quarta-feira, 6 de Maio de 2009

Uma no Cravo, Outra na Ferradura...


É unânime considerar-se que a partir dos quarenta é arriscado assumir-se qualquer tipo de imaturidade, sob o risco de criar embaraços nas relações sociais. Mesmo assim, a maioria dos quarentões que conheço continuam a sonhar com futuros onde serão mais inteligentes nas escolhas, mais ponderados nas opiniões e menos arrogantes na postura. Reforçados pelo beneplácito da experiência e da sensatez, julgam-se agora aptos para melhores preferências, desculpabilizando-se das escolhas estúpidas que fizeram há vinte anos. No fundo, rejeitam a ideia de terem terminado qualquer ciclo, ou alcançado a maioridade.

Mas, após os quarenta, os contornos da vida não soam a dejá vu? Não aconteceu já tudo? Serão sempre possíveis menoridades como divórcios e novos arranjos, afastamentos ou reencontros, acertar no totoloto, ou conhecer a muralha da China. Mas as verdadeiras opções que arrasam miolos e causam regozijo, não ficaram irremediavelmente para trás? Poderá vestir um fato adequado, uma gravata mais ajuizada, adquirir um automóvel mais potente ou uma casa com vista para o mar, aceitar um emprego de grande notoriedade, mas nada de basilar. Os amigos que tem serão os últimos, financeiramente marcado pelas escolhas realizadas (a maioria com juros até aos setenta), o nível cultural já definido (com as leituras e os filmes mais marcantes no curriculum) e, nos afectos, os amores futuros serão sempre uma sombra dos do passado.

Mas a idade perdoa mais do que se julga e nem todos se reconhecem no início do fim do caminho. Há os resistentes, não sei se por medo de envelhecer, se por um coração lavado de remorsos e más consciências, ou a uma ingenuidade preservada com uma paciência meticulosa. Esses continuarão à espera de uma saída qualquer. O sonho agarra-se às camisolas como emblemas de clubes e agem como “meninos grandes” com ambições de crescer e melhorar perfomances, naquela mistura explosiva de Peter Pan com ansiedade adolescente, aguardando um toque na porta e alguém anunciando que a felicidade está mesmo ao fim da rua…

2 comentários:

Anónimo disse...

...aos 40 já se viveu alguma coisa, já se tem alguma experiência e conhecimento. É com este "know how" que se parte para o "resto da vida"; à descoberta de TUDO... pois TUDO está por (RE)DESCOBRIR ! Não vale parar e esconder-se nos preconceitos...pois ficará muitissima coisa por viver...
av

carlos disse...

Tonito ; tu perto dos 2ºs "entas " e eu agora no 1º par dos quarenta ... revejo ainda à 20/22 anos atràs as parvoíces que juntos em acampamentos e outras saídas fazíamos e que me reservo aqui e agora(...)mas olhando no horizonte ainda por definir...e ,agora observando algumas das minhas loucuras e imaturidade que teimam em persistir para além da vivência e da condição...o que difere agora talvez seja o de que as mesmas implicarem um olhar irremediavelmente para o passado que ja nos pertenceu e um futuro que nao tanto incerto parece deste vez inevitavelmente definido...mas, deixa que te diga Amigo, que apesar das loucuras e da falta de tino de alguns idiotas quarentões como eu ,...nunca em tempo dourado algum de um passado que ja fora , a palavra " Carpediem " teve o seu verdadeiro sentido...por isso e só por isso, bem haja os 40...