segunda-feira, 15 de Dezembro de 2008

Gosto do Natal porque sim...


Gosto do Presépio, do Menino, da Maria, do José, dos Magos e dos Pastores. Gosto da inocência e do recato da família de Jesus. Gosto do cheiro do Natal, dos sorrisos, da claridade. Não gosto do pai-natal, um pai sem mãe, sem filhos, sem família, sem história e tem por companhia animais com cornos. Gosto do Menino sorridente e de braços abertos à espera dos que arribam, guiados pela estrela da solidariedade e da bondade. Não gosto de um natal exclusivamente comercial. Prefiro o Natal da família, dos corações quentes de afecto, do bacalhau com couves, do peru, das filhoses e dos coscorões. Por isso, não gosto da relevância do barbudo vermelho que é sócio de todos os centros comerciais, hipermercados, sapatarias, lojas de brinquedos e fábricas de refrigerantes e que satisfaz as aspirações materialistas das crianças. Prefiro a discrição das figuras do presépio que são tão pobres que apenas se podem dar a si mesmas.

Gosto do calor do Natal, do lenho, das velas e das lareiras. Não gosto do outro Natal frio e triste dos que se sentem impotentes para seguir a estrela e ficam sozinhos a remoer as suas neuras, os seus pecados, as suas loucuras. Também não gosto do Herodes, do Sadam, do Bush, do Bin Laden e de todos quantos não têm tempo de ir ao presépio, devido às estratégias, movimentações, planos, deserções, resoluções, palpites, congeminações. Prefiro a pureza das intenções.

Gosto do mistério. Não gosto da banalidade dos gestos. Não gosto da reciprocidade balofa das relações humanas. Não gosto de dar porque recebo. Prefiro sinais e surpresas.

Gosto de camelos, de burros e de todos os meios artesanais que nos levam ao Menino. Gosto de me sentar no estábulo junto aos pastores, de afagar o recém-nascido arreganhado por este tempo enevoado e húmido, de fazer patetices com os Magos, de cantar canções de embalar com os forasteiros, de dar palmadas de satisfação nas costas do José. Gosto tanto, tanto do Natal que nem consigo dizer quanto.


Feliz Natal!