
Lá fora amanhece lentamente. Pontos luminosos correm atrás uns dos outros em direcções opostas, revelando que a vida se espreguiça em várias frentes. O horizonte enlameado, devido às últimas chuvadas, transmite-nos desconforto e indiferença. Nas casas equilibradas na colina não se avista qualquer sinal de actividade, o que poderá significar que os donos se recolhem ainda no vale dos sonhos. A vida não anda para brincadeiras e quanto mais prolongarem o sono menos tempo resta para mágoas e decepções…
Do meu ponto de vigia não consigo encontrar – por mais que tente – o meu lugar de eleição, aquele espaço privilegiado que me permitiria realizar todos os sonhos. Também não vislumbro a saída profissional que me liberte da sensaboria, do enfado e do cansaço diário. Talvez não haja desenlaces felizes neste tempo de crise, de incerteza, de perplexidade, de estagnação. Ando em fase de balanço, sabem? Os anos sucedem-se a um ritmo alucinante e, ainda a contabilidade do anterior vai no adro, já outro nos cai em cima como um fardo pesado. Não há vagar para renovação interior e para cerimónias de depuração. Persevera a velha vida com as desgastadas roupagens cheirando a mofo.
Mas há sempre a secreta esperança de que a novidade no tempo transporte por magia uma outra vida, imbuída daquele entusiasmo juvenil que transforme os dias em redemoinhos de alento. Razão pela qual este meu cantinho de confidências anda tão desprezado neste final e princípio do tempo. Os empecilhos à escrita amontoam-se como a roupa suja que já não cabe no cesto, enquanto outra, húmida e fria, dependurada nas cordas, vagueia ao sabor do vento. Debato-me com a falta de palavras, com o desassossego de um espírito que não tem poiso. Há fantasias que gostaria contar, mas há momentos de desânimo que obrigam a pausas, tal como há outros que impelem ao silêncio (o silêncio é não só o melhor conselheiro como, não raras vezes, o melhor contador de histórias).
Do meu ponto de vigia não consigo encontrar – por mais que tente – o meu lugar de eleição, aquele espaço privilegiado que me permitiria realizar todos os sonhos. Também não vislumbro a saída profissional que me liberte da sensaboria, do enfado e do cansaço diário. Talvez não haja desenlaces felizes neste tempo de crise, de incerteza, de perplexidade, de estagnação. Ando em fase de balanço, sabem? Os anos sucedem-se a um ritmo alucinante e, ainda a contabilidade do anterior vai no adro, já outro nos cai em cima como um fardo pesado. Não há vagar para renovação interior e para cerimónias de depuração. Persevera a velha vida com as desgastadas roupagens cheirando a mofo.
Mas há sempre a secreta esperança de que a novidade no tempo transporte por magia uma outra vida, imbuída daquele entusiasmo juvenil que transforme os dias em redemoinhos de alento. Razão pela qual este meu cantinho de confidências anda tão desprezado neste final e princípio do tempo. Os empecilhos à escrita amontoam-se como a roupa suja que já não cabe no cesto, enquanto outra, húmida e fria, dependurada nas cordas, vagueia ao sabor do vento. Debato-me com a falta de palavras, com o desassossego de um espírito que não tem poiso. Há fantasias que gostaria contar, mas há momentos de desânimo que obrigam a pausas, tal como há outros que impelem ao silêncio (o silêncio é não só o melhor conselheiro como, não raras vezes, o melhor contador de histórias).
6 comentários:
Bem, basta querer para poder!
Feliz 2009!
Beijinho
as a friend of mine says: "one has to pull the string further back for the arrow to go far"
winter's for quiet evenings by the fire, long talks, gluewein, and movies, and reading, and blogs:)and.. pulling the string, generally:)
but then one morning one shuts the pc, and opens the window and WHOOOOOAAAAA The SPrIng Has CoMe!!!
:)
have a good year
bj
Uma cura de silêncio, talvez não muito diferente das curas de sono dos habitantes das casas equilibradas...
Sei como é!
Mas por vezes basta um pequeno nada para nos despertar desses sonos e para soltar as palavras que quebram esses silêncios. Invariavelmente descobrimos, dentro de nós próprios, a força e a energia que julgávamos já não possuir, e redescobrimos o prazer de estar acordados e o prazer da palavra.
Espero que a cura seja rápida e que possas voltar para nos contares essas histórias do teu silêncio.
Um abraço!
E viva o silêncio!
(Que para mim é outra língua,
outra forma de comunicar.)
Beijo...
Bom 2009!
Lá diz a sabedoria popular que "O silêncio é de ouro"!
Porém, às vezes, o silêncio doi, doi tanto que sufoca o grito e é ele próprio, o silêncio, o GRITO!
Mas apenas para quem esteja atento e o saiba escutar!
Também tenho tentado fazer "o balanço de final de ano", mas também dou comigo a "correr" pelo novo ano sem ter tempo para isso...
Boa sorte nesse silêncio em pensamento e, CORAGEM!
Amanhã será um dia melhor!
Como diz do Devaneante no Cantinho dos Pequenos Prazeres, é preciso olhar para os pequenos prazeres, pois são eles que em grande medida nos fazem felizes.
BOM ANO!
Abraço
Fenix
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