title type='text'>Malvado Setembro...</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/SrNa54eB3tI/AAAAAAAAAgs/kWjnnTKbUYg/s1600-h/outono+2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5382745930095255250" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 361px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/SrNa54eB3tI/AAAAAAAAAgs/kWjnnTKbUYg/s400/outono+2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Setembro tem tudo o que não se quer num mês. Recomeça o que em sonhos a&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;nsiamos que termine; expira o Verão naquela áurea de nostalgia de cores e folhas mortas e evidenciam-se as fragilidades e pecados com que a vida diária nos apedreja. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Há meses assim, tal como há dias assim. Não gostamos deles por razões válidas ou por considerações obscuras e inconscientes. Nunca gostei de Setembro. Faz-me lembrar as piores razões, razões que tenho contra a vida. Não sei se têm razões contra a vida. Eu tenho. Sobressaem em toda a sua plenitude nas primeiras chuvas, mesmo que a sua origem a encontre em meses atrasados. Rupturas, rigores, melancolias, impasses, coração apertado e debilidades ósseas. Sempre tive dificuldade em encontrar neste mês saídas eficazes e soluções duradoiras.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Também é em Setembro que fico a par das histórias mais tristes. Histórias de livros e de seres vivos que se aproximam de mim. Desconheço o porquê destas coincidências. Ontem, alguém me contou a sua história, alguém tão novo na minha vida como uma peça de fruta acabada de comprar no supermercado. Porte esquivo, vestido à Inverno e sentado lá bem atrás, num misto de interesse e desencanto, querendo estar mas ao mesmo tempo com evidentes sintomas de poder ausentar-se em qualquer altura. Quando chegou a vez dele falar, de dizer quem é e porque prescinde da noite para se encaixotar numa sala mal iluminada, primeiro hesitou, depois decidiu-se devido à pressão dos olhares que se concentravam nele. Vinte e dois anos, nunca teve qualquer emprego, não tem qualquer interesse na vida e há quatro anos que não sai de casa. Assim, sem mais nem menos, com a audácia de quem guardou um segredo para o despejar na sarjeta na primeira oportunidade. No mundo nada existe de interessante que me faça sair de casa. E se tenho de comprar qualquer coisa, depois poderei passar meses sem regressar à rua. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Um silêncio profundo no recinto. Na sua face uma calma guerreira. Por coincidência eu tinha na mão cópias do poema de Pablo Neruda “Quem Morre?” e lemos todos em voz alta como se fosse uma ladainha e comungássemos de “uma morte em doses suaves”. “Morre quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajectos (…) Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o preto no branco e os pingos sobre os “is” em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos, o sorriso dos bocejos (…) Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante…” &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Depois terminou a noite no meio de silêncio infectado de melancolia. O cansaço na face, gestos preguiçosos. Enquanto tentava acomodar o caos instalado na minha mesa, na cabeça repetia-se “morre lentamente quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás do sonho” e reconheci que o problema é quando não temos qualquer sonho que nos arraste para fora de nós. Ele ia à minha frente com o passo lento e tronco flectido. Volta amanhã? Perguntei. Não sei, talvez. Afastámo-nos, cada um para seu lado do corredor. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E hoje tomei uma decisão. A partir de agora não haverá mais Setembros na minha vida. Irei fazer de conta que este sol que teima em manter-se ainda faz parte de um Verão interminável e que tudo à minha volta se renova com o mesmo entusiasmo como aquele que se espraiava em flores e rebentos primaveris. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-6619584069750736246?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/6619584069750736246/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=6619584069750736246' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/6619584069750736246'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/6619584069750736246'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2009/09/malvado-setembro.html' title='Malvado Setembro...'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/SrNa54eB3tI/AAAAAAAAAgs/kWjnnTKbUYg/s72-c/outono+2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-1365146589295095350</id><published>2009-09-11T13:47:00.009+01:00</published><updated>2009-09-11T13:58:19.111+01:00</updated><title type='text'>O Búzio de Cós</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/SqpHA7AE_eI/AAAAAAAAAgU/gtGNHdjMDa8/s1600-h/buzio.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5380190786011069922" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/SqpHA7AE_eI/AAAAAAAAAgU/gtGNHdjMDa8/s400/buzio.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;E&lt;/strong&gt;ste búzio não o encontrei eu própria numa praia&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Mas na mediterrânica noite azul e preta&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Comprei-o em Cós numa venda junto ao cais&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Rente aos mastros baloiçantes dos navios&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E comigo trouxe o ressoar dos temporais&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Porém nele não oiço&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Nem o marulho de Cós nem o de Egina&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Mas sim o cântico da longa vasta praia&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Atlântica e sagrada&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Onde para sempre minha alma foi criada&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;em&gt;Sophia de Mello Breyner Andresen,&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Junho de 1995&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-1365146589295095350?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/1365146589295095350/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=1365146589295095350' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/1365146589295095350'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/1365146589295095350'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2009/09/o-buzio-de-cos.html' title='O Búzio de Cós'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/SqpHA7AE_eI/AAAAAAAAAgU/gtGNHdjMDa8/s72-c/buzio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-3903696262222813251</id><published>2009-09-04T10:46:00.006+01:00</published><updated>2009-09-04T10:56:05.899+01:00</updated><title type='text'>O Gesto</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/SqDihP5ZRwI/AAAAAAAAAgM/17IW7979Kko/s1600-h/bl-anorex2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5377547015911196418" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 327px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/SqDihP5ZRwI/AAAAAAAAAgM/17IW7979Kko/s400/bl-anorex2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;I - Devemos recear mais o gesto do que as palavras. O gesto é mais honesto e generoso. As palavras voam, desfazem-se, e quando nos reencontram somos mais velhos, menos ingénuos, mais inseguros. Por isso, são de pouca confiança. Agora, o gesto remete para o momento, para aquele átomo reflexivo imune à hipocrisia. Perde-se no tempo em que é feito. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ao contrário, compomos as palavras como quem faz desenhos geométricos. Pensamos nelas como se estivéssemos a fazer um ninho onde nos vamos deitar. Por isso, apenas são válidas no tempo em que são ditas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Recriminamos a falta de precisão das palavras, a sua falta de coerência, ou a descontinuidade da sua verdade. As palavras desgastam-se, envelhecem, corrompem-se e transfiguram-se. Aquilo que foi dito ontem, hoje perdeu a validade. Alteraram-se circunstâncias, após a emoção, após o desejo de ferir, após a necessidade de ser amado, após ganhar a consideração do outro, após conquistar um lugar, após ter direito ao primeiro lugar. O dizer por dizer. Repetir palavras ditas é, pois, um atentado a elas mesmas. É separá-las do seu tempo e deslocá-las no seu sentido originário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;- Mas tu disseste que me amavas.&lt;br /&gt;- Ontem, quando precisava de ti.&lt;br /&gt;- E hoje, já te passou?!! - Sarcasmo na voz.&lt;br /&gt;-Hoje prefiro estar só. Gosto de ti, mas não preciso de ti. Não precisamos de estar sempre juntos, pois não?! – Deixou no ar a pergunta como fumo de um cigarro.&lt;br /&gt;- Mas o amor perde-se ou afunda-se de um dia para o outro? – Com voz inquisidora e magoada.&lt;br /&gt;– Sim, há amores verdadeiros e válidos apenas para um dia…&lt;br /&gt;- Mas, então, porque o afirmaste em vez de exprimires apenas desejo?&lt;br /&gt;- Porque era verdade.&lt;br /&gt;- Mas era fome e não amor! – Agora notava raiva no tom que ela usava.&lt;br /&gt;- O que tu sabes do amor? O que é o amor sem desejo? É algo vazio, simples pretexto para ter um interlocutor contínuo no tempo, dividir contas, casas e preocupações. Nada mais…&lt;br /&gt;- Não acredito que penses assim…&lt;br /&gt;- Os poetas é que colocaram a fasquia alta demais: amor como um prolongamento num tempo indefinido. Um jogo que custa demasiado caro a uma sociedade que quer ser feliz a todo o custo. Mas no fundo, se fossemos honestos, a conclusão seria bem diferente: quando falta o desejo, já não se gosta; ao manter-se o desejo significa que o amor é sólido.&lt;br /&gt;- Estás a cansar-me. Amanhã ou quando sentires sofreguidão por corpos, virás dizer-me que a verdade de hoje já não terá qualquer sentido e que me amas no sentido comum.&lt;br /&gt;- Talvez. Mas serei tão honesto como hoje estou a ser.&lt;br /&gt;- Então, não quero a verdade para nada. Prefiro a hipocrisia. Prefiro pensar que quando se fala em amor, significa que é algo forte que se consegue manter após a ida à cama, ou seja, um sentimento sólido que implica comunhão, cumplicidade, aconchego. Alguém tão honesto como tu não quero para nada. Aliás, nem acho que a verdade seja assim um valor tão grandioso…&lt;br /&gt;- Julgo que estás a ser pouco razoável. No fundo, estamos a falar da mesma coisa…&lt;br /&gt;- Tenho as minhas dúvidas. Passa bem… &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E desligou com ímpeto. De pé, por momentos fixou o vazio, roendo a unha. Tinha dúvidas se as suas próprias palavras, estas que orientaram a relação para um ocaso, não iriam sofrer um revés. Na dura batalha de sobrevivência, as palavras também têm a sua situação precária. É que todos nós já sofremos na pele a falta de firmeza das nossas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-3903696262222813251?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/3903696262222813251/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=3903696262222813251' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/3903696262222813251'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/3903696262222813251'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2009/09/o-gesto.html' title='O Gesto'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/SqDihP5ZRwI/AAAAAAAAAgM/17IW7979Kko/s72-c/bl-anorex2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-7356544238790559491</id><published>2009-08-31T11:57:00.002+01:00</published><updated>2009-09-03T15:41:33.688+01:00</updated><title type='text'>O Baile no Alto da Serra</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/SputBzIY9uI/AAAAAAAAAgE/8vJwRatHwCY/s1600-h/c%C3%A9u.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5376080826613692130" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 290px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/SputBzIY9uI/AAAAAAAAAgE/8vJwRatHwCY/s400/c%C3%A9u.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Saímos do recinto da festa, um redondel repleto de gente e cheirar a França, enfeitado de um vermelho vivo das bailarinas de flamenco e sons metálicos do grupo musical. Tudo fazia lembrar um cenário de filme onde actores e decores se combinavam artificialmente perante casas de granito e olhos cansados de quem lá vive e sofre muito com o Inverno. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Percorremos parte da calçada iluminada por um néon que ocupava a estrada “bem-vindos à festa de S. João” e, aos poucos, iam-se desvanecendo os sons e as cores alteradas da praça. Avançávamos abraçados sem qualquer pudor. Junto à ponte, virámos à esquerda em direcção à Serra, passámos rente ao cemitério apinhado de sombras e medos. Ao mesmo tempo que subíamos estreitava o caminho, iam desaparecendo sinais humanos – casas e campos desbravados – e crescia a nitidez do céu e a sua proximidade. Ainda se ouvia lá ao longe um resto de música, mas já era suplantado por uma miríade de gritos, de chamamentos, de linguagens cruzadas de bichos nocturnos, passando a palavra, avisando uns e outros da nossa chegada. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E no alto, lá bem no alto, a paisagem perfeita de tantas estrelas atropelando-se umas às outras, forçando o seu lugar como pares de dança no baile, umas brilhando mais do que outras, revestidas de roupas refulgentes de origem francesa, outras mais tímidas recostadas em zonas mais sombrias. Não caberia nem mais uma neste baile celeste abrilhantado por um silêncio cósmico. Abraçados, com a cabeça encostada numa fraga de granito, riamo-nos pasmados e deliciados como há vinte e trinta anos atrás. A certa altura, uma estrela fez uma correria louca atravessando toda a abóbada até cair bem perto de nós e formulámos desejos como dois adolescentes. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No caminho de regresso, pensei que corremos sempre o risco de nos repetir e repetimo-nos sempre. Com sorte, teremos uma boa ideia ao longo da vida que irá perseguir-nos e repeti-la-emos até à exaustão naquilo que escrevemos, pensamos e dizemos. Uma fatalidade. Por outro lado, procuramos sempre aquilo que nos despertou sentimentos de alegria, de espanto, de prazer. Multiplicar instantes fugazes que nos fizeram felizes, pois só eles nos farão felizes. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Chegámos à aldeia, agora com o passo mais apertado devido ao frio que começava a pousar nos braços. Já havia menos gente no largo, as bailarinas de flamenco tinham-se despedido, mas a música mantinha-se alta. Não quis ficar. Despedimo-nos, entrei de mansinho em casa para não acordar ninguém, deitei-me com os estores meios corridos a desvendar a noite, mais clareada pelo candeeiro público. Não conseguia dormir. Talvez não haja nada de novo em lado algum. Qualquer que seja a nossa idade, sentimo-nos fascinados pelas mesmas belezas, pressionados pelos mesmos chamamentos, procuramos sempre idênticas saídas. Numa arena improvisada, onde corpos balançam ao som de melodias, tentamos descobrir olhares, sorrisos e braços que nos recolham e nos levem simplesmente para casa, nos aconcheguem e nos deixem chorar baixinho; quanto ao céu límpido de Agosto faz-nos reencontrar a nossa infância e o melhor de nós. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas no final do baile, sentimos sempre a contrariedade em largarmos tudo por pouca coisa ou quase nada. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-7356544238790559491?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/7356544238790559491/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=7356544238790559491' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/7356544238790559491'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/7356544238790559491'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2009/08/o-baile-no-alto-da-serra.html' title='O Baile no Alto da Serra'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/SputBzIY9uI/AAAAAAAAAgE/8vJwRatHwCY/s72-c/c%C3%A9u.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-2363883268469144598</id><published>2009-08-28T16:15:00.002+01:00</published><updated>2009-08-28T16:25:08.631+01:00</updated><title type='text'>Os Abrunheiros</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/Spf1FqTspAI/AAAAAAAAAf8/QA6vbkYwFBs/s1600-h/guerra-sobreposta.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5375034157895033858" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 254px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/Spf1FqTspAI/AAAAAAAAAf8/QA6vbkYwFBs/s400/guerra-sobreposta.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Regressei ao lugar mais inóspito que conheço. Um pequeno quintal, outrora um microcosmos auto-suficiente e harmonioso, agora abandonado à sorte e à erosão. Num dos cantos e junto a um pequeno poço vazio, crescem quatro abrunheiros, duas pipas velhas dormem ao sol e um tanque equilibra-se num declive. Quanto a outros objectos, dantes religiosamente tratados, polidos, conservados por uso diário, restam deles apenas estilhaços, ossadas carcomidas pelo sol, pela chuva e pela solidão. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Parece um campo estrafegado por bombas, com trincheiras ameaçadas pelo tempo. Quando passeio na sua desolação sou confrontado com a minha, com os meus próprios estilhaços, aquelas feridas profundas sempre abertas. Locais de guerra: o pequeno quintal e eu. Mesmo assim, se pudesse, ficaria por cá. Sonhando com a compostura do passado, com a nitidez com que distinguia o que era importante e simplesmente acessório; amores e ódios com listas inscritas numa ardósia e afixada em locais iluminados por candeias de petróleo; uma ordem onde as emoções e os afectos eram tão límpidos como contas de somar e nós sabíamos quem nos poderia afagar sem reservas nem pré-condições e de quem nos teríamos de afastar pelo perigo de maus-olhados e invejas mesquinhas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas a vida não nos permite encontros demasiado longos com o passado. É inevitável regressarmos ao futuro para terminarmos o que começámos. Assim, teremos de viver com o interior desgastado pelo esforço de guerra e continuar em frente à procura de qualquer coisa grandiosa. É isso que nos faz viver. Procuramos o infinito, mas, geralmente, contentamo-nos com leves acenos, com simples contactos de pele que não significam mais do que isso. Resolvemos tudo no próprio momento, com o perigo de tudo perdermos e na ânsia de que o tempo se acomode ao presente... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na despedida olho os quatro abrunheiros verdes e vigorosos que nasceram como por milagre em terra-de-ninguém e confio que o estranho facto seja um sinal da permanência do universo após o caos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-2363883268469144598?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/2363883268469144598/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=2363883268469144598' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/2363883268469144598'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/2363883268469144598'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2009/08/os-abrunheiros.html' title='Os Abrunheiros'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/Spf1FqTspAI/AAAAAAAAAf8/QA6vbkYwFBs/s72-c/guerra-sobreposta.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-6746773793192702614</id><published>2009-08-27T18:11:00.003+01:00</published><updated>2009-08-27T18:17:59.153+01:00</updated><title type='text'>A Troca</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/Spa_oQPeQpI/AAAAAAAAAf0/FdAHYlwskvY/s1600-h/tamborileiro.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5374693903588803218" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 244px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/Spa_oQPeQpI/AAAAAAAAAf0/FdAHYlwskvY/s400/tamborileiro.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O Zé Patum era umas das figuras mais conhecidas da aldeia. Durante muitos anos tocou tambor que anunciava a festa de S. João Degolado. Um dia, talvez numa noite fria de Inverno, a mulher confidenciou-lhe:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;- Doi-me tanto a cabeça, Zé.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;- Vamos a Valverde trocá-la, mulher - respondeu.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;- E ficará bem, Zé?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-6746773793192702614?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/6746773793192702614/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=6746773793192702614' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/6746773793192702614'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/6746773793192702614'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2009/08/troca.html' title='A Troca'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/Spa_oQPeQpI/AAAAAAAAAf0/FdAHYlwskvY/s72-c/tamborileiro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-3793285950540138251</id><published>2009-08-20T14:59:00.007+01:00</published><updated>2009-08-27T21:46:10.893+01:00</updated><title type='text'>A Vida das Férias</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/So1X-a44wuI/AAAAAAAAAfs/1Un8-9VBeUA/s1600-h/f%C3%A9rias+2.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5372046660404298466" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/So1X-a44wuI/AAAAAAAAAfs/1Un8-9VBeUA/s400/f%C3%A9rias+2.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Das férias saímos, inevitavelmente, vazios. Como se o tempo se espraiasse em paisagens, em brisas, em finais do dia tão serenos como afagos e nada restasse dele para nos comprometer com a vida. Está bem. Mudámos uma lâmpada de médios fundida do automóvel, fomos roubados numa fila de espera à saída da praia, corremos em pistas de atletismo no mar alto, e em pleno Ermitage, assombrados por tantos Picassos, Matisses e Renoires juntos, a minha menina de nove anos, sentada na base de uma coluna e jogando Nintendo, pergunta-me com olhar cândido: Pai, quando é que vamos para Lisboa? E pouco mais.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;As férias servem para pouca coisa. Para nos ausentarmos do concreto, da materialidade da vida, do quotidiano tão cru e cheiro a ervas secas que nos vai corroendo até às entranhas. Ao entrarmos nas férias é como se penetrássemos em espaços imunes às bactérias e aos vírus, redoma que exige fatos pomposamente simples, como se fôssemos para o espaço sideral. O corpo limpo de impurezas torna-se mais leve e lento e ficamos joviais e divertidos como adolescentes varridos, ao sermos transportados por uma máquina do tempo que anda sempre para trás.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Jogamos tudo borda fora, fobias e os medos sacudidos à janela, uma janela colorida pela espuma que o barco levanta ao fazer regos profundos no mar. Depois regressamos. Vestimos a roupa antiga, roçada, desgastada e mal dobrada nas prateleiras do guarda-fatos e, como excelentes actores - treinados para os papeis mais complexos - entramos de novo nas nossas personagens como se fossemos nós mesmos. Nos locais de rotina encontramos tudo na mesma, como se não existissem alçapões na realidade que nos impedem de enlouquecer, e os outros repetem elogios perante a autenticidade dos gestos, a verdade dos humores, a riqueza plástica das poses, a forma rigorosa como aceitamos e respeitamos as precedências protocolares. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;À noite, tão fatigados que não teremos tempo nem paciência para despirmos as roupas de cote. Por vezes, aproximamo-nos dos baús que gemem de velhice durante a noite, ajoelhamo-nos no soalho, pegamos cuidadosamente nas vestimentas de festa, afagamo-las, levamo-las à face para sentimos os cheiros das caminhadas, a cor dos festejos e os reflexos dos corpos nus da Dança de Matisse e resignamo-nos à espera de um Verão longínquo para as vestirmos de novo e recomeçarmos a vida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-3793285950540138251?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/3793285950540138251/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=3793285950540138251' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/3793285950540138251'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/3793285950540138251'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2009/08/vida-das-ferias.html' title='A Vida das Férias'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/So1X-a44wuI/AAAAAAAAAfs/1Un8-9VBeUA/s72-c/f%C3%A9rias+2.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-5348634444821758875</id><published>2009-07-15T10:44:00.003+01:00</published><updated>2009-07-15T10:53:59.988+01:00</updated><title type='text'>A Casa do Lado</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/Sl2lVu1cSzI/AAAAAAAAAfk/mw9To8wvz-4/s1600-h/TREM.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358620924408777522" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/Sl2lVu1cSzI/AAAAAAAAAfk/mw9To8wvz-4/s400/TREM.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Filomena dava tudo por uma união de facto. Uniões tivera muitas, mas quando chegava a hora de as oficializar e dar um rumo, todos fugiram como as cobras dos incêndios. Perdeu a face nalgumas ocasiões, noutras o orgulho andou pelas ruas da amargura. Rastejou, implorou uma vida a dois, mesmo a mais se tal fosse impreterível, mas nada lhe valeu e a solidão transformou-se num cenário de batalha, com feridas abertas e cicatrizes que dariam para várias vidas. Agora com quarenta e três anos, após conviver com todos os ofícios, parecia ter ficado desempregada definitivamente. O último fora um delegado de propaganda médica que na derradeira visita prometera regresso definitivo e mudança de profissão, mas já lá iam três anos e dez dias e destroçara todas as esperanças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivia numa casa acolhedora e decorada com gosto e cuidava-se de forma sugestiva e exigente. Rua abaixo, rua acima, pose de estrela e olhar cortante, todos os dias a marcar o território. Tal como personagem de comédia romântica transformava a rua num cenário burlesco. Fazia travessuras de menina jovem e atrevida aos homens conhecidos, piada na ponta da língua provocando reacções e trejeitos maliciosos. Dona de uns lábios carnudos, de tal forma pastosos que contemplá-la a beber um café ao princípio da tarde na pastelaria era uma experiência alucinante. Sorvia com algum aparato e o líquido aromático que escorria pelos beiços era desgastado cuidadosamente gota por gota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Martirizava-se tanto pela ausência de homem fixo que para atenuar a falta comprou um cão. Percebia a diferença, mas os afectos tornam-se mais genuínos ao definirem-se critérios. Gostava do bicho como de um parente próprio, até lhe poderia dar a comida à boca por ser mais esquisito do que um Sultão das arábias, mas quando se tratava ponderar circunstâncias ou identificar finalidades, aí as dúvidas desapareciam e homem metido em casa por compromisso firmado adquiria um valor que cão nenhum poderia presumir. Por isso, qualquer resposta mais atrevida, qualquer atenção mais espampanante, qualquer gentileza mais afectuosa, era logo motivo para uma atenção de ave de rapina. E nesses tempos de entusiasmo quem se tramava era o animal. Devido à birra de só comer de colher pela mão da dona passava uma fome de cão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas no meio dessas manobras os anos foram passando, o cão cada vez mais velho, ela cada vez mais obsessiva. E foi num Setembro chuvoso que arribou à cidade um militar em tempo de reforma e vida familiar num impasse. Após a separação não poderia habitar a casa degradada que recebera de herança e procurava uma casa até resolver os problemas de infiltrações no telhado. Ficaria num hotel até encontrar uma solução. No dia seguinte, entre telefonemas e o diabo a quatro, Filomena não só já tinha a biografia completa do herói de armas, como na mão a solução para o problema. Conseguira a chave de uma casa pegada à sua, cedida temporariamente, enquanto a proprietária fazia vida no Canadá. O encontro com o fardado teve conotações com fina estratégia militar.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Apresentou-se no hotel e pediu para falar com o senhor comandante, recém-chegado. Pouco depois, ele surgiu na recepção meio aturdido, alto e muito magro, com a face marcada de sulcos profundos e vestido de forma atabalhoada. Olhava para todos os lados para identificar alguma cara conhecida, ela acercou-se e interrompeu-lhe a pesquisa.&lt;br /&gt;- Sou o seu anjo da guarda, muito prazer.&lt;br /&gt;- Mas eu não pedi nenhum. Disse ele, sorrindo e espantado.&lt;br /&gt;- Nestas coisas do céu só Deus na sua infinita sabedoria é que sabe.&lt;br /&gt;- Mas eu não preciso de guarda, apenas um tecto impermeável! E deu uma gargalhada sonora.&lt;br /&gt;- Olhem que coincidência! Talvez tenha o que procura…&lt;br /&gt;- Mas olhe que um tecto é uma coisa muito grande e não se guarda facilmente!&lt;br /&gt;- Sabe-se lá, sabe-se lá…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem ainda manietado pela surpresa estendeu a mão timidamente, disse o nome e despediram-se após conversa de circunstância. Ao fim da tarde Filomena reapareceu com a solução na mão, uma chave tão reluzente como um castiçal de igreja. O militar recuou numa manobra de contenção,&lt;br /&gt;- Mas eu nem conheço a senhora, porque é que me fará uma coisa destas?!&lt;br /&gt;- Sabe, mas uma amiga comum…&lt;br /&gt;- Mas eu nem tenho amigas na cidade… Depois de uma hesitação. - Agradeço na mesma, cá me arranjo.&lt;br /&gt;- Claro, o senhor é que sabe. Mas olhe que na vida não se pode ser pobre e mal agradecido – e fitou-o com um sorriso aberto, misturado com algum azedume.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um recuo estratégico. Sabia da enorme dificuldade em encontrar uma casa vaga na cidade e, mais cedo ou mais tarde, anuiria. Uma semana depois, tal como previsto, surge do nada, como mera coincidência e quase tropeçam na esquina feita de loja de sapatos.&lt;br /&gt;- Ah, o senhor general!&lt;br /&gt;- Bom, desculpe, eu não sou general.&lt;br /&gt;- Olhe, não importa, tem corpo para isso! - Ele ria mais do que a elegância o permite. Vamos tomar um café? perguntou ela sorrateira, está bem, respondeu ele a custo, e, ao olhar embasbacado para aquele sorvedouro barulhento, o militar rendeu-se às forças estrangeiras e acertou uma mesada barata por ser um guerreiro que defende o País, caso necessário, com o sacrifício da própria vida. As portas das casas eram tão juntas que se poderia enganar sem escândalo algum, garantia ela ao cão enrodilhado no seu colo, ao mesmo tempo que ouvia os passos lentos do militar no soalho da casa do lado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-5348634444821758875?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/5348634444821758875/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=5348634444821758875' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/5348634444821758875'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/5348634444821758875'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2009/07/casa-do-lado.html' title='A Casa do Lado'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/Sl2lVu1cSzI/AAAAAAAAAfk/mw9To8wvz-4/s72-c/TREM.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-8621010890301433008</id><published>2009-07-10T09:30:00.003+01:00</published><updated>2009-07-10T09:41:26.460+01:00</updated><title type='text'>A dor da infância</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/Slb8vxowosI/AAAAAAAAAfc/KJGyYNVBlZg/s1600-h/mulher_no_infinito.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5356746704512131778" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 219px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/Slb8vxowosI/AAAAAAAAAfc/KJGyYNVBlZg/s400/mulher_no_infinito.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Analisei-te como se um foco de luz incidisse na tua alma. A leitura foi clara, estavas escrita em letras garrafais e em linguagem simples. Sem obstáculos ao meu olhar. Não tentaste disfarçar a tristeza, a debilidade física e o sofrimento. Julgo que apenas suavizaste a desilusão, talvez porque o teu orgulho te impede de destruíres a grande máxima da tua vida: a vida vale sempre a pena. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Olhavas apenas para mim sem qualquer esforço em pensares em mim. Sabias que eu estava atento a ti e preferiste sair para qualquer lugar onde eu nunca te poderia encontrar. Não disseste uma única palavra e eu levantei-me despedi-me, um “até amanhã”, entre dentes, como se não tivesse a certeza se regressaria. Na verdade, não volto. Não consigo rever-te nessa tua antecâmara da morte, alguém que me acostumei a ver em gestos firmes e movimentos fáceis. Guardarei essa imagem num álbum de fotografias, eu que te aguardava para receber palavras de esperança e de luta.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estranho esse teu lado de desistente. Um desespero porque a morte não chega. Pretendias que fosse fulminante como um pestanejar. Rezas para que o sono que vai e vem te leve de vez. Já nada te dá prazer, ninguém te arranca um sorriso, como se já partilhasses da morte que ainda esperas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;E agora vamos juntos subindo a serra em passos firmes. De um lado, um pinhal impenetrável separado de nós por um muro baixo. Pisamos a estrada de terra seca e pedras pontiagudas espreitam e reflectem o sol. Caminhamos na maioria do tempo em silêncio. Era ainda tão pequeno que corria para te acompanhar. Nunca fomos grandes confidentes. Nunca te contei as minhas angústias, e tu nunca me trataste como amigo. Gostamos um do outro porque repartimos vísceras, códigos, esconderijos que nos salvariam de ataques cósmicos. Morreríamos um pelo outro, se tal fosse necessário, não pelo amor que nos une, mas por tudo aquilo que nos construiu. E continuamos a caminhar. Sinto o vento gelado na face e dor nas pernas. Mas não te comoverias com lamentos, nem aceitarias interregnos. E já pertinho da ermida de Nossa Senhora dos Prazeres, quando a serra nos servia cenários soberbos, olhaste-me nos olhos, como quem repara em manchas de sujidade para as emendar e comentaste em tom seco: “ Já és grandinho e quero dizer-te algo muito importante. A vida não é para covardes. Se tiveres medo fecha os olhos e avança, se te faltarem as forças nas pernas vai de gatas. Mas nunca te escondas. Se temos muito medo em perder a vida, ela passa-nos ao lado e ficamos para trás.”&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foi mais ou menos isto. Não respondi, apenas assenti com um gesto. E recomeçaste a caminhada. Sabia que ainda faltava metade do caminho para percorrer. Atrás de ti, mas já sem dores nas pernas, nem lamentos. Tal como no resto da minha vida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-8621010890301433008?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/8621010890301433008/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=8621010890301433008' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/8621010890301433008'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/8621010890301433008'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2009/07/caminhada.html' title='A dor da infância'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/Slb8vxowosI/AAAAAAAAAfc/KJGyYNVBlZg/s72-c/mulher_no_infinito.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-6453445123754669914</id><published>2009-07-01T10:09:00.004+01:00</published><updated>2009-07-01T16:53:15.589+01:00</updated><title type='text'>A Vingança</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/SkspkhXElnI/AAAAAAAAAfU/UJMjPc1J588/s1600-h/Serra-da-Lousa.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5353418289467135602" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/SkspkhXElnI/AAAAAAAAAfU/UJMjPc1J588/s400/Serra-da-Lousa.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Tenho cá para mim que ele nem a viu. Afirmou-o e jurou-o depois, pela alma de sua mãezinha, que não tinha reparado nela nem correspondido com qualquer galanteio. Segundo o testemunho de alguém bem colocado, ela olhara-o de alto abaixo como se olha um homem para fins não matrimoniais e depois continuou rua acima, em direcção da sua casa que comandava as vistas na praça Duarte Gomes, enquanto ele teria respondido com uma observação cujo conteúdo era diferente conforme as versões. Uns afirmavam que apenas lhe teria retribuído com um simples “comia-te toda!”, outros que se limitara a dizer “ És boa como o milho!”. Seja como for, uma indiscrição que iria custar-lhe a vida, pois o marido não poderia admitir que a sua mulher fosse objecto de um piropo tão cheio de segundas intenções, quando ela tinha em casa um homem que chegava e sobrava para lhe apaziguar todas as labaredas do corpo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Quando a GNR chegou para o levar para a cadeia do Linhó não só se deixou algemar como manteve o semblante cheio de soberba por ter cumprido o seu dever. Já na cadeia soube que a mulher, afinal, não só continuava a olhar de alto abaixo os homens como os levava para casa, deitava-os na sua própria cama e fazia com eles todas as porcarias descritas em revistas da especialidade e naqueles longos anos debaixo de telha teve a certeza que quando saísse não haveria local seguro, nem longínquo para ela, pois iria tratar-lhe-ia da saúde com todos os preparos sádicos que as noites silenciosas e lentas da prisão lhe davam oportunidade para inventar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Saiu vinte anos e dois dias após aquele trágico incidente. Estava bem mais velho. A calvície, a barriga meio saliente e as rugas nas mãos testemunhavam o facto com crueza. Fez um sinal de desânimo ao olhar-se pela última vez no espelho da casa de banho. Rapidamente, percorreu todos os pormenores que os vinte anos lhe ensinara a pontuar, lavou a cara após encher de água as duas mãos juntas, parou um instante para ter a certeza de que nada esquecia e encaminhou-se para a porta. Saiu do portão como se estivesse de novo a sair da barriga da mãe. Apeteceu-lhe chorar e algumas lágrimas percorreram a face sem saber bem a razão. O dia encaminhava-se para o fim e o sol por trás do monte iluminava a paisagem seca. O calor abrasador dos últimos dias amarelara as coisas e parecia-lhe que, tal como ele, o mundo envelhecera a olhos vistos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Ninguém o esperava. A família mais chegada foi morrendo durante as duas décadas como fruta madura. Próximo, ninguém restara. Por herança, coubera-lhe um pequeno casebre na aldeia e uns terrenos de pouco valor comercial, mas capazes de fazer crescer batatas, feijão e cebolo. Sem alternativas, recomeçaria aí a sua vida, depois tinha tempo para engendrar novos rumos. Os primeiros dias ocupou-os a arrumar coisas que ficaram por ali abandonadas, desde roupas velhas, fotografias, artefactos agrícolas que lhe traziam à memória uma infância povoada de rostos afectuosos e vida dura. A maioria deitou no lixo, outras guardou-as em arcas velhas na loja, enquanto as fotografias espalhou-as pela casa. Depois saiu para a rua, cruzou-se com desconhecidos que lhe viraram a cara e no pequeno supermercado comprou pão, queijo e alguns pacotes de leite. Em casa, enquanto comia, decidiu adquirir animais, uma galinha, dois coelhos, dois patos, um porco e duas cabras. Apontou tudo o que precisava numa folha amarelada para nada esquecer na próxima visita à feira da Vila. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E nesse dia o curral – após tantos anos árido e silencioso – era agora um antro de vida, uma espécie de arca de Noé que encerrava a força vital que alimentaria o futuro após o dilúvio. Indivíduos que não se conheciam, mas que, após algumas celeumas e guerra de territórios, pactos e estratégias de intimidação, iam-se acomodando como se percebessem que a partir daí teriam de inventar razões para gostarem uns dos outros. Ele sentado na varanda olhava aquele mundo novo que se aconchegava e sentiu-se feliz pela primeira vez em muitos anos. Construiria algo harmonioso junto aos montes. Com horizontes de perder de vista, um silêncio cósmico apenas quebrado aqui e ali por pequenos movimentos das árvores ou das poucas pessoas que restavam, podia recuperar o espaço perdido na clausura e limpar o coração de velhos ódios que matam como cancros silenciosos. E nesse final de tarde teve a certeza que a vingança que o manteve vivo na prisão tinha cumprido já o seu papel. Agora preferia olhar a serra cheia de pinheiros acotovelando-se uns aos outros, enquanto no curral os bichos se afadigavam a compor a cama, pois a noite não tardava a chegar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3903594276762449420-6453445123754669914?l=nailhadebruma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/feeds/6453445123754669914/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3903594276762449420&amp;postID=6453445123754669914' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/6453445123754669914'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3903594276762449420/posts/default/6453445123754669914'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nailhadebruma.blogspot.com/2009/07/vinganca.html' title='A Vingança'/><author><name>ilhéu</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00611318001475448319</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/SkspkhXElnI/AAAAAAAAAfU/UJMjPc1J588/s72-c/Serra-da-Lousa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3903594276762449420.post-6898509349944332439</id><published>2009-06-22T16:43:00.006+01:00</published><updated>2009-06-23T12:15:31.006+01:00</updated><title type='text'>A despedida</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_xcBwHHIXHtQ/Sj-pQQpi8RI/AAAAAAAAAfM/vUqtycajdeE/s1600-h/solid%C3%A3o4.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5350180979151663378" style="DISPLAY: 
