
Sempre a sensação de estranheza perante o lugar que se ocupa. Nada chega a ser familiar porque há sempre a consciência de não ser daqui. Não ser de lado nenhum. Mesmo que tente não consigo delinear o processo causal que me guiou. Não me lembro do itinerário e se quisesse fazer o caminho inverso seria impraticável. Como perceber que pertenço a este chão de pedra reluzente, velha e escura onde vagueio? Nesta solidão consentida, onde apenas se sentem os passos ruidosos e os pensamentos emparedados e monocórdicos. E o tempo, os minutos que se arrastam tarde dentro, como as sombras escuras da praça. Sombras que parecem figurantes de filmes mudos, ora divergem ora se cruzam sem se olharem, como se seguissem normas severas de um ordenador escondido sob os arcos.
E depois volteio-me e nada é familiar. Fui arrancado de um colo e sinto-me num colégio interno.
3 comentários:
Olá prof.António,
Gosto do texto é muito poético.Mas parece-me que há alguma tristeza,estarei enganada?
Felicidades para toda a família
Aida Oliveira
estou óptimo, Aida, obrigado. Apenas na fase de acomodação. E o que vale a vida sem oportunidades de mudança? Boas férias. António
Os sentimentos estão à flor da pele.
Mais uma vez, Parabéns pela escrita, que é fantástica.
BOAS FÉRIAS
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